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Rede social pedia o primeiro filho dos usuários nos termos de serviço - e ninguém ligou

Rede social pedia o primeiro filho dos usuários nos termos de serviço – e ninguém ligou

Site era parte de um estudo para provar que ninguém realmente lê os termos de serviço

por Rafael Silva

Se você precisava de uma prova de que ninguém realmente lê os termos de serviço dos sites onde se cadastram, um estudo recém-publicado pode ser o que você procura. O estudo foi conduzido pela dupla de professores americanos Jonathan Obar e Anne Oeldorf-Hirsch, que criaram uma rede social falsa chamada NameDrop. Eles então enviaram o site a 543 estudantes, que acreditaram que o site era real – e pelo menos 399 deles se cadastraram sem nem mesmo ler os termos de serviço.

Os termos diziam que os usuários que se cadastrassem concordavam em entregar seu primeiro filho para a empresa dona do site. Não tem um filho ainda? Sem problema, o mesmo texto dizia que ele poderia ser entregue até o ano de 2050. E além disso, na política de privacidade, os usuários concordavam em ter seus dados enviados diretamente para a NSA e para os seus futuros empregadores. Dos estudantes que realmente clicaram nos termos e supostamente leram o texto, boa parte deles se cadastrou de qualquer jeito.

Importante lembrar também que já existem alguns serviços que simplificam a vida de quem não lê os termos de serviço mas se importa em saber o que cada um deles diz. O TOSDR, por exemplo, classifica cada um dos TOS de sites conhecidos e entrega bullet points de alguns deles, dizendo se eles respeitam direitos autorais do conteúdo que é criado pelos usuários ou se rastreiam o comportamento deles por cookies (foi nele que descobri que a OLX não permite excluir a conta). Então a desculpa de um termo ser longo demais já não cola.

Segundo a dupla, eles já tinham uma idea de que a famosa frase “Li e concordo com os termos de serviço” poderia ser a maior mentira da internet, mas a pesquisa ajudou a solidificar essa teoria com dados. Só fico um pouco com o pé atrás com o fato de que no experimento, os estudantes foram informados de que a universidade estava trabalhando em parceria com a rede social, o que pode ter causado uma confiança por transitividade. Mas ainda é um estudo fascinante assim mesmo. Ele está disponível para ler na íntegra neste link.

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