Transcrição: Mamilos 55 – Mudanças no ICMS, SAG Awards e carnaval

Jornalismo de peito aberto

por Mamilos

Esse programa foi transcrito por: Fernando de Paulo, Jonas Roch, Débora, Danielli Guirado, Lu Machado, Letícia Lourenço, Henrique Tavares

Início da transcrição:
(Bloco 1) 0’ – 10’59”
[ sobe trilha ]

[ desce trilha ]

Cris: Mamileiros e mamiletes bem vindos ao programa de número 55, a idade que eu me sinto ter hoje depois dessa semana de faxina descomunal. Eu sou a Cris Bartis e essa ao meu lado é a tia preferida da Tatá a Ju Wallauer. Boa noite!

Ju: Olá pessoal, boa noite!

Cris: Estamos aqui para botar a fantasia, esquentar os tamborins e colocar nosso bloco na rua.

Ju: Olha o mamilos aí gente!

Cris: “Oih” e se a gente lançasse um bloco o ano que vem hein? O bloco da empatia! Será que rola?

Ju: Eu acho que ia ser muito legal, eu acho que as pessoas iam muito se divertir! Som do Mamilos. Caio meu mestre de bateria o que vai tocar na nossa sapucaí esta semana?

Caio: Olá Personas, Corraini aqui novamente para trazer a vocês os responsáveis por dar mais cor ao mamilos desta semana. Lembrando sempre que se você quiser colaborar com o conteúdo musical deste programa pode nos recomendar bandas ou artistas independentes no e-mail: [email protected], [email protected]
Hoje contrariando totalmente o clima de carnaval, só porque eu sou diferentão a gente vai ouvir rock. E os responsáveis pela trilha deste programa é a Corona Kings, uma banda lá de Maringá no Paraná e a indicação veio de um amigo da banda o Matheus Henrique, então fiquem ai com a Corona kings, no Som do Mamilos.

[ sobe trilha ]

[desce trilha ]

Cris: E tem Beijo?

Ju: Beijo pra Roma na Itália

Cris: Para Natália Marcoline de Niterói

Ju: Para Linköping na Suécia

Cris: Beijos para o André que faz uma playlist de Mamilos para os amigos coloca no celular deles e depois ainda pergunta, e aí ouviu?

Ju: Beijo para Camile e para o Taxista Lieci que partilharam uma viagem ao som do último Mamilos.

Cris: E para Linhares no Espírito Santo. Tem Merchan? Tem Merchan! A pequena produtora Brasileira Filme de Papel ela é responsável pela animação ‘O menino e o mundo’, e eles estão se desdobrando para fazer o filme chegar a todos os votantes do Oscar, para que ele seja ao menos assistido. São muitos votantes e às vezes eles não assistem os filmes, votam no que eles assistiram e então o que eles estão fazendo. Eles lançaram uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Catarse. A produtora estabeleceu uma meta de R$ 100.000,00 mas a campanha é super flexível e qualquer quantia arrecadada independente do valor eles vão utilizar para mandar cópia para as pessoas assistirem: Temos certeza de que se virem o nosso menino irão escolhê lo. Escreveu Alê Abreu que é o diretor do filme no texto de divulgação que está lá no Crowdfunding. A necessidade de financiamento coletivo mostra um pouco de como que está o cinema, né!? ‘O menino e o mundo’ já venceu mais de quarenta prêmios no mundo inteiro ele teve um orçamento de R$ 2.000.000,00 e o favorito ao Oscar que é Divertidamente teve R$ 700.000.000,00 de produção.

Ju: É muito Underdog né?

Cris: Não é? A Ju vai até falar disso aqui depois, mas de qualquer forma, é muito intere… O filme é muito legal é muito interessante ter a campanha e quem quiser ajudar o link está na pauta é catarse.me/pt/meninonooscar. Então deem uma olhada lá, é bem interessante.

Ju: E o outro merchan que a gente tem pra fazer, é que o workshop nove vai voltar gente. A gente encontrou um lugar super fofo pra fazer as próximas turmas, vai ter uma turma em abril do Love Brands que é a última turma de Love Brands. Porque depois em maio tem o workshop do Cris de novo e em [ Junho=

Cris: Que Cris?

Ju: = Cris Dias:

Cris: A bom!

Ju: E em Junho o Merigo via abrir o workshop dele, parem as máquinas. Ninguém acredita nisso. Então, assim preparem-se, eu vou dar mais detalhes no próximo programa.

Cris: Quebrem o cofrinho.

Ju: Mas olha, vai dar pra dividir, vai dar pra parcelar todo mundo vai poder ir, vai dar tudo certo gente! Mas preparem-se porque está muito legal.

Cris: E ó, fale com o Mamilos galera. Vamo lá, você que está aí escutando a gente somos toda ouvidos, além de mamilos. Você pode escolher o canal. Pode falar com a gente pelo facebook do mamilos, no twitter, periscope, instagram e pinterest nós estamos presentes com o perfil @mamilospod tem o nosso e-mail que é [email protected] e também a nossa página do mamilos no b9. Além disso, você pode contribuir com este projeto cheiroso, suado pelo patreon. patreon.com/mamilos .

Ju: Vamos para o fala que eu te escuto!

Cris: Bora !

[ sobe trilha ]

[desce trilha ]

Ju: Paula Nischimura, bióloga em São Paulo. “Queridas Mamiletes, sou uma ouvinte assídua de podcats de cultura pop nerd e na busca de podcast com conteúdo mais feminino acabei encontrando o mamilos pelo qual me apaixonei. Porém confesso que pensei duas vezes se iria ouvir o podcast desta semana sobre vírus zika e microcefalia. Tenho 33 anos e estou gestante de 25 semanas. Quando descobri que estava grávida, o surto de microcefalia ainda não estava evidente e conforme as notícias foram surgindo eu pensei, ferrou! E se eu tiver? Então cada coceirinha, cada vermelhidão no corpo era aquela paranoia. Sem falar na busca pelos repelentes caríssimos sempre esgotados nas farmácias. A cada notícia sobre o zika e a microcefalia ficava mais angustiada e tinha descido para de ler sobre o assunto. Até que me deparei com o episódio do mamilos sobre o tema. Relutei em ouvir, mas não resisti. Então ouvi e não me arrependi. Em primeiro lugar a participação do Átila, trouxe o ponto de vista biológico e evolucionista que adoro nele. Sem falar que ele foi meu colega de turma na biologia da USP. A participação de uma médica clara e objetiva não trouxe as informações sensacionalista que costumamos ouvir. Tudo isso acalmou meu coração o que importa é que meu bebê está vindo e da forma que ele vier será muito amado. Muito obrigada!” . Olha o Átila pediu para complementar, que ela foi campeã estadual de Counter Strike. Isso é muito relevante.

Cris: Que legal!

Ju: Ela não deveria usar isso na assinatura ao invés de bióloga?

Cris: Acho! Com certeza!

Ju: Eu acho muito legal né?

Cris: Ou bióloga campeã de Counter Strike!

Ju: É! Beijo Paula.

Cris: Fernando Valadares, estudante de engenharia do ITA. “Oi meninas, vim aqui dar uma dica para os ouvintes engenheiros, ou desenvolvedores. Estou em um emprego de verão e me entregaram o seguinte briefing desenvolver um software que ajudasse no combate ao mosquito da dengue. Procurando na cidade do Recife por algum problema específico que eu e meu grupo pudéssemos atacar, acabamos no órgão da prefeitura responsável pelo controle ambiental e descobrimos que eles têm muitos problemas. Pouco do processo é informatizado ou automatizado. Algumas atividades são redundantes de forma que o combate ao mosquito fica muito mais caro do que deveria. Há muito espaço para barateamento desse processo e consequentemente para um controle mais duradouro e consistente”. Para quem quer fazer um projeto que tem impacto social é um prato cheio, então a gente entrou em contato com o Fernando ele formou um grupo no facebook para quem tiver interesses em ajudar nesse projeto, a gente vai colocar o link na pauta, então o chamado está feito aí para engenheiros e desenvolvedores que quiserem ajudar. O Fernando finaliza falando adoro o podcast de vocês, um beijo.

Ju: Mamileiros, só um recadinho eu acho que esse programa do zika é uma ótima oportunidade pra vocês apresentarem o Mamilos para aquele amigo, para aquele primo, para aquela namorada que você queria muito que ouvisse o Mamilos e até hoje nunca tinha se interessado, porque é um programa é que tem bastante informação e informação sobre um tema que as pessoas estão muito carentes, muito interessadas, muito curiosas. Então, é uma porta de entrada para drogas mais pesadas. Eu acho que vocês podem aproveitar essa oportunidade principalmente, porque assim, todo mundo conhece grávida, a família da grávida fica sensibilizada , então enfim: são públicos que têm necessidade de ter essa informação e você está aí com a solução na mão, a faca e o queijo na mão.

Cris: O mamilos na palma da sua mão.

Ju: Compartilhe o Mamilos.

Cris: Vamos então para trending topics!

[ sobe trilha ]

[ desce trilha ]

Ju: Primeira coisa, vamos relembrar, estamos na terceira temporada, por assim dizer. Mas toda hora tem gente chegando nesse bonde, né! Então, primeiro o que é um ‘Trending Topics’ Cris?

Cris: É um programa que a gente escolhe duas ou três notícias e reunimos dois colaboradores para comentá-las com quinze minutos cada tópico mais ou menos.

Ju: O que que não é um ‘Trending Topics’ Cris?

Cris: Ô, te conta. Um debate aprofundado com pesquisa para apresentar a diferentes camadas que existem assunto complexos apresentados de forma clara empática e respeitosa. Com os pontos de vistas das pessoas que estão na mesa. Então a gente não faz aqui uma pesquisa aprofundada. É um programa de opinião.

Ju: Ué? Mas me recomendaram o Mamilos por ser um espaço de diversidade de opinião e tolerância, como assim num programa do Mamilos pode ter só um lado?

Cris: Ai Juliaaaana! O nosso time de colaboradores ele reflete essa diversidade de interesse de ponto de vista. Tem a visão crítica e sínica dos jornalistas: Cris D’ Lucca, Alek Duarte, Marco Túlio. A preocupação social dos jornalista e artistas: Peu Araújo e Oga Mendonça. O olhar feminista e combativo da Thais Fabris e da Itali que também é economista e puxa a pauta deste assunto. O contraponto liberal da Michelle Sopper, do Daniel Almeida e do Rodrigo Paiva que também puxam as pautas de business e ainda o Caio pra puxar um pouco a sardinha do universo de games e essa coisa mais nerd. Ainda a Camila Appel para a Dramaturgia.

Ju: E a gente começa 2016 com duas aquisições preciosíssima para esta equipe. A Diane Lima para junto com o Peu, provar mais discussões sobre questões raciais e movimento negro. E o Joel Fonseca para reforçar o coro liberal.

Cris: E então tem muita gente né? Tem lado pra todo lado.

Ju: Exatamente, pode ser que num programa só, não tenha os lados que você gostaria de ver, mas no geral eles vão aparecer.

Bloco 2 ( 11’ – 20’59’’ )

Cris: Bora para o Giro de Notícia?

Ju: Bora.

Cris: Twitter perde executivos, grana e prestígio. Será que vai balear de vez?

Ju: Pois é. E pior que eu li isso e aí hoje, o Yassuda comentou no nosso grupinho assim “gente, o Twitter está fora do ar”. Eu falei: Mas pra sempre?

Cris: Já?

Ju: Já saiu?

Cris: Não deu nem tempo…

Ju: Não, mas só por uma hora. Calma!

Cris: Pois é. Esse final de semana saiu uma matéria no “The New Yorker” que fala sobre a dificuldade que a plataforma está enfrentando de se renovar frente aos concorrentes e está perdendo muito executivo. E perdendo executivo para uma concorrência forte, que inclusive está levando conhecimento da rede do passarinho para a frente. Vamos ver aí o que vai rolar.

Ju: Netflix vai produzir revival de “Gilmore Girls”.

[gritos/gemidos]

Ju: Para tudo gente! A série estava no ar entre 2000 e 2007 e narra a vida de uma mãe criando a sua filha. E gente… Era a minha série preferida!

Cris: É muito bom, né? Eu amo!

Ju: Eu amava essa série. Eu não estou acreditando que vai ter.

Cris: Ai! A Netflix é muito coração! Essa pauta está aqui só pra gente dizer que a gente ama a série.

