Minhas coisas favoritas (ou “A saudade como recurso criativo”)

por Nícolas Vargas

Após uma semana sabática sem postar, venho aqui falar da saudade, um dos recursos mais recorrentes na criação. Substrato da mente humana, reflete coisas que a gente viveu ou mesmo que enxergou pelos olhos de outras pessoas, queridas ou não. É reflexo, inclusive, de coisas saudosas que a gente nem sabia que existiam até aquele segundo.

Aliás, como sentir saudades de algo que nunca esteve com a gente? Pois é, acontece. E muitas vezes cineastas, escritores, amantes, ex-amores e, quem diria?, até os publicitários se valem dessa sensação pra derreter seu coraçãozinho. E pra isso não há remédio. É como aquele final de Lost in Translation, quando o Bill Murray cochicha no ouvido da Scarlett Johansson, ou mesmo o John Cusack gravando um K7 só com as músicas que fariam sua noiva feliz após ela voltar pra casa em Alta Fidelidade. É, enfim, o juiz tentando impedir o Adam Sandler de adotar o menininho em O Paizão.

Aquilo a gente não viveu, ou apenas passou por algo que se assemelha, num contexto que fosse, talvez, semelhante. Porém, lembremos, AQUILO exatamente a gente não viveu.

Então é isso, anotaê: saudade, recurso criativo. Aproveita o bloquinho na mão e escreve também: quando a vida afasta um adulto querido, a lembrança acorda a gente de noite. Quando afasta uma criança, a lembrança acorda a gente de dia.

O vídeo abaixo, de 2009, é de uma dupla chamada kidswithcrayons, formada por Jamie Havill e Carey Moyle, estudantes ingleses de cinema. Enfim, com esse duo eles só lançaram o filme abaixo.

Só.

Se chama My Favourite Things.

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