O excesso de conteúdo ganhou da atenção. De novo.

O excesso de conteúdo ganhou da atenção. De novo.

por Daniel Sollero

Não adianta. A quantidade de conteúdo que estamos expostos hoje é absurda. Os curadores de conteúdo ajudam mas não resolvem. Listas no Twitter ajudam mas não resolvem. Instapaper e Read It Later ajudam mas não resolvem. Nosso tempo é bem menor que o que aparece de coisas interessantes para lermos, assistirmos e tal. 

Existem algumas maneiras de ter acesso a conteúdo na sua timeline: 1) todo mundo publicando a mesma coisa como um clipe, um show, um evento, etc. 2) você só seguir pessoas que não postam muita coisa mas quando postam é algo que você considera relevante e 3) sorte. Você viu algo porque estava acompanhando naquele momento.

Às vezes nem querendo muito e voltando muito tempo na timeline você consegue ler tudo. O Twitter limita a 7 dias, o Facebook deve ter outra limitação e por aí vai.

Todas as ações te pedem para compartilhar seu conteúdo. Tudo o que você vê na internet, pede para você compartilhar. E muita gente faz isso. Todo like no Facebook aparece no seu mural. É a banalização do Curtir. Se você curte tudo, você acaba não se tornando curador de nada. E se você tem muitos curadores para os seus interesses, no final você acaba não tendo nada também. Isso sem falar que o que você curtiu hoje pode não ser o que você curtirá no futuro. E aí começamos a ter desvios de comportamento e que o CRM vai perpetuar.

Mas por que isso é importante para nós publicitários? Simples, em um mundo em que tudo tende a se tornar social e nossas timelines (seja no Twitter, Facebook ou qualquer outra ferramenta que apareça no futuro) fiquem sempre lotadas e com mais itens que possamos acompanhar, é natural que muita coisa passe batido. Isso já aconteceu com email, com RSS e agora está acontecendo nesse universo de atualizações de status. A atenção esgota, o excesso de conteúdo impera e já era. Perdeu.

Um amigo acabou de trocar de emprego. Mesmo ele publicando em todos os seus perfis em redes sociais (linkedin, site pessoal, twitter e tal) todo dia aparece alguém para dar os parabéns por essa mudança de emprego. Ele fez a parte dele ao comunicar. Só que o excesso de conteúdo na timeline das pessoas também fez a sua. E aí, o que aconteceu? O excesso de conteúdo ganhou da atenção de novo. 

E quer saber de quem é a culpa? De todos nós. Antes as pessoas poderiam culpar a publicidade. É aquela velha história de:

Uma pessoa é impactada por X mil propagandas por dia

Só que agora, além disso, ainda temos as fotos do churrasco (e os comentários de cada pessoa que foi nesse evento fez nas fotos) aparecendo na nossa timeline. Temos os avisos de que fulaninho está assistindo a série X naquele momento. As atualizações de status, sejam elas check-ins no Foursquare, no Soundtracking, no Twitter, no Facebook ao nos aproximar do dia a dia dos nossos “amigos/seguidores” está nos afastando um pouco de assuntos que realmente nos interessam ou podem nos interessar.

E como as empresas estão fazendo agora? Tentando nos ajudar e filtrando esse conteúdo para nós. Só que, ao fazer isso, estão criando um mundo em que nada é novo e tudo é familiar e nada nos desafia a entender as diferenças. Um livro que fala sobre isso é o “The Filter Bubble: What the Internet Is Hiding from You”. Lembra quando o Facebook só mostrava as atualizações de amigos que você mais interagia? Pois é. Bem isso.

Mas aí se cria um outro problema, mais grave e, que vai de encontro com um dos princípios da internet que é o de conteúdo livre e você volta ter empresas decidindo o que você vai ler ou ter contato. O video do autor do The Filter Bubble no TED explica bem melhor esse fenômeno.

O fato é: estamos em uma fase de transição. E temos que nos acostumar com esse excesso de conteúdo.

O Steven Johnson no livro “Everything Bad is Good for You: How Today’s Popular Culture is Actually Making Us Smarter” comparou e disse que a quantidade de narrativas que haviam em séries de TV nos anos 50/60 era bem menor do que a quantidade de narrativas que temos hoje e em séries como “The Wire”, “Sopranos”, “Lost” entre outras. Será que nós estamos mais aptos a entender essa multiplicidade de narrativas do que as pessoas daquela época por que vivemos em um mundo com mais estímulos na mídia? Será que eventualmente vamos nos adaptar a essa nova demanda de atualizações de status? Hoje isso não acontece. Ainda tem muita coisa passando e nós não estamos vendo.

E você ainda acha que a sua ação do Facebook vai “viralizar” sozinha? Mesmo sem ninguém ver ao menos um dos milhares de RTs e compartilhar do Facebook que aconteceram durante a ação? Vale ler post em que o Cavallini questionou se Social Media precisa de mídia paga.

Mas depois disso, já com pessoas tendo contato com o seu conteúdo, acho que estabelecendo uma conversa com essas pessoas, é bem possível (e até provável) que elas comecem a te ouvir mais. Talvez a solução para o problema do excesso de conteúdo seja estabelecer um relacionamento real entre as pessoas que fazem a gestão da marca com as pessoas que consomem a marca. O excesso de conteúdo vem ganhando da atenção mas, talvez, quem venha a derrotar o excesso de conteúdo seja a confiança porque, no fim do dia, é ela que vai ditar onde vamos gastar o nosso tempo e atenção.

Em tempo: a ilustra classe A desse post foi feita pelo inestimável Fernando Weno

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