Pokémon Go é exatamente o que a tecnologia de Realidade Aumentada precisava

Um game com apelo certo para fazer a tecnologia - finalmente - decolar

por Rafael Silva

Na semana passada a Nintendo lançou seu tão esperado e bastante hypado jogo Pokémon Go. Ele usa realidade aumentada, algo que já é presente no mercado há anos, e mostra os pokémon no mundo real. Esse jogo parece simples e não usa uma tecnologia recente – mas a combinação de uma propriedade intelectual conhecida com uma mecânica bem estruturada fez de Pokémon Go um verdadeiro fenômeno. Veja acima uma demonstração do jogo.

No game, é preciso se deslocar fisicamente nas ruas para encontrar e capturar os pokémon, buscar pokébolas e completar desafios em geral. Ele também tem ginásios em locais especialmente movimentados (shoppings, estações de metrô, clubes, etc) e que podem ter seu domínio disputado por outros jogadores. E como não podia faltar, existem as microtransações que deixam o jogo mais fácil dependendo de quanto você quer gastar – o máximo permitido é de US$ 159 dólares, que dá acesso a milhares de moedas que podem ser trocadas por itens.

Toda essa mecânica não seria nada se o primeiro elemento que realmente vendeu o jogo não estivesse ali: o Pokémon. Já existem inúmeros games que usaram realidade aumentada no passado, mas nenhum deles fez essa tecnologia realmente decolar até agora. O que chegou mais próximo disso foi o Ingress, curiosamente é um game criado pela mesma companhia responsável pelo Pokémon Go, a Niantic Labs.

Pokémon Go já está instalado em mais de 5,16% dos aparelhos Android nos EUA, enquanto o Tinder tem apenas 2%

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Em Ingress o jogador precisa ir em certos locais interagir com alguns portais e cristais e assim ganhar pontos. Sim, minha explicação é bem vaga assim mesmo porque foi um jogo que não teve nenhum apelo pra que eu entendesse ou procurasse descobrir nada além disso. E embora ele use realidade aumentada, não é de uma maneira particularmente interessante.

Com Pokémon, uma propriedade intelectual que já tem mais de 20 anos, a Nintendo fez de Pokémon Go algo que é instantaneamente reconhecido, muito nostálgico e ao mesmo tempo usa de tecnologia para ser atraente. Ele pode ser o jogo que finalmente faz a realidade aumentada começar a ser vista com outros olhos.

Os efeitos inesperados

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A realidade aumentada pode ter se destacado agora, mas do lançamento de Pokémon Go não saíram apenas coisas boas. Embora tenha feito vários gamers, antes reclusos ao sofá da sala, realizarem caminhadas longas e demoradas pela sua vizinhança, nem tudo são flores. Na mesma semana que o game chegou aos Estados Unidos, já vimos grupos organizando assaltos usando locais importantes do game, uma criança encontrando um corpo no meio do rio e um pastor estranhando que a igreja onde ele mora virou um ginásio.

O game também está sendo criticado por ter um potencial problema de segurança. A Niantic fez um esquema de login que exige uma conta do Google para permitir jogar. Mas existem pesquisadores que acham que a permissão pedida pelo game é ampla demais, o que abre uma enorme brecha. Curiosamente, esse esquema de login só afeta usuários do iOS, não de Android.

Já para o lado positivo, especificamente o lado financeiro, o jogo também foi responsável por fazer as ações da Nintendo decolarem. Uma estimativa do site Bloomberg diz as ações da empresa fizeram-na ser valorizada em cerca de 7 bilhões em apenas dois dias. Além disso, também é possível ver o efeito do lançamento em outros serviços, como o Spotify, onde as músicas de Pokémon passaram a ser mais ouvidas, e o Reddit, que criou um subrredit especial para o jogo que tem mais de 28 mil assinantes. Essa imagem na lateral foi tirada do fórum, cortesia do usuário u/JRod327.

Aliado a isso, o jogo também esta provocando uma mudança na vida de pessoas que são sociofóbicas, ou seja, que sentem uma grande ansiedade ao sair na rua e encontrar outras pessoas. Com o jogo elas se veem motivadas a saírem caçando pokémons rua afora, algo que segundo o Psicólogo David Wang, consultado pelo jornal Nexo, disse que pode ser positivo.

Muita gente joga e muita gente ainda quer jogar

O efeito do sucesso do game pode ser visto durante seu lançamento – telas de erro avisando de servidores sobrecarregados eram comuns. E não é por menos: o game já está instalado em mais de 5,16% dos aparelhos Android nos EUA, enquanto o Tinder tem apenas 2%. Ele também já está quase alcançado o percentual de usuários diários do Twitter, que tem 3,5% dos aparelhos Android nos EUA, enquanto Pokémon Go já alcança 3%. A estimativa é da firma SimilarWeb.

Isso tudo levando em consideração que ele sequer está disponível fora dos EUA, Austrália e Nova Zelândia – pelo menos até o momento da publicação desse post. E fora desses locais, quem quiser jogar pode até baixar o jogo. Mas vai encontrar as ruas desertas, sem nenhum pokémon – algo que a Niantic decidiu fazer ao perceber que gamers estavam baixando o aplicativo sem estarem nos países liberados.

Quando chega ao Brasil?

Durante o dia do lançamento, quem foi um pouco mais apressado (talvez esse que vos escreva possa ser um desses) conseguiu baixar o jogo com uma conta na loja de aplicativos australiana da Apple. E o game funcionou por um tempo, mas a Niantic bloqueou o aparecimento dos pokémon por aqui. A empresa diz que deu uma pausa no lançamento para conseguir resolver os problemas dos servidores, mas que em breve deve continuar.

Dito isso, os próximos locais a terem acesso ao jogo serão o Reino Unido e Europa – e só depois disso veremos ele por aqui. Os treinadores brasileiros vão ter que esperar pelo menos até o final do mês.

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