[risos]

Cris: E estamos super felizes. Vão disponibilizar todas as temporadas no Netflix e ainda vem aí uma temporada nova. Três: Quadrinista Marcelo Quintanilha vence prêmio no importante festival francês Angoulême por “Tungstênio”. O quadrinho foi lançado no Brasil em 2014 e ele narra, com bastante suspense e reviravolta, um dia a dia na vida de um policial, sua esposa, um traficante um ex-sargento em salvador, que todos estão envolvidos no mesmo acontecimento. Esse prêmio é super importante. É legal ver o Brasil representado aí muito bem pelo Marcelo.

Ju: Qual conta priorizar se você não conseguir pagar tudo? No início do ano todo mundo sabe que o bicho pega com tanta conta então o Nexo escreveu uma matéria bem legal orientando as pessoas sobre como se organizarem quando é preciso fazer a escolha. A gente vai colocar o link lá no post.

Cris: Um. O Professor Márcio Andrade da Universidade Federal do Mato Grosso é o primeiro brasileiro a ser indicado ao prêmio “Nobel” da educação, em aspas, é o “The Global Teacher Prize”. Ele deu uma entrevista muito legal para o site “Razões Para Acreditar”, vale muito a pena ler. Sabe professor de raiz, professor moleque, que ama o que faz? É esse moço. E a entrevista é muito legal porque ele fala assim sobre quando o cara que ganhou do gol mais bonito do mundo, daquele prêmio, como que o aeroporto ficou lotado. E que ele não… Não acontece nada quando é esse tipo de prêmio. Ele falou que quando acontece prêmios importantes assim, geralmente o presidente liga pra pessoa, e que ele não…

[risos]

Cris: Nem Whatsapp ele recebeu. Mas ele tem um super amor no coração pelo que ele faz. É muito bonito de ouvir ele falando da escola da educação e de como que ele percebe isso. O link está na pauta.

Ju: Bom, então vamos apresentar, enfim, quem é que está com a gente para apresentar esse programa?

Cris: Quem?

Ju: Quem?

Cris: Quem?

Ju: Primeiro a gente vai apresentar… Eu nem vou apresentar, você se apresenta.

[risos]

Michele: Muito boa!

Ju: Né? Estamos aqui com Michelle Sopper.

Michele: Oi gente! Eu sou a Michelle. Eu vim… Eu sou do coro liberal, como falaram antes.

Ju: Isso! Você gostou disso? De estar no time dos liberais?

Michele: Gostei, gostei! Eu não gosto de me enquadrar, bem no sentido da palavra de ficar quadrada, neste termo…

Ju: Confinada, né?

Michele: Mas a minha ideia aqui é provocar, pensar de outra forma, então… Não precisa concordar, viu gente? É só para ouvir e saber que existe outra forma de ver as coisas.

Cris: Outro lado.

Ju: Muito bom. Quem mais? Quem mais está aqui, gente?

Cris: Uai! Não é que hoje a gente recebeu uma visita?

Ju: Participante internacional! Direto do nordeste, direto do Ceará. Com vocês a mais pedida. Vocês sempre pedem que ela fique no elenco fixo mas ela está longe. Ela veio para São Paulo, ela está entre nós. Gica…

Cris: Sem falar o sobrenome.

Ju: Fala! Fala o sobrenome Gica.

Gica: Trierweiler…

Ju: Trierweiler…

Cris: Falando assim nem parece difícil.

Ju: Eu chamo Gica Yabu porque, pronto! Fica mais fácil.

Gica: Não… Você precisa ver a cara que as pessoas fazem quando elas leem o meu nome no Ceará. É a pior coisa que podia acontecer na face da terra.

Ju: Caiu uma bomba!

[risos]

Gica: É o pior pesadelo delas, me chamar em uma clínica médica: “Senhora Gisele…” E ela fica torcendo para que tenha apenas uma só.

[risos]

Ju: Tela azul!

[risos]

Gica: Oi gente! Eu sou a Gica. Sou da bancada do ouvinte. Representando você, ouvinte desinformado. Fica comigo que eu te represento. “Mas como assim? Eu não vi isso…”. Pode deixar, tá? Esses poços de conhecimento aqui vão responder todas as dúvidas e questionamentos que vocês tiverem porque eu e você estamos conectados aqui, nas nossas mentes.

Cris: Que bom você aqui, Gica.

Gica: Fazendo esse papel aqui que eu adoro, o de mulher burra. Adoro!

[risos]

Gica: Não. Não é mulher burra. É mulher que não teve tempo de acompanhar o que aconteceu. Né?

Ju: Desinformada, apenas. Não burra!

Gica: Não é? Exatato! Por que eu sou inteligente, poxa. É isso.

Ju: Então vamos para o Trending Topics 1. Ele está um pouco longo porque ele é de um tema bem cabeludinho e a gente não ia saber simplesmente sair dando opinião, a gente precisava pelo menos entender do que a gente estava falando.

Cris: Cabeludinho é ótimo!

[risos]

Ju: Que é a mudança na legislação de ICMS. Né? Então assim… Pra pelo menos introduzir o assunto, alguém que entende introduzir o assunto pra gente discutir, a gente chamou o Mauricio Maioli que é tributarista e ele vai começar a colocar algumas coisas de como que é, o quê que mudou, o que se queria e qual foi o impacto que no final se teve.

Maurício: Especificamente do ICMS, de vendas e-commerce ou de vendas remotas, né? De um estado diferente da federação para outro, até 2012 quem vendia de um estado, por exemplo, da Bahia para São Paulo, era recolhido o tributo integral da alíquota do estado de origem. Então aí se alguém comprava uma geladeira, de São Paulo comprava da Bahia, tinha que pagar 17% para o estado da Bahia. Né? Em 2012 alguns estados destinatários começaram a cobrar um adicional de alíquota. Cobraram 10% a mais. Então, nesse mesmo exemplo que eu dei essa geladeira iria chegar no consumidor final a 17% de alíquota da origem mais 10%. Iria ficar em 27%. O que aconteceu? Isso deu muita briga entre estados, entre as empresas, enfim… Porque essas medidas eram totalmente contra a constituição. Várias empresas entraram na justiça, se ganharam processo na justiça, enfim… O Supremo Tribunal Federal afastou esse adicional. E daí isso voltou para o Congresso e os estados resolveram se juntar para afastar esse problema, e daí que se criou a nova realidade para essa tributação. Como é que funciona hoje? Em uma operação de e-commerce, enfim… De um estado para o outro, não tem mais que se recolher essa alíquota para o estado de origem, que são aqueles 17%. O que vai acontecer agora é um cálculo um pouquinho difícil. Porque a alíquota que vai ser aplicada é a alíquota interestadual. E a alíquota interestadual não é só uma, podem ser três. Ou pode ser 12% destinada a estados do sudeste ou sul, ou 7% ou quando a mercadoria é importada a alíquota é 4%. O que acontece agora? Agora a empresa tem que recolher uma alíquota interestadual e depois fazer um cálculo que é uma diferença da alíquota do estado de destino com relação a essa alíquota interestadual. Então eu tenho que saber quais são as alíquotas daquele produto no estado de destino, pode ser 17, 18, 19, fazer a diferença entre essa alíquota interestadual e recolher um percentual para o estado de destino. Então o que era muito simples para a empresa de e-commerce agora ela tem que fazer essa análise das várias alíquotas diferentes. Porque no Brasil tem 27 estados, 26 mais o Distrito Federal, e tinha que se recolher uma guia só de tributo, a burocracia era uma guia só. Agora tem que recolher uma guia para alíquota interestadual, outra guia para dependendo do estado que vai recolher e ainda uma terceira guia quando os estados de destino tem um adicional do ICMS destinado ao fundo de erradicação da pobreza, alguns estados tem esse fundo que pode ser de 1 ou 2% a alíquota de adicional. Então, à rigor, em alguns casos vai ter que se recolher três guias diferentes destinados a três locais diferentes. Quando iniciou agora, o que aconteceu? Quando se tinha só uma alíquota para o estado de origem e estava sediado só na origem própria se recolhia só para o estado. Agora as empresas vão ter que se cadastrar em todos os outros estados. E elas podem se cadastrar nesses estados. Mesmo se cadastrando nesses estados elas tem de recolher para cada remessa esse tributo do estado de destino. Depois que se cadastrar nesses estados daí sim ela vai poder pedir regime especial, enfim, para recolher uma só vez, até o dia 15 do mês subsequente ela vai poder fazer o recolhimento de todas as operações destinadas aquele local. Mas essa inscrição em cada estado, enfim, cada estado tem autonomia porque isso é um tributo estadual. Então a legislação não é unificada. Cada estado pode eleger as regras que quiser, a documentação diferenciada que imaginar pra fazer essa inscrição estadual. Por que o Congresso fez essa mudança? Porque os estados de destino da mercadoria, por não o consumidor, eles começaram a alegar que as empresas de e-commerce maiores elas ficavam na região sul, sudeste. São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas. Então, o que acontece? Essas empresas vendiam para a Bahia, Mato Grosso. Ficava… O consumidor final ele começou, a partir de 2010, a comprar muito no e-commerce. Então ele começou a comprar por e-commerce e não ir mais na loja física daquele estado. Na loja física ali que tem na Bahia, Mato Grosso, se ele fosse lá comprar o bem ia ter o recolhimento do ICMS, uma parte do ICMS, do estado de destino. Por causa de referencial de alíquota em toda essa estória. Só que quando ele compra lá de sua casa em outro estado, de São Paulo, a alíquota antigamente, ela ia ficar integralmente para o estado de origem. Então, Mato Grosso não ia ganhar ICMS e ia perder emprego. Então vamos lá. O pleito, foi um pleito que tem um objetivo político, assim, teoricamente justo, de algumas pessoas. Só que daí o que aconteceu? Os estados de destino começaram a retaliar, como eu te disse. Alguns estados fizeram alíquota na fronteira, paravam os caminhões e cobravam 10% a mais,né. O consumidor ficava no meio dessa queda de braço também dizendo não me interessa ter que pagar 18 para a origem ou 6 para a origem e 12 para o destino… Me interessa só ver o cara pagar um valor certo. Seja 18 para um e para outro, ou dividido. Mas tem que ser só um. O que não pode ser é 18 para um mais 10 para o outro. Né? Foi feito em 2011 um protocolo confaz do ICMS número 21. Que daí os estados, esses de destino, região norte, nordeste, centro-oeste, se juntaram e instituíram essa cobrança desse adicional de 10%. Daí ficou mais séria a situação, o STF foi acionado e acabou julgando isso inconstitucional. Daí os estados eles resolveram fazer o seguinte. Bom vamos resolver. Já que era inconstitucional, vamos mudar a constituição. Daí no Congresso resolveu-se mudar uma emenda constitucional que entrou em vigor agora, trazendo essas mudanças. E daí o que ela fez? Basicamente ela dividiu a alíquota que era… vamos supor, 17 integral para a origem e agora vai ficar 12 para um e 5 para o outro, Né? 12 para a origem e 5 para o de destino. Só que essa divisão de alíquotas ela vai ser gradual. Então, gradual porque vai ficar os 12 para a origem e aquela subtração que eu falei antes entre a alíquota do destino e a interestadual ela vai ficar, nesse ano de 2016 vai ficar 40% dela para o estado de destino e 60% para o de origem. Em 2017 vai ficar o contrário, 60 e 40%. Depois 80, 20. Até, em 2019, ficar essa parte da alíquota integral para o destino. Pois é. Essa legislação tinha um objetivo nobre, vamos dizer assim, que era dividir a aquela arrecadação do ICMS nessas operações de e-commerce entre o estado de destino e o de origem. E era um pleito, até por autonomia mais dos estados. Os estados eles precisam de caixa e o ICMS é o tributo no Brasil hoje que mais arrecada. Então era uma briga mesmo pra saber para onde ia ficar a arrecadação do ICMS. O que aconteceu agora é que a burocracia tamanha que isso foi gerado, porque antes era uma guia só que se recolhia muito simples da alíquota de origem. Agora é o cadastramento em 27 estados, é cada estado que vai ter que recolher uma alíquota diferenciada, vai ter que analisar, vai ter que ver uma porcentagem ali pelos próximos anos. Isso acabou, eles acabaram resolvendo teoricamente aquele problema, de o estado de destino não ter uma arrecadação nessa operação. Mas o que está gerando agora é que muitas empresas, pequenas, micro e até médias empresas, simplesmente não estão mais operando. Decidiram, estão decidindo parar de operar. Tornou inviável o negócio. O Brasil, com o perdão da palavra, está indo na contramão do mundo. Então o e-commerce que veio pra facilitar a vida das pessoas, poder comprar na internet, facilitar todas as operações e com isso diminuir custo, para uma empresa pequena, média, ela tem que gastar muito mais com profissionais para cuidar disso, com estudos dessa legislação. Além do que, exatos é impossível, então assim, uma empresinha pequena que vende roupas e acessórios de roupas, que daí acabam tendo diversas alíquotas nos próprios produtos dessa empresa, ela vai ter que contratar pessoal ou vai ter que ter um sistema muito avançado e custoso para encarar essa situação. Então, o objetivo por um lado foi atingido, do Congresso, só que ele resolveu de uma maneira completamente equivocada ao meu ver porque ele vai acabar diminuindo as operações mesmo. Até uma questão, os grandes players assim, o que está acontecendo é que eles estão tendo diversas, diversas dúvidas e dificuldade. E está aumentando o custo e esse custo a gente sabe que vai ser sempre embutido na mercadoria. O consumidor que vai sofrer no final das contas. Sempre, né?

