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Viber, o app que vai disputar a 2ª tela com as redes sociais

Grupos abertos, chamadas em vídeo e de voz e preocupação com privacidade: será que eles serão capazes de superar o reinado de Twitter e Facebook?

por Jacqueline Lafloufa

Estamos cada vez mais móveis, mais inquietos e mais conectados. De repente, assistir a algo na TV passou a ser muito mais divertido se você pudesse estar em contato não apenas com quem está no mesmo cômodo, mas com amigos e desconhecidos do mundo todo. Têm funcionado assim com os episódios finais de seriados de sucesso, premiações como o Oscar e o Emmy, e diversos outros eventos em tempo real, como a Copa do Mundo, por exemplo.

Até há pouco tempo, o Twitter era a rede que melhor oferecia essa curadoria instantânea, e recentemente o próprio Facebook prometeu ajustes no seu algoritmo para privilegiar assuntos considerados ‘tendência do momento’.

O que não se esperava é que um aplicativo social entrasse nessa disputa pelo espectador da 2ª tela.

O aplicativo de troca de mensagens Viber está expandindo a sua atuação ao lançar os grupos abertos, que vão funcionar como um broadcast de uma conversa feita entre determinados membros. O funcionamento lembra uma sala de chat, exceto que apenas os ‘membros’ do grupo podem postar, enquanto a audiência pode apenas comentar.

Por enquanto, apenas os parceiros do Viber estão autorizados a usar a nova ferramenta de grupos abertos, focando na produção de conteúdo que promova a interação com a audiência de cada uma das publicações. Sites como Omelete e Esporte Interativo devem estrear o serviço, utilizando-o principalmente na cobertura de eventos em tempo real, como premiações, season finales e até mesmo alguns clássicos esportivos. No Esporte Interativo, por exemplo, a promessa é de um grupo especial para discutir luta livre e MMA, que será apelidado de “Nocaute”.

O curioso, contudo, é que a principal ‘concorrência’ de público do Viber são redes sociais, e não exatamente apps sociais. Luiz Felipe Barros, diretor geral do Viber no Brasil, discorda que Twitter e Facebook sejam competidores, mas acredita que os grupos abertos podem tomar o espaço hoje ocupado pelas hashtags.

Créditos: Bruno Mooca

Luiz Felipe Barros, diretor do Viber Brasil

“Muitas vezes eu não consigo, ou até nem quero, acompanhar todas as postagens de uma hashtag”,

apontou ele, em entrevista exclusiva ao B9, lembrando que os grupos abertos teriam o diferencial de uma curadoria qualificada, evitando a enxurrada de mensagens irrelevantes que costuma aparecer entre as hashtags do Twitter.

A partir do fim de outubro a criação de grupos abertos será liberada para todos os usuários, permitindo que qualquer pessoa possa criar seu próprio grupo aberto para falar sobre o que bem entender. “Da mesma forma que surgiram celebridades do Facebook ou do Twitter, acredito que dentro em breve teremos também celebridades do Viber”, especula o diretor do app no Brasil.

Conversas em vídeo no 3G

A ânsia do Viber de se posicionar como app de conversação não está exatamente limitada a interações textuais. Ainda que as mensagens de texto sejam parte importante da expansão de plataformas de comunicação, devido ao seu caráter coringa de poder ser usada em quase qualquer lugar (existem ambientes onde falar ao telefone ou fazer uma chamada de vídeo poderia ser incômodo), o app social lançou recentemente o Viber Vídeo, que oferece chamadas de vídeo entre usuários do serviço.

Funciona como uma chamada em vídeo via Skype, Hangout ou FaceTime, porém com um interessante diferencial: funciona muito bem em conexões mais precárias, como o 3G brasileiro. Isso porque o codec proprietário usado pelo Viber tem uma capacidade de compressão muito maior do que os codecs usados pelos seus competidores.

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“Em média, consumimos 1Mb por minuto, o que é bem inferior aos concorrentes, que consomem entre 5Mb e 7Mb por minuto”, explica Luiz. Por ser um codec proprietário ainda não licenciado a terceiros, essa é uma senhora vantagem competitiva para o Viber, que consegue oferecer uma chamada de vídeo com poucas quedas ou falhas.

