O Casamento Vermelho das Prefs de Curitiba e do Rio

Como a interação nas redes entre os dois perfis institucionais levou à uma ação social para doação de sangue

por Jacqueline Lafloufa

Selo Indicado B9 GP

Conhecida nas redes sociais pelo seu jeitinho descolado de falar com os seus munícipes, a prefeitura de Curitiba virou modelo de atuação institucional simpática para cidades do país inteiro. A partir dela, diversas outras páginas de prefeituras começaram a adotar um tom mais leve na comunicação.

Recentemente, em uma das suas postagens musicais no fim do dia, a prefeitura de Curitiba, carinhosamente apelidada de Prefs, precisou fazer algo inusitado: recusar convites de casamento da sua audiência. Os pedidos de “Prefs, casa comigo?” eram uma manifestação do carinho do público para com a página, mas era preciso esclarecer que não seria mesmo possível que a Prefs se casasse com quem quer que fosse.

Curiosamente, entre os muitos pedidos de casamento, havia uma investida da prefeitura do Rio de Janeiro. Esse tipo de interação e “conversinha” entre páginas de marcas no Facebook e no Twitter não é exatamente uma novidade. As equipes de redes sociais já repararam que se relacionar com outras páginas, em especial as que não são concorrentes, gera um maior alcance para o material, e também conquista espaço na mídia especializada.

No entanto, ao invés de manter a conversinha fiada que costuma acontecer nas redes, as Prefs de Curitiba e do Rio decidiram seguir o “noivado” com uma pegada de ação social. Foi aí que surgiu a ideia do Casamento Vermelho entre a Prefeitura de Curitiba e do Rio de Janeiro. Claro que trata-se de um casamento ficcional, mas a “cerimônia” conta até com o apadrinhamento de prefeituras de outras cidades do país, e abre o convite para que os munícipes participem doando sangue em hemocentros indicados pelas páginas.

“Só íamos casar se fosse benéfico para todo mundo. Até que eu tive a ideia de fazer uma ação social nas duas cidades, e assim selar o casamento”, conta Marcel Bely, da equipe de mídias sociais da Prefs de Curitiba.

Cada uma das prefeituras manteve sua comunicação particular para avisar sobre o casório. Na página carioca, o evento se transformou em “O Casamento das Prefs”, enquanto a página de Curitiba se refere à cerimônia como o “Casamento Vermelho” (qualquer semelhança com o Red Wedding de Game of Thrones não é mera coincidência) com direito até a slogan: “Dessa vez também terá sangue. Muito sangue. Mas para salvar vidas”.

Cada prefs fará a recepção do evento em um banco de sangue da cidade neste sábado, dia 27 de setembro. Em Curitiba, a recomendação é que os ~convidados~ se direcionem ao Hemobanco, enquanto no Rio a indicação é ir até o Hemorio.

“Tirar alguém da frente do computador e levar até um banco de sangue não é tarefa fácil. Se as prefeituras conseguirem fazer isso através de uma ação divertida no Facebook, é um mérito muito grande” – Ana Carolina Rocha

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Outras prefeituras também se dispuseram a ser “madrinhas” da celebração, como é o caso das prefeituras de Praia Grande, Maceió, Salvador, Ilhabela, Manaus, Blumenau, Maringá, Mariana, Palmas, Cuiabá, Niterói, Limeira, entre outras. Algumas delas estão promovendo a celebração do casamento das prefs em seus próprios hemocentros.

Em geral, a ação tem sido bem recebida pelos fãs das páginas. Alguns deles se dispuseram a fazer doações em suas cidades mesmo que as prefeituras locais não estivessem envolvidas, o que ajuda a reforçar os estoques de bancos de sangue do país inteiro.

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Críticos da iniciativa reclamam que a ação não resolve nenhum problema de forma pontual, e que a conversinha entre marcas já é algo bem batido nas redes. No entanto, acho importante lembrar que a conversa só se estendeu a tal ponto em busca de um bem maior, que é a ação social coletiva e coordenada entre diversas cidades do Brasil.

“Tirar alguém da frente do computador e levar até um banco de sangue para realizar uma doação não é tarefa fácil. Se as prefeituras conseguirem fazer isso através de uma ação divertida no Facebook, é um mérito muito grande. Infelizmente a necessidade de sangue nos bancos é tão grande que não importa a motivação da pessoa para ir doar, o importante é que ela vá. Uma bolsa de sangue pode salvar até 4 vidas e isso sim é nobre”, pondera Ana Carolina Rocha, idealizadora do projeto vai doa.

Atualização em 10/12: algumas informações obtidas com a equipe de mídias sociais da prefeitura do Rio de Janeiro foram omitidas, a pedido da agência responsável pela conta.

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