Ju: Mi! Quais são as considerações que a gente pode fazer em relação a esse assunto?

Michele: Acho que a gente pode começar com, primeiro uma ponderação. O ICMS já não é o imposto mais fácil. Inclusive ele é o mais complexo. Então, não é que ficou… a gente estava numa situação bacana e ficou ruim. Não! Já era terrível.

Cris: Tava ruim, ficou pior.

Michele: Ficou muito pior. Segundo. A dificuldade desse imposto justamente é a apuração. Eu não tenho dúvida de que quando eu vendo uma mercadoria eu tenho que pagar ICMS. Só que eu não sei como apurar. Isso foi a grande questão dessa mudança. Ela piorou e muito para o empresário como que ele vai apurar. Então agora, como o Maurício já ressaltou, eu preciso ter inscrições em vários estados, eu tenho que ter um profissional que saiba isso, que me informe, e que eu tenho que apresentar documentações, certidões negativas e uma infindável lista de documentos para conseguir cumprir a lei. Não é que eu estou recebendo um benefício, eu estou sendo mais eficiente. Não! Eu estou acrescentando custos. Ou seja, esse profissional. E quem vai pagar é o consumidor final. Porque a empresa não vai dar de graça esse custo dela de apurar esse imposto, ela vai ter que embutir em algum lugar e vai ser no produto que a gente vai comprar. Então, a gente está fazendo uma justiça social entre os estados, porque tudo isso surgiu porque os estados estava reclamando. Então teoricamente eu estou ajustando uma diferença do estado. Por exemplo, falando de outra forma, eu tenho um problema no Brasil que é São Paulo. São Paulo é um problema para o Brasil. Porque ele produz, porque ele faz, porque ele acontece e aí todo mundo fica só olhando. Todo mundo quer também. Então vamos ajustar isso para todo mundo ganhar, porque todo mundo tem consumidor.

Cris: Não, peraí! Outros estados também produzem…

Michele: Não… Claro! Eu estou falando isso em uma metáfora bem exagerada. Por quê? Onde é que eu quero chegar? Eu não precisaria, necessariamente, através do ICMS, através dessas políticas intervencionistas causar esse efeito se eu pudesse ter estados oferecendo condições melhores de produzir, por exemplo. Por que em Manaus tem a isenção de tributos? Por que que lá é bom produzir e a pessoa vai, viaja milhões de quilômetros, exagerando de novo, pra produzir lá? Porque tem isenção de tributação. Por que que eu não poderia ter entre os estados concorrência?

Ju: Mas tem, Mi. Isso é que torna a legislação de ICMS tão difícil. Justamente porque tem concorrência entre os estados cada estado põe uma alíquota diferente. Então se você tem uma operação nacional, você uma loucura que é você ter que acompanhar a legislação de 27 estados para poder apurar tributo.

Michele: Isso já está limitado porque se eles não fazem o convênio não permite mais que tu faça uma concorrência justamente pra isso. Então eu tenho que inventar uma regra em cima dessa impossibilidade de eu atrair empresas. Então ao invés de eu uma empresa para ela produzir no meu estado e eu ganhar essa tributação, não! Eu tenho que inventar uma regra que reparte o valor de quem produziu com o valor de quem vai receber essa mercadoria.

Ju: Quem vai comprar, né?

Michele: Então eu crio uma… Tem uma distorção e aí eu crio uma outra distorção em cima. Porque ela nunca vai acabar. E agora, como é que a gente faz? Ah! Então eu vou dispensar da inscrição estadual. Ou pior! Eu vou fazer que a União regulamente o ICMS. Então os estados que teoricamente são super…

Ju: Tinham autonomia…

Michele: Uma autonomia que não existe…

Ju: Uma pequeníssima autonomia.

Michele: Exatamente! Então eles vão ter que ficar lá barganhando com a União para alcançar um dinheiro que é meu, que saiu do meu estado. Então acho que uma das minhas principais críticas é essa. A intervenção do estado nesse ponto, inclusive para dizer o que que é importante pra mim, se é o arroz, se é o feijão, se é o perfume ou se é a cachaça, vai criando… Não, eu sei que a intenção é legal, eu sei que cachaça não é importante então tem uma tributação maior que o arroz, mas gente não acaba nunca! Então às vezes facilitar, simplificar, eu vou perder um “y”, um “x” aqui, mas eu vou ganhar. Porque vai ser tão fácil pagar imposto que eu vou fazer isso mais fácil. Vai ser mais barato.

Gica: Eu vou até pagar feliz!

[risos]

Cris: Mas isso é uma discussão mundial. Né? Não é tão fácil assim, “vamos lá”. Não é uma discussão simples.

Michele: Vários países já usam outra sistemática que não é tão complicada. Porque… Por exemplo: Nos Estados Unidos, na Europa eles têm o IVA. Eu não vou saber te explicar exatamente como ocorre o IVA. O produto final dele é, só incide o imposto sobre o valor agregado no final. Inclusive, por só incidir no final eu não tenho uma amplitude de tributação como eu tenho no Brasil. Porque no Brasil é separado por fato gerador. Ou seja, se eu presto o serviço, eu pago um imposto sobre o serviço que é o ICSS. Se eu vendo uma mercadoria, eu pago o ICMS. Se eu fabrico produto industrializado eu pago o IPI.

Ju: Não é só produzir. Qualquer coisa que você modificar na característica, embalar… Já paga o IPI.

Michele: Embalagem gente! Eu tô sendo bem…

Ju: Sucinta.

Michele: O que acontece se no meu produto eu tenho todas essas cadeias? Incide todos eles e um…

Ju: [ Entra na base de cálculo do outro. =

Michele: = Entra na base de cálculo do outro. Ou seja, eu tenho uma salada de fruta e eu não consigo, primeiro, ser transparente. Porque eu não consigo dizer nesse meu produto quanto que incidiu de ICMS e quanto incidiu de COFINS, por exemplo. Que é a contribuição sobre o faturamento. Que está lá dentro da empresa e eu não consigo nem abrir quando chega o produto. Então tu tem várias decorrências desse problema que não é simplesmente uma guerra…

Gica: Não sei,eu, eu… Eu fiquei triste, agora.

[risos]

Ju: Mas é triste, Gica. Pensa o seguinte…

(Bloco 4) 31’ – 40’59”

Gica: Eu fiquei triste enquanto pessoa que paga tudo isso e fiquei triste pelos profissionais que precisam lidar [ com essa realidade brasileira no dia a dia! =

Michele: …= exatamente! [ risos ]

Ju: Olha, eu já lidei com [ essa realidade =

Gica: = Nossa!

Ju: [ eu trabalhava com apuração de tributos, especificamente de ICMS, de PIS e COFINS ééé..e IPI.. =

Cris: = Nossa que legal..

Ju: Mas é justamente, eu não trabalhava com venda a consumidor final, então não é essa legislação. Mas, o que eu posso tirar dessa minha experiência para falar para vocês é que assim, eu trabalhava na Gerdau, que é uma multinacional, tem filiais em quase todos os estados brasileiros. A gente tinha uma equipe grande de 40, 50 pessoas só para apurar tributo, que trabalhava non stop para isso, porque você fazia células para acompanhar cada estado, a legislação de cada estado, então se mudava a legislação de um estado você tinha que avisar todo mundo e falar: “olha gente, agora não calcula mais assim, agora não calcula mais assado”, e assim, sistemas caríssimos para apuração de tributo e aí no final disso tudo, e assim, fazendo tudo certo, com um monte de gente paga, com um monte de sistemas e não sei o quê, a gente ainda era, de vez em quando, raramente, mas ainda era, autuado porque a lei é tão impossível. [ Que é possível =

Michele: = Nem a própria Fazenda consegue ser clara o suficiente de dizer: “olha, faz x,y,z; pega o código x e me paga!” Não, nem eles conseguem!

Ju: …que às vezes você erra por…hã… “eu só tava querendo fazer certo, seu moço”, sabe, assim e você tá errado. E às vezes você vai mostrar para ele que você tá certo e ele vai mostrar para você que você tá errado e cê vai pagar uma puta multa.. Então assim, andar na linha no Brasil, você não ééé…recompensado por andar na linha, não tem incentivos para você andar na linha [ entendeu =

Gica: = Ah, mas precisa?

Ju: [ as coisas não são fáceis, entendeu..=

Gica: Precisa de incentivo para andar na linha? Só o fato de você tá com coração levinho já não é suficiente? Tipo, “tô fazendo a coisa certa!”?

Ju: [ Não, incentivo que eu tô falando…=
Gica: = Mas e se, se andar com o coração levinho, mas com um problemão de.. [ Não adianta!=

Ju: = exato! É disso que eu tô falando, entendeu? O que eu tô falando é assim, é de dificultar a vida de quem tá querendo.. [ Cara eu só quero fazer o que tem que fazer, entendeu? =

Gica: = Entendi…Entendi…

Ju: [ E assim, e de tornar as empresas menos eficientes..=

Gica: = Não. Entendi… Porque você fazer uma maracutaia muito louca lá éééé.. [ Quase sempre o jeito mais simples, o jeito mais fácil… =

Michele: =Tipo, assim, teeem…=

Cris: = Não, na verdade é tão trabalhoso e eu fico imaginando que um efeito colateral disso é o aumento do honorário do contador, porque aumenta o trabalho dele, o volume de trabalho. A reforma tributária já vem sendo, pontualmente. a gente vê falando sobre a necessidade dela, eu espero que com esse novo problema ela fique um pouco mais latente agora e que exista uma pressão desses empresários, que são micro e médios empresários, que são quem movimenta a economia do país, para fazer realmente essa pressão em cima do governo, para que de fato aconteça uma reforma, onde não só os próprios empresários entendam o que eles tão pagando, mas a gente também! Porque a gente tem um impostômetro que fica ali, de uma maneira lúdica, contando aquele valor absurdo que a gente paga e na verdade a gente não entende muito bem para onde que isso vai. Olha a quantidade de volta que a gente tem que dá; cada estado com sua legislação; imagina a Juliana falando em uma equipe enorme de verificação de tributo, isso é inviável. E tem um outro efeito colateral que eu tava imaginando, que eu acredito que possa acontecer, um atraso na entrega de produtos de e-commerce.

Ju: Coisas que a gente não entende que impacta na nossa vida: além do valor do imposto que aumenta, é porque toda essa brincadeira aumentou porque o cara antes pagava o simples e agora ele tá pagando ICMS por fora além do simples, então aumentou. Você tem uma empresa fechando por minuto, [ é a estimativa da Associação de Comércio ou seja =

Michele: = Eu vi isso..=

Gica: = Isso é muito triste..=

Ju: = Se a gente sabe hoje, que é o micro e pequeno empresário que mais empregam no Brasil. A gente tá num ano de crise, a gente tá com um desemprego alarmante, todo mundo vê ao redor de si o desemprego e aí você, nesse ano, lança uma medida que fecha um monte de empresa!!….=

Gica: = O Sebrae acabou de fazer campanha “Compre do pequeno” lá, gente… Igual lá o “Small Business Saturday” até…=

Ju: [ E aí a gente tem essa lei que super ajuda…=

Gica: = Que, que chato… Nada a ver…=

Ju: = Tá! Agora eu vou falar uma outra coisa que impacta que a gente não se dá conta..=

Gica: = Hãn? [ murmúrio de interrogação ]

Ju: Por que, que no Brasil é tão difícil você fazer uma devolução? Por que que cê não consegue fazer devolução? Cê compra numa loja e devolve em qualquer loja daquela rede? Por quê?

