Primeiro álbum do London Grammar continua a beleza dos primeiros singles

"If You Wait" humaniza o pop eletrônico com melodias à flor da pele

por Felipe Cotta

Jogue num liquidificador: Florence + The Machine, Bat For Lashes e Lorde. Misture bem. O resultado é London Grammar, um trio pop-atmosférico-trip-hop que lançou seu primeiro álbum em setembro do ano passado.

A produção do disco é impecável, e os vocais quase líricos de Hannah Reid perfuram as músicas com força e impacto.

Eles são ingleses e fazem um som simplesmente lindo. Seu primeiro single, Hey Now, apareceu em 2012 e virou um objeto de culto tanto na Inglaterra quanto na Austrália. Com o sucesso, gravaram o EP Metal & Dust, que foi direto para o quinto lugar em vendas na iTunes Store.

O estilo que eles encontraram misturando os efeitos de teclado com percussão, guitarras e o vocal catedrático de Reid definiu a cara da banda: um som contemplativo (não dá pra imaginar ouvi-los num churrasco), daqueles que você coloca no volume máximo, deita na cama e apaga a luz pra viajar junto.

Momentos como Stay Awake são raros, e essa música upbeat é quase um contraste com o tema predominante do disco, onde a mágoa, a melancolia e a solidão ganham mais espaço.

Apesar de parecer tristes, são sentimentos como estes que impulsionam Reid, Dot Major e Dan Rothman a alcançar momentos sublimes como a impressionante Wasting My Young Years, uma verdadeira tempestade sentimental deflagrada por uma das melodias mais bonitas do disco.

Só por esta faixa, If You Wait já tem tudo para se destacar em meio à grande maioria das outras bandas sem personalidade que há por aí. Mas o disco tem tantas outras músicas boas que já esbanja potencial para virar um pequeno clássico. Se isso vai mesmo acontecer, daqui a 10 ou 20 anos descobriremos. Mas por enquanto, If You Wait pode muito bem ser o disco do ano (no mundo do pop, pelo menos).

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