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Champions League: A atmosfera em Berlim antes da grande final

Suor, futebol, cerveja e as ações de marketing que fizeram o encerramento do campeonato europeu

por Estefani Medeiros

BERLIM – Cerca de cinquenta torcedores vestidos como Messi, Neymar e Suárez se espremem no pequeno vagão amarelo que leva ao Olympiastadion. Cantando “Barça, Barça, ôooo, Barça!” em uníssono, batem no teto, chacoalham o vagão com cerca de três metros de altura preenchido até o teto com um aroma nauseante de vestiário no fim de jogo.

A sensação de estar espremida com tanta testosterona em um espaço tão pequeno é a de segurar uma bomba relógio. Em uma primeira reação, protejo a câmera e a cerveja. Seis suadas estações depois, o clima de alegria contagia mais do que a tensão. Se alguns jovens, com os hormônios a flor da pele, gritam “Juventus vaffanculo!” de um lado, um vovô italiano com a camisa do Buffon, acompanhado da família, carrega no sotaque: “Più rispetto per favore!”. Silêncio por um minuto. Todos em festa de novo.

Berlim teve o dia mais quente do ano neste sábado. Não só por causa dos 32 graus anunciando a chegada do verão europeu, mas pela presença dos mais de 40 mil torcedores sedentos por vitória na aguardada final da UEFA Champions League: uma disputa mediterrânea em solo alemão. Ao contrário do prestigiado Bayern, o Hertha de Berlim é um time que passa quase despercebido dos grandes campeonatos, mas não quer dizer que a capital celebre menos as festas que o futebol proporciona.

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O caminho a pé da estação até o Olympiastadion é de festa, coro e camisa catalã, mas a escolha dos jogadores reflete as nacionalidades representantes. Uniformes argentinos e de jogadores brasileiros que já passaram pelo Barça, como Romário, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo são alguns dos mais vistos. Entre os fãs do Juventus, famílias italianas de todas as idades e alguns alemães ressentidos com a derrota nas semifinais.

Em sites de revenda, ingressos valiam até 14 mil euros (cerca de 49 mil reais). Na mão de oportunistas, a ‘promoção’ saia por nada menos do que 4 mil euros.

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Na frente do estádio, os mais esperançosos tentam a sorte de conseguir a valiosa entrada para ver a final. Os cartazes mais ordinários, escritos com caneta no papelão, apelam sem sucesso para o coração dos cambistas: “Sou pobre”. Em sites de revenda, eles valiam até 14 mil euros (cerca de 49 mil reais). Na mão de oportunistas, a ‘promoção’ sai por nada menos do que 4 mil euros (cerca de 14 mil reais). Uma dupla de amigos, mais conformada em não ter ingressos, bebe seus latões sentados em uma mesa com vista para o laptop e ligados no Roja Directa para ter a experiência mais próxima da partida.

Para acompanhar a farra mesmo do lado de fora do estádio, os preços são salgados. Uma cerveja de 500 ml, que geralmente custa até três euros, vendida por seis. Melhor nem converter para manter a diversão. Para comprar uma camisa da final, o desembolso é de 30 euros, enquanto a bola oficial da UEFA sai por 130 euros.

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Antes de deixar a frente do estádio, me deparo com panfletos questionando qual a diferença entre a UEFA e a FIFA. Em uma breve leitura, trata-se de uma denúncia e um pedido de atenção relacionado à liga croata: “a competição mais injusta já vista”. Ainda existe quem prefere não misturar política e futebol, mas com a recente prisão de Marin e escândalos de corrupção sendo descobertos, será que os torcedores começarão a cobrar mais das organizações que comandam seus times? Me digam vocês.

Na final Juventus e Barça, Berlim também saiu ganhando

De acordo com o canal local ZDF, faz dez anos que os alemães tentam trazer uma final da Champions para Berlim. A partida final foi também uma vitória da cidade, que gastou cerca de 5,3 milhões de euros de investimento em estrutura e arrecadará 137 milhões de euros com turismo. Os valores são atualizados com dados detalhados do Senado informando os gastos de dinheiro público no evento. Por contribuinte, estima-se que só a festa no Portão de Brandemburgo custou 300 euros por cidadão.