Gica: = Ah! Mas minha amiga…=

Ju: = Porque a fucking legislação de tributária é um PE-sadelo!..=

Gica: = Ah é por isso? =

Ju: [ Devolução é um HOR-ROR… =

Gica: [ É mesmo? =

Ju: = Fazer o cálculo tributário..=

Gica: = não é má vontade da loja? =

Ju: = É o seguinte bonitona, você tem que considerar a devolução como o fato gerador, né.. Então assim, por exemplo: hoje tá todo mundo calculando o ICMS assim com essa regra nova =

Gica: = Tá..=

Ju: = Agora se você devolver alguma coisa hoje que foi comprada antes… o cara tem que fazer um cálculo.. que eu não tenho nem como te dizer o que que é!!! A gente ficou 20 minutos só para entender o cálculo de devolução! E assim, nunca foi simples devolução!! Devolução normalmente já não é simples, quando tem essas mudanças, é um pesadelo… Então assim, a gente tá preso num sistema em que você… num tem nada a ver com o objetivo do negócio, né? O objetivo do negócio é bem simples e você pagar para o governo deveria ser bem simples também. Então assim, eu quero transacionar com a Michele, eu tenho os meus problemas de fazer o produto, de entregar o produto, de ter a mão de obra, essas são as minhas preocupações. Pro governo tem que ser uma coisa tipo assim, uma vez por mês eu pago uma guia que é simples, que é fácil, que é rápida e deu!! Não tenho que ter todas essas coisas, não tem que ser esse ônus que tipo, 50% da minha hora produtiva, eu tô dedicando pro governo em vez de estar dedicando para o meu consumidor..

Gica: Isso é fato… [ Isso é fato..=

Michele: = Exatamente! No Brasil a gente gasta muito mais tempo resolvendo essa burocracia do que pensando: “ai como que eu vou desenvolver melhor o produto; o que que meu consumidor gostaria de comprar..”, não! Pra quê? Pra quê? Isso não vai me adiantar nada.

Ju: O pequeno e o microempresário, ele tem uma dor de cabeça tão grande pra preencher os requisitos legais que isso interfere na [ competitividade dele =

Gica: = Gente! Eu fiquei chateada de novo!

Cris: Então a gente inicia, é um pontapé nessa discussão do ICMS e é um tema que fatalmente a gente vai voltar, vamos ver como que isso vai evoluir, amadurecer, porque eu acredito que, essa discussão aí, e eu espero inclusive, que os empresários não deixem morrer e simplesmente aceitem isso..

Gica:: Isso se eles não morrerem antes, né…=

[ risos ]

Ju: [ No caso…=
Cris: = Vamo então pro Trending Topics nº 2!!

[Trilha]

Cris: Que a premiação do sindicato dos atores dos EUA foi legal demais da cooonta! No último dia 30 de janeiro aconteceu a premiação do sindicato dos atores dos EUA, o SAG Awards. E o grande vencedor foi, foi, foi… a diversidade! Foi muito legal isso, foi um tapa na cara do Oscar!! Porque é o seguinte, esse sindicato como o nome mesmo já diz, é uma votação feita entre a própria categoria, entre os próprios atores, diretores, todo o pessoal que trabalha na execução de filmes e minisséries, são eles que votam. Eu fico imaginando que, por mais que o Oscar tenha todo o glamour que ele realmente tem, cara, ganhar um prêmio do coleguinha deve ser muito legal, né?

Ju: Reconhecimento dos pares.

Cris: Não é? A pessoa falou assim: “Amigo, realmente cê foi foda!”, e o cara inclusive podia tá concorrendo com você, né, o cara que votou. E o que que a gente quer? Fazer um resumão aqui. Melhor atriz da série de comédia foi a Uzo Aduba que é a “Crazy Eyes” de “Orange is the New Black”; o melhor ator de série de comédia foi o Jeffrey Tambor de “Transparent” que, tipo…

Ju: [interrompe] Não tinha como ser outra pessoa…=

Cris: = eu amo muito esse negócio! Eu amo essa série! Amo esse moço! Eu queria ser da família dele! É sensacional!

Gica: [ rindo ] “Eu queria ser da família” entrou para o novo adjetivo: “te admiro”…

Cris:: = É..=

Gica:: = “cara, queria ser da sua família!” =

Cris:: = é.. eu e a Alessandra Negrini..=

Michele:: “Me adiciona, me adiciona!” =

Ju:: = Me “adêdê”=

[ risos ]

Cris: É.. a..Melhor elenco de série de comédia foi “Orange is the New Black”, não tem como premiar mais diversidade do que isso né, que ali tem de tudo…

Ju: É, foi muito legal que assim, no discurso de… de aceitação do prêmio, né?..…=

Michele: = de posse…. de.. de..=

Ju: = aceita o prêmio… Elas falaram “olha..”, estavam todas no palco e elas falaram: “Ó, é disso que a gente tá falando quando se fala de diversidade”, porque assim: gorda, magra, velha, nova, preta, branca, latina, tem de tudo e todo mundo é interessante……=

Cris: = Bah! É, não…Tem tudo!.. =

Ju: = E assim, não é que tem tudo. Tem tudo com profundidade, com camadas, com.., sabe, as pessoas não são..=

Cris: =… com verdade né…=

Ju: = ela não é a gordinha ali do canto, sabe, a magrela nã,nã,nã…, a branquela que…=

Cris:: = a transsexual carimbada..=

Ju: Não, é tipo… todo mundo tem muitas facetas, certo e errado, né, objetivos, enfim… desenvolve.

Cris: Vamo falar o que interessa? Melhor ator coadjuvante Idris Elba?

[ Risos ]

Ju: = Chupa Oscar!..=

Cris: Iiidriis…=

Gica: = Não, ganhou dois! =

Cris: = Dois! Ele ganhou por “Beast of No Nation” e também ganhou por “Luther” que é a série que a Juliette ama!

[ risos ]
Ju: Não amo tanto… quem ama mais é o Felipe Fiuza, eu assisti porque ele… =

Cris: Ele fala sempre =

Ju: = falou muito e eu… mas eu gostei bastante. Mas o que eu achei interessante…=

Cris: = É que tem o Idris..=

Ju: = É que ele ganhou. Por exemplo, no ator coadjuvante, ele tava concorrendo com o Christian Bale que provavelmente vai ganhar o Oscar. Então assim, ele ganhou do Christian Bale, fica a dica Oscar, ele deveria tá pelo menos concorrendo, se ele ganhou…

Cris: [interrompe] É…não.. e o filme, o filme… É fantástico, ele tá muito bem nesse filme…

Gica: Esse é o filme do Netflix?

Ju: É =

Cris: É o filme do Netflix, ele…=

Gica: Eu não tive coragem…=

Cris: = É, é tenso….=

Ju: = É, mas é difícil mesmo =

Michele: Também tô reunindo coragem..=

Ju: = Eu briguei com o Merigo quando a gente viu esse filme… [ risos ]

Cris: É… é um filme muito difícil, mas ele tá perfeito. Ele faz o papel de uma pessoa da oposição do governo..=

Ju: = da guerrilha..=

Cris: = da resistência, né, da guerrilha, e ele precisa formar um exército né,…=

Gica: Sim..=

Cris: = Porque, que guerrilha é essa que não tem… resistência. E é claro que aí não tem credo, não cor, não tem idade, não tem nada, o que for de pessoa para lutar para ser soldado ele forma. Então aquela personagem tridimensional que ao mesmo tempo que ele tá lutando por uma resistência, ele faz coisas extremamente erradas. Ele é duro, cruel, bondoso, acolhedor eee mal.. Então assim, sabe vida real, onde as pessoas não são uma coisa só…=

Gica: = Nossa, não sei… mas euu, ui! Ui delícia, bondoso, mal, bandido..=

[ risos ]
Cris: O fato dele ser lindo, eu já…eu não vou falar mais que já tá dando problema em casa…=

Gica: = Ficou mal, pegou mal aqui..=

Cris: Mas assim… é Idris, né gente! E a gente tem ainda a melhor atriz de série dramática Viola Davis novamente. Gente! Sério! Ela vai muito bonita nos prêmios, Brasil.

Ju: Vai, ela arregaça..
(Bloco 5) 41’20 – 50’59”
Cris: Cada vestido, cada maquiagem e eu achei ela muito bem humorada e pegou a estatueta lá teve uma hora das fotos ela virou pro jornalista foto da bunda da estatueta, super bem humorada…

[ Risos ]

Ju: Objetificou a estatueta

Cris: Não e eu vou te falar, ela sabe receber um prêmio né? Pessoa tem postura, pessoa sobe lá e fala o que tem que ser dito com entonação certa, com carisma correto, a pessoa tá preparada pro negócio

Ju: Não, eu achei demais que ela derrotou toda… A porra toda!

Gica: Ela derrotou Os Vingadores das atrizes né? Tipo isso…

Ju: Derrotou a Claire Danes por Homeland que Ok que Homeland pode até ter ficado pior mas Claire Danes né gente… Assim o trabalho dela em Homeland….

Michele: Fenomenal… Fenomenal, foi muito bom, ela é muito boa

Ju: Cara ela parece louca de verdade

Cris: Inclusive eu acho que [ rindo ] ela é!

Michele: Inclusive já … A Julieta a Julieta né…

Ju: Eu não deixaria meu filho com ela…

[ risos ]

Ju: Agora a Julianna Margulies que ela por mim pode sempre ganhar por [ Goodwife que não vai fazer mal, eu gosto…=

Cris: = Não tem umas coisas que eu acho que tem que tirar, já deu, vai ganhar.

Ju: Gente a Maggie Smith de Downton Abbey [ que assim concorrer com ela é sacanagem né? =

Michele: = hãããã [ suspiro de impressionante ] Essa mulher é um monstro! Ela é um monstro!

Ju: Cara eu não consigo assistir quieta, toda vez que ela tá em cena eu fico “olha isso”

Michele: Eu queria ser ela, entendeu, só isso. Imagina tu querer ser uma velha de 80 anos… Eu quero!

Ju: Ela é demais, ela é demais eu queria ser ela

Michele: [ E ter aquelas falas incríveis =

Cris: = Eu acho,que ela tem postura

Michele: = Tudo bem que ela não é o roteirista né

Cris: Não mas eu acho que ela tem postura, porque a mesma postura que ela tem em Downton Abbey ela tem em Harry Potter… Eu tô falando certo né? É a professora do Harry Potter?

Ju: É.

Michele: Não, é verdade.

Michele: Inclusive tem filme ruim que ela fez [ que ela salvou o filme =… Tudo bem, a fala dela tá bem, vamo lá

Ju: = Que ela tá bem.

[ risos ]
Michele: Exatamente, então assim, tudo bem, a fala dela tá perfeita, vamo lá.

Ju: E a Robin Wright de House of Cards que sinceramente na última temporada…

Gica: [interrompe] é a Claire?

Ju: Há que se reconhecer… É a Claire.

Gica: Não gente, [ desde a primeira ela é =

Michele: = A M O esta mulher! Odeio ela também [ risos ]

Ju: Então Viola Davis derrotou todas essas.

Gica: Eu nunca assisti How to get away with murder…

Michele: Eu achei bem fraquinho…

Ju: Novelão mexicanão

Cris: É bem mexicanão mas é super divertido

Michele: É é é divertido

Ju: Muito divertido
Cris: Bom a gente queira destacar esse prêmios bem legais

Ju: [interrompe] Não peraí tem uma que não falou…

Cris: Ai é né?

Ju: Da Queen Latifah que ganhou melhor atriz em minissérie derrotando quem? Susan Sarandon!

Michele: Opa! Fácil…

Gica: [ ri enquanto fala ] Quem está por cima agora querida? Parece que o jogo se inverteu não é mesmo?

Cris: E ela é muito diva né?

Michele: Eu acho ela divertida mas não sei se ela…

Cris : Ela é uma ótima atriz, eu não assisti o filme pelo qual ela ganhou não.

Ju: Ela é muito boa

Cris: Mas ela é uma ótima atriz…

Ju: Sabe o que que acho? Eu acho assim é uma metáfora futebolística, mas vale aqui, que é assim toda vez que o time adversário ganha cê fica falando assim “ também a liga tava fácil né… Tipo esse ano jogaram contra quem? Então nesse caso a gente tá falando “Cara, derrotaram todo mundo que havia para derrotar sabe, não há desculpa pra vergonha do Oscar”

Michele: É… É só tinha filme ruim… Não!