Sem propaganda e com privacidade

Uma das maiores preocupações de quem usa o WhatsApp, aplicativo social do mesmo ramo do Viber, é o vazamento de dados e a falta de privacidade. Desde que a empresa foi adquirida pelo Facebook, em fevereiro deste ano, muitos se preocupam até com a possibilidade do uso das mensagens trocadas no aplicativo para retargetting dentro do Facebook – o assunto das mensagens ‘privadas’ poderiar virar motivo de exibição de anúncios customizados dentro do Facebook.

As fontes de renda do Viber se apoiam em dois pilares: os stickers e a aquisição de créditos para o Viber Out, serviço de ligação de voz para telefones e celulares.

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No Viber, isso parece distante de ser uma realidade. A empresa tem um zelo muito grande pela privacidade do usuário, e permitir o uso das informações trocadas pelo app para a exibição de anúncios seria, dentro da concepção de Talmon Marco, CEO e fundador do Viber, um jeito de irritar o usuário desnecessariamente.

Essa política de não incomodar e não invadir o espaço privado dos seus usuários se expande até para as políticas internas da empresa: nem mesmo as blast messages, pequenos comunicados que o próprio Viber envia aos seus usuários, podem ser utilizados a esmo.

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Cada região tem um limite máximo de ‘blasts’ que pode enviar durante o ano, e todas as mensagens devem ser aprovadas pessoalmente por Marco. Outra curiosidade é que o Viber não mantém histórico das mensagens no caso do app ser apagado do telefone. Quem desejar, precisa se esmerar em fazer um backup das suas mensagens. Caso contrário, vai tudo para o beleléu.

“O Viber é apenas o intermediário das mensagens. Assim que a informação é entregue de um usuário para o outro, ela desaparece dos nossos servidores”, esclareceu Luiz. A única chance de uma mensagem ainda estar armazenada nos servidores do serviço é no caso do destinatário não estar acessível. Mesmo assim, a mensagem fica ‘em suspenso’ na nuvem por apenas uma semana. Depois disso, ela é descartada, já que não pode chegar ao seu destino.

A estratégia de não se apoiar em propaganda parece ser uma tendência do momento. Recentemente, a rede social Ello ganhou um bocado de adeptos ao garantir que os “usuários não seriam o produto”, e que seriam utilizadas outras formas de monetização.

Dentro do Viber, as fontes de renda se apoiam em dois pilares: os stickers, imagenzinhas divertidas que podem ser enviadas entre os usuários, e a aquisição de créditos para o Viber Out, serviço de ligação de voz para telefones e celulares.

Bar sujinho ou festa cheia?

O principal desafio do Viber acaba sendo a adoção por parte dos usuários. A equipe revela com orgulho que já ultrapassou a sua meta anual de expansão no Brasil, mas o número de usuários no país ainda é baixo, se comparado com os dados do WhatsApp: o Viber conquistou cerca de 17 milhões de brasileiros, o que equivale a menos da metade da base de 38 milhões de brasileiros que estão no WhatsApp, segundo informações de fevereiro deste ano.

O que impera é a teoria do bar sujinho, que Luiz prefere chamar de ‘teoria da festa cheia’: você vai onde os seus amigos estão.

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Ou seja, ainda que o Viber tenha uma estrutura melhor, oferecendo mais funcionalidades e disponibilizando aplicativos para uma maior variedade de dispositivos, inclusive para desktop, o que impera é a teoria do bar sujinho, que Luiz prefere chamar de ‘teoria da festa cheia’: você vai onde os seus amigos estão. Assim, se seus amigos não estiverem no Viber, qual a graça de usar o app, não é mesmo?

O que pode acontecer, contudo, é que a qualidade e variedade dos serviços oferecidos pelo app possam se tornar um atrativo. Melhores condições da chamada de voz e de vídeo, integração com o desktop, a possibilidade de transferir uma chamada do mobile para o desktop e até mesmo os futuros grupos abertos podem se tornar funcionalidades exclusivas ou melhor executadas pelo Viber, o que pode levar à conquista de uma maior audiência dentro dos próximos anos.

Apesar do ‘open bar’, falta ao Viber conseguir transformar-se na tal ‘festa cheia’.

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