O movimento começou no início da semana, com uma sobrecarga dos principais aeroportos, que adicionaram 320 voos para receber os torcedores. A Alexander Platz, um dos principais pontos turísticos de Berlim, acomodou as delegações e a maior parte dos fãs nos hotéis da região. Também foi onde a polícia teve mais trabalho na madrugada.

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O balanço dos jornais na manhã de domingo é de que: “apenas alguns ‘incorrigíveis’ foram contidos com fogos de artificio, mas no geral a festa permaneceu pacífica”. Morgenpost e BZ Berlin informaram sobre trocas de dados entre as polícias alemã e italiana relacionadas a um grupo de ultra-nacionalistas de Turim carregando ‘símbolos proibidos’. Mas, aparentemente, ninguém ousou deixá-los a mostra.

De olho no lifestyle da cidade, marcas investem em cerveja e graffiti

Diferente do Super Bowl, que promove seus shows do intervalo com a mesma força do jogo em si, os comerciais televisivos não são o espaço principal de interação e promoção. As marcas investiram pesado em ações nos pontos turísticos de Berlim, levando em consideração o lifestyle local e ações com potencial de repercussão em mídias sociais.

Seguindo a linha das Fan Fests criadas na Copa do Mundo ano passado, o Portão de Brandemburgo virou um ‘shopping’ de estandes que ofereciam diferentes tipos de entretenimento e brindes para os torcedores. A gigante russa Gazprom criou um pequeno campo de futebol para amadores aos pés do monumento.

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Berlim gastou 5,3 milhões de euros de investimento em estrutura e arrecadou 137 milhões de euros com turismo

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Em sua estreia como patrocinadora, a japonesa Nissan fez seu maior investimento no futebol até hoje. De acordo com o canal de publicidade alemão Horizont, estima-se que pagaram 60 milhões de euros pelo ano, uma tentativa de reverter a queda de vendas na Europa. Nos dias que antecederam a final, quem fazia piquenique e tomava cerveja sentado nos canais da cidade obrigatoriamente via Neymar e Messi apresentando seus novos modelos de carros elétricos.

A agência responsável pela comunicação da UEFA foi a filial alemã da britânica M&C Saatchi. Entre as ações da campanha Legendary Moments, relembrou grandes momentos da história da Champions em instalações criadas por seis semanas com o propósito de incentivar o compartilhamento de imagens no Twitter e Instagram.

A alemã Adidas contratou dez grafiteiros para criar um grande mural no lounge da marca em Wedding. A cada chute de bola no muro, uma parte do graffiti é revelado. “Ao invés de pendurar grandes outdoors, preferimos que os consumidores fizessem parte dos acontecimentos”, explicam. Marca que fornece os equipamentos para UCL desde 2003, a Adidas abriu um espaço para blogueiros que ficará disponível até o dia 13 de junho e que além de comida saudável, oferece campo para basquete, futebol e videogame.

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A Heineken fez a festa cervejeira. Para divulgar os eventos criados pela marca, aproveitou a cultura cartazista local e espalhou cerca de cinco mil pôsteres iluminados para anunciar seus pontos de transmissão, todos com entrada gratuita. Além do estande no Portão de Brandemburgo, fez parcerias com um pub e um biergarten. Na Arena Badeschiff, os torcedores assistiram o jogo com pé na areia e vista para um dos mais belos canais de Berlim, com direito a piscina, water taxi (barcos que transportavam os fãs até o lugar) e apresentação de DJs.

Desde 1997, a Sony usa a marca Champions pra divulgar sua linha de produtos. Neste ano não foi diferente, com investimentos direcionados para um campeonato de futebol infantil e estandes de divulgação do PlayStation 4 com “PES 15”. Naturalmente, os estandes acumulavam filas de fãs querendo antecipar a sensação de disputa da partida final.

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//FOTOS: Estefani Reis e Pedro Rosa / Talaguim

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