Cris: Eu queria destacar aqui porque é interessante notar essa premiação teve uma entrevista muito recente do Milton Gonçalves, que é um ator negro brasileiro, falando que se não existiam negros indicados ao Oscar é porque simplesmente não fizeram bons trabalhos…

Ju: Lóóógico.

Cris: E aí acho que vem uma premiação da própria categoria mostrar que não é bem isso não, que sim faltam papéis bons pras pessoas negras, latinas, asiáticos faltam mesmo porque a gente tem um padrão é esse padrão acaba dominando. Mas quando existe a oportunidade de papéis bem desenvolvidos existem muitos atores talentosos, de verdade, não é só lá fora aqui no Brasil também, tive oportunidade de assistir Mr. Brown recentemente e o Lázaro Ramos e a Taís Araújo ‘mata’ a pau no negócio, eles tão muito bem então assim quando a gente vê esse tipo de baixa representatividade da diversidade no prêmio mais glamouroso do cinema, nem vou falar maior mas é o mais conhecido, mais glamouroso a gente tem que levar em consideração que 80% do votantes tem mais de 60 anos e são homens brancos então até uma própria pressão pra melhorar essa representatividade eles começaram a trazer mais mulheres a partir desse ano, vão iniciar um movimento de trazer mais mulheres votantes e precisa realmente de pessoas mais jovens. É diversificar quem vota, não é excluir, mas diversificar mais isso pra essas pessoas que tão fazendo papéis incríveis inclusive Juliana tá revoltadíssima porque esnobaram o Creed né…

Ju: Não… Michael B. Jordan não foi indicado e o Stalone eu sei que ele não merece, merece mas assim porra, olha a carreira do cara dá aí um… [ prêmio aí pra ele. Indica! Só precisa indicar…=

Gica: = Não, na na na

Ju: Creed esnobadaço na premiação…

Gica: Mas já fez lá no outro…

Ju: E a menina foi bem também do Creed ela é a namorada do boxeador lá tipo foi bem elogiada e esnobadaço, esnobadaço…

Cris: E a gente precisa, tem um… Eu assisti ontem um trailer de um filme do Miles Daves que vai ser lançado que eu já tô assim, nas tamanca pra assistir porque é com um dos meus atores preferidos…

Michele: É sobre a vida dele?

Cris: É.

Michele: Ai que demais!

Cris: Eu vou, até vou colocar o link na pauta porque parece incrível, mas pra começar a ter uma safra aí de mais diversidade em prêmio.

Ju: Muito bem!

Cris: Fica aí o recado do Fábio.

[sobre trilha]
[desce trilha]

Ju: E aí gente? Qual é o próximo Trending Topics?

[ Ju cantarola marchinha de carnaval – todas riem]

Cris: Alalaô o o o o… É carnaval!

TODAS: Aêêêê!

Ju: Bundalelê!

Cris: O Brasil para ou pra reclamar ou pra dançar, escolhe aí o seu lado. Como diz a Flavia Penido não custa dar um Google no carnaval em: carnaval; antropologia; conceito; origem antes de sair por aí escrevendo bobagens. Carnaval não tem só no Brasil, suas origens são…

Gica: HAN! [ suspiro de surpresa ] Gente isso eu sei! Isso eu posso falar. Oi ouvinte não precisa dar Google não, tia Gica fala pra vocês!

TODAS: Aêêêê! [ risos ]

Gica: A única coisa que eu sei desse programa. Li no livro do seu Alain de Botton essa pessoa muito maravilhosa né, que esse livro eu ganhei do meu cunhado que é outra pessoa muito maravilhosa um livro que chama Religião para Ateus…

Ju: [interrompe] Muito bom esse livro, já falei várias vezes dele aqui.

Gica: Então aí ele fala, uma das primeiras coisas que ele fala no livro e eu digo isso pra vocês porque eu não terminei de ler esse livro, então foi importante que ele botou ali mais pelo começo, que o carnaval na verdade a igreja falou assim : malandro, alô tia Gica explicando né, a igreja falou assim pros humanos normais os que não eram da igreja ‘Gente o negócio é o seguinte o ano tem 365 dias, não lembro se já tinha nessa época aí que a igreja falou isso, mas né a gente tem que se comportar que nem papai do céu falou, tem que fazer tudo isso, o código é rígido aqui, tá entendendo, não pode trair…

Ju: [interrompe] É quartel-general. Não pode mesmo. Sabe seus instintos? Esquece, agora tem que ser assim.

Gica: É tudo papai do céu e vamos nessa e tal não sei o que… Daí eles falaram assim ‘Só que tem uma treta porque chega [ uma hora =

Ju: = Que explode!

Gica: [ que a pessoas espana, ela estraga né porque ela não consegue, é muita pressão no ser humano…’

Ju e Gica: nucuxigo!

Gica: E aí eles criaram o carnaval, que é a festa da carne então era assim ó tem o ano todo, ou esse período tempo X que seja aí muito longo e parece que não acaba nunca, pra você se comportar feito uma pessoa que não erra nunca.

Ju: Cartilha

Gica: Nunca! Mas tem 3 dias malandro…

Ju: Que tá liberado, até o Papa deixa , se joga…

[ risos ]

Gica: Amigo cê não tá entendo a piração que é essa parada, então assim é da carne, é pra zoar louco o que cê não vai fazer o resto do ano, então assim…

Ju: Esse é o conceito, daí surgiu.

Cris: É que na verdade…

Michele: Não foi o Brasil que inventou então?

Gica: Não!

Michele: Ah!

Ju: E não é o único lugar do mundo que tem

Cris: Além de não ter sido o Brasil, existe sim essa necessidade de grande parte das pessoas de viver um êxtase coletivo…

Ju: É o que a Gica tá falando

Gica: Porra galera para com isso…

Cris: Isso faz parte da vida em sociedade, principalmente em períodos difíceis então acho que realmente…

(Bloco 6) 51’ – 1:00’59”

Cris: Não é obrigado a gostar do carnaval, pode até detestar. Até a Constituição tá lá falando “pode amar, pode não amar”, só não pode sair falando besteira que brasileiro esquece da vida e carnaval é essa loucura toda aí, porque na verdade ninguém é mais intelectual porque fala que não gosta de carnaval, tá?!

Gica: Não, nada ver, eu já fui dessas.

Cris: Cê não vai ganhar carteirinha, tipo “Cê não gosta de carnaval? Toma aqui sua carteirinha de intelectual”.

[ Risos ]

Cris: Não é bem assim…

Ju:: Inclusive, assim cê nem precisa gostar de samba, [ olha só que beleza a diversidade =

Michele: = É verdade.

Ju: Tem bloquinho que só canta rock, por exemplo.

Cris: Eu fui num sábado. No bloco Sete Sete…

Ju: [ Que que tem no bloco Sete Sete? =

Gica: = Tem isso aqui em São Paulo?

Cris: Então, eu fui no bloco Sete Sete que é um bloco de punk. E é muito legal que eles cantam assim: “Olha o coturno do Zezé, será que ele é, será que ele é: PUNK”.

[ Risos ]

Cris: É muito bom…

Michele: Que legal!

Ju: Então assim, tem pra tudo. E assim, também não precisa gostar de gente, de aglomeração, de barulho. Você pode fazer um retiro espiritual, ir para embaixo da cachoeira e usar o carnaval, porque dentro do mesmo conceito que a Gica falou, o ano inteiro você tá correndo, stress nãnãnã. No carnaval esses quatro dias você fica em silêncio, voto de silêncio, só em meditação, pode também. Não tem problema.

Michele: É o seu carnaval.

Gica: [ Pode se jogar no Netflix e sair só lá pra quarta-feira.=

Cris: = O que eu mais gosto no carnaval é isso, que assim é uma época que você é obrigado a se divertir, você pode se divertir assistindo Netflix, indo pra cachoeira fazendo um momento de retiro espiritual ficando calado três dias, ou pode ir pro bloquinho, pode ir pro desfile…

Ju: Ou pode fazer que nem eu, que vou rever vários amigos, vou receber gente em casa, então assim, você pode fazer de verdade o que você quiser, mas tenha em vista que isso faz parte de uma higiene mental, de uma higiene…

Cris: Coletiva.

Ju: E até espiritual, que você precisa…

Gica: Da condição humana! Você tá entendendo?

Ju: Extravasar no carnaval, extravase da maneira que você precisar, da maneira que você quiser, da maneira que você entender melhor, mas extravase, e pare de julgar o coleguinha que tem outra forma de extravasar que não a sua. Mas e o que não pode no carnaval, Cristiene?

Cris: Então, na verdade, um monte de gente falou um monte de coisas nas nossas redes sociais e eu coloquei alguns pontos pra gente falar rapidamente. “O quanto a festa gera de receita pro município e a quantidade de empregos que ela gera” Falou o Paulo Henrique Pereira, e na verdade rola isso mesmo, o pessoal fica achando que a economia para, mas não para não, só o Rio de Janeiro ano passado recebeu 977 mil turistas e o carnaval no Rio arrecadou 2,2 bilhões de reais. O carnaval no Brasil movimenta mais de vinte setores da economia, então todo esse pequeno comércio, todo comércio de comida, hotelaria, turismo, acontece muito forte durante o carnaval.

Gica: Eventos dá dinheiro, mas aí vamos lá, para pra alguns setores, tem setor que tem prejuízo porque para, porque tem o feriado porque é ruim, mas amiguinho, enquanto uns choram outros vendem lenços , deixa o outro amiguinho ganhar dinheiro também.

Cris: É claro também que tem o momento de gastos, porque é mais gastos com segurança, tem banheiro químico na rua, tem mais gastos com saúde porque aumenta o atendimento hospitalar …

Gica: Tem uma questão triste que no carnaval tem muito acidente de trânsito e os bancos de sangue se esvaziam, então se você é doador de sangue doe sangue na época do carnaval.

Ju: Vou fazer isso, nesse carnaval!

Gica: Faça isso.

Cris: Então tem um equilíbrio, mais gastos sim. Mas tem bastante receita e outra coisa é que esse ano mais de vinte prefeituras cancelaram o carnaval, cancelaram para investir em outros setores, na verdade, eu acho isso triste porque você tem que tirar um pouco da festa do povo, que é uma festa muito popular, todo mundo tem acesso porque tem um show na rua e qualquer um pode assistir, é cultura. Mas tem outras prioridades, que é a saúde, educação…

Ju: [ Ué, você fez isso na sua casa =

Michele: = Mas não precisa ser o Estado a oferecer

Ju: [ Exato.

Cris: O que eu tô querendo dizer é que…

Ju: Você fez isso na sua casa, pra fazer a sua casa você cortou justamente os gastos de diversão, porque é a primeira coisa que cê corta é a diversão =

Cris: [ Eu sei gente… O que eu tô querendo =
Michele: = Não, não, mas vamo criar a CPMF porque daí dá, não precisa cancelar por causa do carnaval…Nãão…Porque é importante…

[ risos ]

Ju: No mesmo programa a gente reclama do aumento do ICMS, não dá…

Cris: Deveria ter um equilíbrio, e na verdade a gente poderia ser provedor das necessidades básicas e da cultura.

Ju: [ Não, eu…Eu acho que… =

Michele: = Lógico… [ todas falam ao mesmo tempo e não fica claro o que cada uma diz ] Mas se reúne com seus amigos, faz a tua festa, inventa um bloquinho, não precisa exatamente socializar essa festa…

Gica: Porque o carnaval, ele está dentro de cada um de nós.

Ju: Gente, e ninguém vai deixar de viver o carnaval e se divertir porque não teve show na Paulista, por exemplo se fosse o caso. Então assim, as cidades que estão cancelando o carnaval são as cidades que estão com surto absurdo de dengue e do Zika. Então assim, são cidades que estão precisando disso pra essas coisas, a gente faz todos os dias essa decisão, eu sei e entendo que a diversão é importante, a gente na vida pessoal entende, a gente não quer cortar, mas esse ano não teremos cinema porque temos Zika.

Gica: É o famoso “dessa vez vamo fazer só um bolinho lá em casa”

[ RISOS – TODOS CONCORDAM ]

Cris: E é o famoso “a gente não quer só comida, a gente quer diversão e arte”
Ju: E o pessoal faz, porque assim, o bolinho lá em casa não deixou de ter aniversário, não é mesmo?

Gica: [ Não é quentinho no coração? Pessoal não foi lá? =

Ju: = Éééé… Você se sentiu amado e tá tudo certo.

Gica: Às vezes eu queria uma balada louca até chão, mas daí deu bolinho, eu queria ficar viva e ter um hospital lá…

Cris: É prioridade… E mostra um desequilíbrio de contas. A Natália Prado comentou sobre o carnaval de rua do Brasil feito pelo povo, espontâneo, sem camarote, sem cordinha, sem político que boicota apropriação de empresa, especialmente de empresa de bebida alcoólicas. E eu tenho visto isso muito em SP, tenho visto na minha timeline de pessoas que moram em outros lugares, que tem acontecido no Brasil inteiro, são esses blocos espontâneos.

Gica: Nosso carnavalzinho, né?

Cris:É! Junta os amiguinhos, faz um bloquinho, eu to viciada no MC Bin Laden, tenho que confessar isso “Tá tranquilo, tá favorável, faz o sinal do Hang Loose” e aí tem um vídeo deles, eles estão cantando na laje, um cara tá batendo o batuque num balde furado e o outro fazendo reco reco num cano.

[ RISOS ]

Gica: Tá vendo Cris? E cê quer verba? [ risos ]

Cris: É cultura, vai.

Ju: É lógico.
Cris: E aí o que a Natália falou que eu acho que é muito relevante, só pra dar um pouquinho de número de São Paulo, no domingo agora é 300 mil foliões na rua, no sábado foram 100.000 em pesquisas feita pela SP Turismo com foliões esse final de semana 97% do público é de São Paulo e 71% escolheu ficar na cidade pra curtir a festa.

Gica: E não é nem carnaval, isso é pré carnaval é que nem aconteceu ainda

Cris: E foi muito legal esse final de semana é claro que a gente tem que se organizar melhor eu acredito que essa demanda vem de outras cidades também, que é os blocos se cadastrarem na Prefeitura e a prefeitura poder organizar melhor o trânsito. É muito ruim eu já passei por essa experiência, você virar a rua de carro, você não sabe que tem um bloco ali e você fica preso, é uma situação muito ruim. Então, assim, precisa organizar melhor. Mas eu já tô vendo esse ano mais organizado do que ano passado, e eu vi muita festa em Belo Horizonte, o Rio sempre teve e eu acho que cada vez mais e é muito legal ver isso, as pessoas se apropriando da cidade e se divertindo nas ruas.

Gica: É muito lindo.

Michele: Não é aquela coisa de só sambódromo, que o carnaval só acontece no sambódromo.

Gica: Carnaval is state of mind man. Porque tem um lance assim, eu moro em Fortaleza vai fazer um ano, e eu tenho zero vínculo emocional com carnaval, então estar participando dessa conversa aqui é interessante pra mim. O que as pessoas me falam, todo mundo acha que o Nordeste inteiro é uma loucura no carnaval, Fortaleza não trabalhamos com Carnaval. O carnaval tem Salvador, Pernambuco loucura, e outros lugares também. Em Fortaleza não tem, não sei o que aconteceu com Fortaleza que aí não tinha, daí em algum momento, alguém falou assim “Ei, mas eu também posso ter”, então Fortaleza agora tá tendo seu carnaval para os Fortalindos, né? Fortalindo do grego aquele que é de Fortaleza..

[ RISOS ]

Gica: Você vai no carnaval de Salvador, tem gente do mundo… de outros planetas inclusive, até desse novo que foi descoberto a pouco tempo, e em Fortaleza é um carnaval pra dentro.
Ju: Sim, é igual de São Paulo.

Gica: Não… Cê tá loca? Carnaval de São Paulo passa na Globo pro Brasil inteiro assistir.

Cris: Não, de sambódromo…

Gica: Então, mas Fortaleza tem só esse, daí, esse do nível um. Então assim, pra quem gosta de curtir esse carnaval menino.

Michele: Carnaval estagiário.

[ RISOS ]

Ju: Eu já passei bastante carnaval no interior, e é muito legal carnaval do interior, porque é assim, é aquela coisa da cidade que tem a pracinha, a igreja, prefeitura… E assim, em Iguape/SP eles fazem desfile de escola de samba, então a cidade inteira fica durante o ano fazendo as coisas e votam em quem ganha e sério, é impressionantemente bonito, bem organizado, os carros são legais, as fantasias são legais, e você vê a vovó batendo palma, as crianças torcendo, é muito legal…

Gica: É uma coisa compartilhada né, toda comunidade é proprietária daquele negócio, é muito bonito isso.

Cris: Eu queria aproveitar esse momento nostálgico e mandar um beijo para Ouro Preto, Tiradentes, Mariana, São João Del Rey, pro meu carnaval adolescente, pro meu carnaval de raiz, onde a gente disputava quem ia beijar mais pessoas naquela noite. Naquele carnaval moleque, onde tudo era divertido.

Gica: Sabe isso gente, é louco. Porque eu cresci em Blumenau/SC . E em Blumenau. Tá, na época que eu cresci, agora não sei como que tá em Blumenau. Mas é assim, oh: “ah, vem carnaval” e tinha dois tipos de pessoas em Blumenau, ‘Oba vou pra praia’ e ia embora pra praia, só pra ir pra praia, né, que o carnaval da praia é ‘vou sair daqui e vou pra praia’, e o outro pessoal era assim “ah, não dá pra trabalhar”.

[ RISOS ]

Ju: Gica, mas o carnaval de Blumenau é o Oktoberfest, vamo fala a verdade.

Michele: É verdade, porque são 17 dias de foliaaaa, música, cerveja e alegria…

[ RISOS ]

Cris: Certo. Vamos pro próximo? A Carla Purcino falou: “Paquera é diferente de constrangimento, certo?” E a Ana Paula falou também: “Como não ser um babaca no carnaval”. Então é isso aí, carnaval é um momento também de paquera, quem que não conhece a expressão “Amor de carnaval”? E aí meninas, como que é paquerar no carnaval e ser legal ao mesmo tempo?

(Bloco 7) 1:01’00” – 1:10’59”

Ju: Cara, é muito fácil! É igual na vida! hahaha

[ risos ]

Gica: É igual na vida, só que com abadá!

Ju: Isso, exatamente!

[ risos ]

Gica: Só que talvez, cê se arrependa da foto depois, mas assim…

Ju: = É… Sabe, a pessoa te olhou, você olha de volta, aí você chega mais perto, ela sorri e você entendeu que isso é um sinal para você para chegar mais perto ainda… =

Gica: = Cê vê que tem um…=

Ju: = …rola uma reciprocidade, né, basicamente é isso…=

Michele: = só que num “fast track” assim, mais rapidinho, porque se for levar tudo isso..=

Cris: = e o bloco vai andando… =

Michele: Pra quê carnaval daí?

[ risos ]

Gica: Sei que o bloco andou, né… Se demorar muito: “é.. mas eu queria… ooouuu…” haha.=

Michele:= Mas tem que rolar essa autorização, né? Essa…hã…=

Gica: = Não… é..! =

Michele: = ….reciprocidade. =

Gica: = gente, é assim ó, eu acho que a gente resume tudo com: tem consentimento?..=

Michele: = Exato…=

Gica: = se joga! Não tem consentimento? Parooou! óóó…

Cris: Gente, o bloco é gigante! É isso..! =

Gica: = É, então! =

Ju: = É, vai pra próxima…=

Cris: = é muita gente! Next!…=

Ju: = vai pra próxima…!

Gica e Michele: = é, vai! =

Cris: = Então, a ONU, ela até fez um infográfico, é do ano passado, que é bem legal, que é como paquerar no carnaval…=

Gica: = A ONU fez isso? =

Cris:: = É, a ONU Mulheres…

Gica: ONU: beijo!

Cris: Tem um infográfico e tem um vídeo, que é como chegar =

Ju: = sem ser um babaca! =

Michele: = em mulher? =

Cris: = Chega melhor, quem chega direito. Então é assim: “ela te viu? Se sim, ela demonstrou algum interesse? Se não, faz ela te ver!” [ risos ]

Gica: = Olha que… olha.. gente! =

Cris: = né? É super legal! Aí o próximo: “Ela te viu? Ela correspondeu? Sim! Chega um pouquinho perto e vê se ela continua olhando para você..! =

Gica: = Que amigo isso!! =

Cris: = Muito amigo! Aí é assim: “ela sorriu? Você pode chegar e falar: “oi, tudo bem?” [ risos ]

Gica: = É.. não precisa chegar enfiando a língua no nariz da pessoa, entendeu. Gente, isso nunca é legal!

Cris: “Ela não deu a menor pelota? Cê chegou junto e não teve nenhum esquema? Parte pra próxima, ô folião! Carnaval tá aí!” =

Ju: = éééé…=

Cris: Então, gente, é muito simples! Sigam esse infográfico, sejam felizes…

Ju: Vale a pena rever aquele videozinho do chá, sabe? Aquele vídeo INCRÍVEL do chá? =

Gica: Gente, o vídeo do chá… Eu queria mandar um beijo para ele, [barulho de beijo], beijo, vídeo do chá…

Ju: Que vídeo incrível! Porque é simples, ele explica consentimento por uma xícara de chá, tendeu? Se uma pessoa… se você convidar uma pessoa…=

Gica: = é tão difícil entendeee…=

Ju: = cê não pode obrigar uma pessoa a tomar uma xícara de chá…=

Gica: = consentimento do sexo, então, então tira sexo…=

Michele: = ah entendi! [ risos ]

Gica: = e põe chá…”Oi, você quer tomar um chá comigo? Quero!” Tome um chá com essa pessoa!

[ risos ]

Gica: “Você quer tomar um chá comigo? Não quero..”=
Ju: =“Mas meu chá é tão bom!! Mas ele é tãão”…NÃO, pára!! =

Gica: = “Mas é que EU quero!” =

Ju: = Pára com isso, velho… =

Gica: = “Não, mas você tem que tomar chá comigo, porque eu quero tomar chá..” NÃO, cara! =

Ju: = Nãaao! Sai daqui, vaza!!

Cris: = Toma o seu chá sozinho.. =

[ risos ]

Ju:: = É muito bom esse vídeo do chá! Porque ele fala assim: “olha, pessoas desacordadas não podem dar consentimento para tomar chá…” =

[ risos ]

Ju: [ rindo ] =“porque ela está desacordada, não pode dizer se ela quer chá ou não quer chá…” =

Gica: [rindo] = Logo….=

Michele: [ rindo ]= inclusive ela não consegue nem tomar chá, então…

Ju: [rindo] Isso! Você não enfia chá goela abaixo de uma pessoa desacordada…

Gica: Né? Então, por quê? =

Ju: = Ficou claro para você com um chá? =

Michele: = Exato! =

Ju: = Que tal a analogia? =

Gica: Né.. tira chá…=

Cris: = Vídeo do chá também ajuda. E aí tem quem fala assim: “ah! Mas tem menina que gosta, porque faz charme, tem menina que gosta..!” Gente, tem quem goste de tudo! Tem quem goste de tapa na cara, inclusive. E aí cê vai sair dando tapa na cara de todo mundo até descobrir quem gosta? =

Gica: = é, isso aí pode dar ruim pra você…=

Cris: = que risco, né? =

Gica: = vou te dar uma dica que, pode dar problema isso aí, esse negócio..=

Cris: = que pode ter alguém…=

Ju: = não pegue na mão; no cabelo, NÃO PEGUE!

Gica: = Não pegue! =

Ju: = Porque cê pode falar assim: “ah, não, mas eu não tava passando a mão na bunda, não tava beijando à força…=

Cris: = “…eu peguei o braço…”=

Ju: = “…eu só peguei no cabelo…” Eu O-DE-IO que pegue meu cabelo…=

Michele: Por isso cê cortou tão curto =

Ju: = sabe, assim…quando passa e você…. gente! Não pega…..=

Gica:= Não! =

Ju: = não pega numa pessoa…=

Michele: = Não pega! =

Ju: = se ela não te deu autorização… =

Cris:[com voz fina] = “Não me toooque…!”=

Gica: = não, a não ser que ela esteja caindo, e ela vai se f… no Oscar toda hahaha, aí cê pega! =

[ risos ]

Michele: = aí é legal! =

Gica: = Mas tenta pegar numa zona neutra; não na bunda, nem no peito, né…=

Ju: = se der…=

Gica: = e nem na….=

Cris: = tá, mas se ela for se estrabacar, tudo bem! Mas, é só não tocar na pessoa sem o consentimento…=

Michele: = mas não pode empurrar pra pegar depois né?=

[ risos ]

Gica: Mancada isso aí, hein…Isso aí configura crime também eu acho…=

Cris: = A verdade é que nós somos 103,5 milhões de mulheres no Brasil. Tem muita mulher, tem mulher para todo mundo, pra todo mundo que quiser paquerar e é só chegar com jeitinho. Inclusive rolou um negócio muito legal essa semana. Um programa X sabe, que fica falando de crime, não sei o quê… essas coisas mais sensacionalistas, e aí mostra uma mulher no alto de um carro alegórico…=

Gica: Ah! Fortaleza, amiga…! =

Cris: = e ela levanta a blusa… =

Gica: = É Ceará isso aí! =

Cris: = É? =

Gica: Deixa eu ver se é Fortaleza ou se é outra, mas é Ceará…=

Cris: = ela levanta a blusa e mostra os seios e tem um cara que vem e põe a boca no peito dela..!=

Michele e Ju: ahhhh!! [ suspiro de indignação ]

Gica: É da delegada Vani…Valni…=

Cris: = Aí vem a delegada Dra. Vilma…=

Gica: = Vilma! Isso! =

Cris: = e o cara fala assim: “veja isso, olha o que essa mulher fez.”, e ela: “Mas a mulher não fez nada de errado! É o corpo dela! E ela faz o que ela quiser com o corpo dela! Errado é quem tocou o corpo dela! Ele sim cometeu um crime”. E aí a galera já fez aquele oclinho nela, assim… =

Gica: = Não… cara…=

Cris: = sensacional! Muito bom!!

Gica: = sen-sa-ção! =

Cris: = Dona Vilma sabe tudo! =

Gica: = Ela fala assim: “Ela tá feliz! E o corpo é dela!… =

Cris: = Nunca viu mulher?? =

Gica: = E ela levantou a blusa num momento de êxtase! E ela faz o que ela quiser! Deus falou: “Olhar não é pecado”!. Quer dizer, pecado não, daí já é crime!”

<[ risos ] Cris: = Ela falou bem isso! =

Gica: = De encostar, daí é crime, aí não pode!

Cris: É isso aí, Dona Vilma! =

Gica: = E ela falou, inclusive, vale aqui a dica pros ouvintes: se você tiver muito sob o efeito de substâncias que… né…. essas daí…=

Cris: = Essas do carnaval =

Gica: = ….do carnaval..Ela deu essa dica: se você vir alguém fazendo alguma coisa desse tipo, ficar pelado, mostrar peitinho, não sei quê, nã,nã,nã,nã, nã, nã, nã…Se você filma e compartilha isso, você tá cometendo um crime também e aí também é treta. Eu não sei quanto tempo de prisão pega nem nada disso, porque sou de humanas e tal, mas daí cê, cê vê isso aí, não pode…

Cris: Vou aproveitar então, para falar de uma campanha bem legal que tá rolando. Em 2016 o samba tá comemorando um século. Nesses 100 anos celebramos a evolução, mas quando o tema é assédio, alguns foliões parecem ter parado no tempo e até retrocedido. Então, aproveitando a folia e compartilhando a mensagem, se a abordagem é agressiva, meu número é 180. Esse é o endereço da campanha também, o link tá na pauta, é uma campanha sem fins lucrativos, desenvolvida pela agência The Aubergine Panda e Links Consultoria, com o objetivo de contribuir para a conscientização social. É uma campanha criada para mulheres e por mulheres. Então é o seguinte, é muito importante denunciar, porque a gente passa a ter estatística, estatística é importante! Os números fazem com que a gente saiba exatamente quando, como é necessário o combate, então abordagem agressiva é crime, denuncie, 180. A Thais Fabris também falou um negócio muito legal sobre a polícia do corpo. Rolaram muitas discussões no Twitter, sobre quem pode e quem não pode colocar foto com pouca roupa, sair com pouca roupa no Carnaval, então Gica, tá liberado?

Gica: Má muito!!! Se eu compartilhei a foto, beijo, me liga! Pára de encher o saco!!

Cris: É isso aí gente, tá liberado, sai quem quer, compartilha quem quer!=

Gica: = Agora compartilhar foto de outrem, pode??

Cris: Desde que ela tenha compartilhado a foto…=

Gica: = Isso! =

Cris: = …siiim! =

Gica: Se ela tiver consentimento, ó o vídeo do chá aí, beleza?…=

Cris: = Se você tiver tirado a foto sem a pessoa ver e sem que ela permita o compartilhamento, erradoo =

Gica: = mancada… erradooo =

Ju: Pra finalizar, dica da tia Ju: tudo é permitido, tudo pode, no Carnaval tá valendo com consentimento, mas assim amigo: cê não precisa entrar na pilha de marcar contagem, né, para ver quem ganha mais e tal, tipo. Não é uma competição. É uma brincadeira, você pode ficar tranquilo, não precisa: [ voz de lamento ] “ahhhh eu zerei a noite, meu Carnaval não valeu, foi horrível…”=

Gica: = ah! De pegar muitas pessoas? =

Ju: É! Sabe de julgar a noite se ela foi boa ou não; se você conseguiu pegar gente ou não, tendeu? Cê pode..…=

Gica: = Tipo adolescente? =

Ju: É, exatamente. Você pode, tranquilamente, se divertir muito com seus amigos e todo mundo pegar todo mundo e você não terminar a noite pegando mais, pegando menos. Você não precisa comparar com ninguém, você não precisa…..Não tem meta, tá? Não é job, Carnaval não é job. Cê não tem obrigação de cumprir uma meta a cada noite, tá, fica tranquilo.

Gica: Não, cê tem que tá legal com você…=

Ju: Isso, faz o que cê quiser…=

Gica: = …porque quem tá legal consigo próprio, num…=

Cris: = Sai com a fantasia que quer..=

Gica: = num tá nessa onda de…=

Cris: = pega quem quer.. =

Gica: = [voz de lamento] ”ai, mas eu não peguei ninguém…se eu não pegar ninguém…[ murmúrior de lamentos] ”=

Ju: = [voz de lamento] “…mas o Marcos pegou 13, eu só peguei 7, mas a Joana…=

Gica: = Não, mas nem só menino…=

Ju: =… beijou 12 e eu….”

Gica: = ..ééé, meninos, meninas, meninx..=

Cris: Não e eu acho que na verdade, quanto mais desencanado, quanto mais cê vai para se divertir, mais atraente você fica…=

Gica: = não, gente! Isso é fato! Depois que eu comecei a ir para balada depois de casada…E isso aconteceu três vezes.[ risos ] Eu vou tão feliz e aí chegam muitas pessoas e eu fico com dificuldade de lidar com essa situação, porque assim… mas gente eu não tava nem no jogo da sedução, eu tava só dançando… que se dane!!…=

Ju: = mas eu tava feliz, né…=

Cris: = não… no, no bloco…=

Gica: = isso é tão sexy, isso… isso é legal!

Cris: É…no bloco esse final de semana, até comentei com as amigue, tinha uma menina dançando e ela tava se curtindo tanto!

Gica: Éééé….=

Cris: = Ela tava tão feliz fazendo aquilo!! Ela tava benzaça! Então eu acho que é isso, e isso é muito sexy!

Michele: É muito! Autoconfiança, cara, is the new sexy! =

Cris: É tá bem, tá divertido, é sem radar. O radar atrapalha porque quando cê tá na caça acho que tudo fica mais difícil… =

Gica: = é, porque aí cê… =

Cris: = libera o radar que cê vai ver.=

Gica: = cê fica tentando entrar num código: “Não, eu tenho que olhar assim…”Cês já repararam que tem gente que, “preciso pegar alguém” e aí muda o olho assim? =

[ risos ]

Gica: = O olho fica um olho esquisito… =

Cris: = aperta, aperta o olho…=

Michele: = stalker, assim? =

Gica: = é! Fica um negócio assim ó….=

Michele: Que dá medo?

Gica: = é. aí cê fica, “Nossa!”=

Cris: = Um olhar de sniper

Gica: É, só falta aparecer um laser point vermelho assim na sua testa, é, é esquisito.

Cris: É isso gente! Um Carnaval livre de, de homofobia, um Carnaval livre de machismo, com todo mundo ali para se divertir, =

Michele: = livre de abuso..=

Cris: = misturado, livre de racismo e de violência, né. E, se beber não dirija, use camisinha, porque faz parte né? Porque ninguém quer bebê de Carnaval e muito menos doença sexualmente transmissível.

Gica: Ninguém quer.

Ju: Ninguém quer.

Cris: É isso?

Ju: É isso! =

Cris: = Temos um programa? Fica a gostosa sensação de partir agora pro bloquinho do Mamilos?

Ju: Bora, gente!

Cris: Vamos então pro Farol Aceso!

[Trilha sonora]

(Bloco 8) 1:11’00” – 1:20’59”

[ Desce Trilha ]

Cris: Vamos então para o farol acesso começando com a convidada de honra, Dona Gicolina.

Gica: Gente, o farol acesso é o seguinte: Muitos ouvintes. Alou, estou achando que eu conheço ouvintes do Mamilos. Né, mas deixa eu achar aqui. Muito ouvintes do mamilos, trabalham com inovação, criatividade e tals. Na verdade todo mundo, meio que deveria estar antenado pra isso que é meio que né!? Uma característica default da pessoa moderna de 2016. Então eu queria falar pra vocês de uma fonte de inspiração que esses dias eu passei horas me refestelando que é a publicidade argentina de novo. Eles já foram ícones uma potência maravilhosa aí de repente virou a publicidade brasileira uma coisa maravilhosa. Aí nanana. Aí de repente a gente ficou só vendo quem ganhava Cannes. Aí as agências Hipe, hipister snever ruever. Mas eu tive que fazer um projeto esses dias e eu dei uma olhada no portifólio de muitas muitas. Entrei no site de cada uma, entrei no face de cada uma e vi os portifólio delas e os vídeos cases e as coisas para desde clienticos micros até clientões e puts!!!

Ju: Tá muito tão legal! =

Gica: = Cara tá tão legal! =

Ju: = Muito inspirador =

Gica: Aí você fica pensando: Nossa, se hoje eu fosse trabalhar numa agência, trabalharia na Xembras nanana do Brasil, não sei o que =

Ju: = Inclusive tem uma pesquisa do B9 dizendo em que agência do Brasil as pessoas querem trabalhar =

Gica: = Tem, exato! Super tem! Então assim, cara, antes de responder a pesquisa do b9 de 2017 dá uma olhada na publicidade argentina e da uma chorada comigo.

Ju: [ risos ]

Gica: = Que tá boa filha, tá boa.

Cris: Boa dica! E aí Mi, que que tem de dica?

Michele: Dessa vez eu não quero recomendar livro, eu quero recomendar um lugar para achar livro que é um aplicativo chamado skoob que ao contrário é o contrário de Books. Fiquei sabendo agora. =

Gica: = Aeee =

Cris: = Veja só =

Michele: Super Gica, dando super dicas. E então, é tipo uma rede social de livros, que tu pode ver que livros as pessoas estão lendo que livros elas recomendam, quais elas emprestam, quais elas não emprestam. Então eu achei interessante, na minha time line ainda não pegou o negócio, mas eu sempre quis montar isso com os meus amigos pra gente trocar livros e dicas e tatata e acho que isso é uma forma mais fácil.

Gica: Não é legal quando você pensa um dia alguém podia nanana. Aí alguém vem e fala: Ei, mas olha aqui =

Ju: = Já existe! =

Michele: Éééééééeé!

Gica:= Ei que legal! =

Michele: = Pensou! E fora que pelos livros que a pessoa lê tu já tem um raio x assim =

Cris: = Cara muito =

Michele: = Eu adoro ver biblioteca de pessoas

Gica: Muito!

Cris: Não eu acho que da pra arrumar namorado muito legal fazendo isso, porque os livros que a pessoa leu já fala muito.

Gica: Má muito gente, é óbvio. É óbvio que sim.

Michele: Até porque é uma coisa meio voyeur assim, tipo: O que está pessoa está fazendo=

Cris: = Gente essa pessoa é muito interessante. Olha o que que ela leu.

Gica: Olha como ela lê rápido!

[ risos ]

Gica: Isso é legal . Isso ai me atrai . Lê rápido o rapaz aqui, oia. Acho interessante, um feature bom.

Cris: Ai, eu leio devagar. Ainda mais quando vai chegando no final que eu fico com dó que vai acabar a história.

Gica: Eu faço isso. Às vezes eu releio o livro que é muito maravilhoso, que eu sei que é muito maravilhoso. Aí ele tá muito no gostoso o livro assim ô! Num momento animal do livro aí eu falo: Mas eu sei que aqui ele já vai acabar. Então eu fecho ele e deixo ele na minha cabeceira e eu fico ali =

Cris: = Namorando =

Gica: = olhando pra ele. Sabe a branca de neve, morreu e os anões botaram no caixão de vidro. Eu ponho meus livros no caixão de vidro. Ai, te admiro livro.

Cris: É por ai!

Michele:Não, e fora que da pra fazer um tracking do que tu fez no ano porque no final do ano sempre puts, deveria ter lido mais, deveria ter feito mais… Não, você fez tudo isso, olha que bacana =

Cris: Ééééé! É isso ai! =

Michele: = Tem vários features interessantes.

Cris: Bom eu vou indicar duas cositas, eu asssiti finalmente a série que muitos mamileiros e mamiletes indicaram =

Ju: = Indicaram=

Cris: = que é o ‘Master of none’. O primeiro episódio é o pior. Então, quase que eu não dei a chance. Porque o primeiro é =

Ju: = Verdade=

Cris: = Bem ruinzinho. E aí eu fui assistindo e aí eu assisti de novo e aí eu assisti mais um tiquinho e fiquei amiga do cara e eu queria ter o whatsapp dele.

[ Risos ]

Cris: E eu queria ser amigo daquelas pessoas também. É que ele é extremamente carismático quer dizer, as histórias são muito singelas. Tem a história que ele vai encontrar com a vó da namorada . A história que ele vai visitar o tio do amigo Tem muita coisa, é master of none, é sobre nada mas com uma singeleza, sabe é tão legal. Tem um toca no tema do do feminismo e com a vida de homens e mulheres são diferentes. Que é muito legal =

Ju: = Que inclusive acho que foi por isso que eles indicaram tanto =

Cris: = Que o cara, eles estão num bar, está todo mundo se divertindo aí ele vai embora e ela também. Vou dar um spoiler aqui. Beleza? Mas é pra vocês assistirem. E aí a menina vai, um cara persegue ela, ela custa se desvencilhar do cara entra em casa, tranca a porta correndo o cara consegue entrar. Fica esmurrando a porta dela =

Michele: = Que isso! =

Cris: Ela liga pra polícia. E ele vai, pisa no cocô do cachorro e fica limpando o Tênis. Aí no outro dia eles se encontram e ele fala: Cara, ontem voltar pra casa foi osso, você não vai acreditar, com meu tênis novo eu pisei no cocô do cachorro. E ela falando que foi perseguida por um cara, sabe. Então assim, é muito fofinho e assim os caras usam umas fontes na abertura, desculpa, mas eles tem um bom gosto de tipografia =

Gica: = Aééé? =

Cris: = Enquadramento e uma trilha musical muito boa.

Gica: Rola como referência também pro Job.

Cris: Rola, pra caramba =

Gica: = Entendido, você não está assistindo por que você quer =

Michele: = Tem que ver isso aqui, é referência o negócio =

Cris: É , esteticamente é bem legal e ele mora num apartamento bem legal, adorei tudo do apartamento dele

Gica: Também é referência de decoração

Cris: É porque é um apartamento claro =

Gica: = é referência pra vida! =

Cris: = É bem legal. E a outra indicação é a série ‘Cosmos’ quem não assistiu vai ter que ver agora. Porque está disponível no vimeo dublado em português e então, quem nunca ouviu falar ou quem já ouviu falar e falou puxa, mas eu não tenho acesso. Então tá lá ela consiste em uma análise profunda sobre as origens do universo e sua ligação com a atualidade são treze vídeos o estudo de várias décadas inspirado no pesquisador e cientista Carl Sagan que deixou um riquíssimo legado para a humanidade. Agora me perguntem como eu descobri que estava disponível no vimeo?

Gica: Como você descobriu que estava disponível no vimeo?

Michele: Como Cris?

Cris: Henry Cristo Twitou.

Gica: Oi? =

Michele: = Risos =

Cris: = E caiu em alguma =

Gica: = Não, peraí. Foi pegadinha isso aí =

Cris: = Henry Cristo Juro.

Gica: O Henry leu a manchete mas não clicou no link. =

Cris: = Henry foi lá =

Gica: = Se ele retwitou esse negócio aí. =

Cris: = Colocou o link falou: é muito bom, assistam é um estudo da criação do divino. Aí eu fui gente isso é zuação né?

Gica: Mas esse twitter era do Henry mesmo?

Cris: Era! Era do Henry!

Ju: É aquele Friday Comes

Cris: Juro Gente!

Gica: Não é tipo a Dilma bolada lá =

Cris: Não é dele!

Gica: = essas coisa ai.

Cris: É dele, até pensei que era zueira, cliquei e realmente série tá toda lá disponível e dublada. Assistam é muito bom o link tá na pauta. Juliana, que que tem?

Ju: Tem várias coisas: Primeiro o filme As Sufragistas que muita gente perguntou a vocês viram, vocês vão comentar e não sei o que. Vi, assisti dia 25 de dezembro. Eu achei que como filme ele não é incrível, mas pra quem tem interesse pelo assunto, [ como um =

Michele: = Como conteúdo

Ju: [ Como conteúdo ele é interessante, entendeu?

Cris: Histórico!

Michele: Preciso assisti!

Ju: É um filme legal me fez sobre várias coisas, porque eu sou, sempre né o objetivo do mamilos é isso, eu sou sobre a não violência, sobre como você convencer as pessoas é melhor do que gritar na cara delas, como confronto e conflito é pior do que convencimento e tal, essa minha visão. E aí o filme é feito justamente pra mostrar assim, que elas chegaram depois de 50 anos conversando e tentando um lugar na mesa né, eu vou provar por A mais B, deixa eu conversar, deixa eu te contar deixa eu nanana. Tentaram por todos os meios legais e ninguém nunca escutou, então elas foram para a desobediência civil mesmo e aí era, a ordem era causar. Então isto me deixou muitooo pensativa, porque assim, hoje todos os direitos que a gente tem, a maior parte deriva daí. Porque, a partir do momento em que você tem direito a votar, você é visto como pensante, como cidadão, como tendo direitos=

Gica: Sim, sim!

Ju: = E aí todas as outras coisa vem daí. E aí eu penso assim que tudo que a gente tem, boa parte do que a gente tem precisou disso pra chegar até aí e aí eu desconsidero tanto esse tipo de tática quando ela é usada hoje pra provocar a discussão, entendeu?

Gica: Entendi!

Ju: Então por exemplo, sei lá. Se vem um Black block por exemplo, eu falo não quer protestar, protesta direitinho mas sem destruir nanana. E eu penso: Cara, em determinados momentos foi necessário isso. Então assim, eu entendi =

Gica: Precisou chegar nesse ponto

Ju: = que a violência também é meio de protesto válido, entendeu? =

Gica: Sim!

Ju: = É assim eu não tô, não é aberto ao debate. É só o que eu entendi da obra. Não precisa ser.

Gica: Não é aberto ao debate por que esse podcast é meu.

Michele: É Verdade.

[ Risos ]

Ju: Eu só estou recomendando o filme =

Michele: Verdade

Ju: = Só estou dizendo que ele me fez pensar isso =

Gica: Sim, sim.

Ju: = Você pode pensar milhares de outras coisas.

Gica: Não que antes você jamais consideraria como uma forma de =

Ju: Isso!

Gica: Manifestação válida =

Ju: Exatamente!

Gica: = então agora você entendeu…

Ju: Eu passo passo a pensar sobre isto! =

Gica: Ok.

Ju: = Não tenho conclusões, mas me provocou reflexões. Então assim, acho que por isso o filme é válido e não por ser um filme incrível.

Gica: Como é legal buscar conhecimento e a gente pode rever as coisas que a gente pensava e ver as coisa de outro lado né.

Ju: É mas, eu acho que assim, a gente não pede pros outros o que a gente não está disposta a fazer, então o que eu peço para o mamileiro é ter a cabeça aberta pra sempre estar construindo =

Gica: Isso, exato!

Ju: = o que acredita. E é isso que faço assim, tipo se você me mostrar hoje uma coisa que contraria tudo que eu penso e fizer sentido, não tem problema nenhum em mudar na hora.

Gica: Mudar de opinião, lógico.=

Ju: = Entendeu. =

Gica: = Isso =

Ju: = Que mais ?
(Bloco 9) 1:21’00” – 1:24’12”

Ju: Eu assisti O Menino e o Mundo. Eu achei bem bonito, mas eu acho que ele sofre do mesmo problema que eu vejo a maior parte dos filmes hoje, que é um trailer que te deixa com a expectativa na casa do caralho, e aí cê vai =

Gica: = Ah, jura? =

Ju: = ver o filme] e pensa que é incrível. Assim, ele é um ótimo filme, mas acho que o trailer é mais legal do que o filme ainda…

Gica: Putz…

Ju: Mas é um filme bem… Bem delicado. É muito, assim, a estética dele é incrível. É incrível. Então assim, se você é diretor de arte, você tem que ver esse filme. Ele não tá disponível em nenhum lugar, então não saberia como você faria isso, mas… em algum momento ele deve estar. É… vale muito pena, a estética dele é incrível. Eu tava esperando trilha do MC, tava esperando um monte de música, tava esperando um filme super musical. E ele não é, mas ele tem uma musicalidade muito interessante. Então =

Gica: = Tendi. =

Ju: = não é que o filme é ruim, mas é que ele te cria uma expectativa que não é aquilo que ele é, entendeu?

Gica: Tá.

Ju: Mas eu gostei do filme, acho que vale a pena assistir. Eu queria indicar dois podcasts. Pra gente entender o que acontece no Brasil, tô achando uma experiência muito legal escutar o NPR Politics. É em inglês, então tem essa barreira aí, mas… porque toda vez que a gente analisa os nossos problemas a gente acha, ai, sabe, tipo “mas tinha que ser no brasil, né, só aqui”… E aí você vai ver a corrida americana e é muito igual, os problemas, =

Michelle: = Sim… =

Ju: = as coisas, assim, e é muito parecido, né. =

Michelle: = E é muito… =

Ju: Então assim, eu sugiro, muito legal pra colocar as coisas em perspectiva.

Cris: Uhum! =

Ju: = É bem legal mesmo. E pra gente… eles também tem coisas super interessantes que acabam servindo pra gente. Então, por exemplo, eles fizeram um programa inteiro sobre pesquisa de opinião. E é extremamente útil pra você entender aqui, como que a gente lê pesquisa, o impacto de pesquisa e tal. Então assim, tô achando bem legal pra quem tem interesse em política. E O Nome Disso é Brasil, programa “Lagarteando na esquina da Ipiranga com Avenida São João”, que foi a entrevista que eu dei pra eles, falando sobre essa experiência de viver em Porto Alegre e viver em São Paulo.

Cris: É isso aí, temos um programa?

Ju: Temos um programa.
Cris:Gica: Posso só mandar um beijo?

[ risos ]

Cris: Manda beijo. =

Ju: = Pode.

Gica: Além do meu pai, da minha mãe, da minha filha, meu marido, nãnãnã… Beijo pro Fábio Alves, pra Jennifer Batista, Lucélia Souto, Tarcísio Duarte, Chico Neto, Cris Bartis… Olha, você! =

Cris: [ risos ]

Gica: Audrey Vargas e Elaine Ortiz, que adivinharam onde eu estava! Fiz uma foto aqui, “adivinha onde eu estou”, e aí as pessoas adivinharam…

Cris: Vamos agora para as Vídeo Cassetadas! =

Gica: = …beijo pra elas. =

[ risos ]

Ju: Ah, se a Gica mandou um beijo, quero mandar um beijo pra Ju Geve.

Cris: Beijo pra alguém, Michelle?

Michelle: Pô, assim, de surpresa?

Cris: Manda um beijo pra mim então! =

Ju: = Manda um beijo pro Mike… =

Michelle: Cris Bartis!

Cris: [ risos ]

Gica: = Beijo aqui, delícia! =

Ju: = Manda um beijo pro Mike e pra Joana… =

Michele: = Oi pra Lívia, minha sobrinha, de cinco meses… =

Ju:: = Isso.

Gica: Tá, e agora vamos tirar a blusa, todo mundo?

Michelle: Vamos!

Gica: Uhuuul!

Cris: Gica…

Ju: Tchau, gente!

Cris: Gica sendo Gica…

Gica: Tchau gente, agora… agora começou nosso carnaval!

Todas: UHUUL!

Cris: Beijooo!

Gica: Partiu, tchau!

[sobe trilha]
[desce trilha]

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