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SXSW 2017: A China está aprendendo (e muito rápido) a criar produtos de ponta

Como o país pretende conquistar o mercado ocidental

por Luiz Yassuda

Numa palestra inusitada à primeira vista, o bastante ocidental Ben Bateman, do Indiegogo parecia bastante animado para apresentar ao mundo a China. Não que o país precise de qualquer apresentação, mas sua ótica sobre o desenvolvimento chinês acabou revelando um outro lado das empresas que crescem ferozmente do outro lado do mundo.

O que um representante de um importante site de crowdfunding tinha para nos dizer? Em poucas palavras, Bateman afirmava que a voracidade chinesa para criar novos produtos e ganhar território em mercados ocidentais estava ajudando a mudar a percepção do “Made in China”. Mais do que isso: em pouco tempo, “Designed in China” poderá ser uma razão de compra de um produto de tecnologia.

Exemplos não faltam: desde a compra da Segway pela rival chinesa Ninebot, que melhorou o segmento, aos novos drones que já possuem um líder de mercado nos Estados Unidos: a chinesa Ehang.

Segway – o produto à esquerda – após a compra pela Ninebot – que inventou a roda da direita.

O amadurecimento da indústria chinesa já era bola cantada há muito tempo, é claro. Poderíamos exemplificar com a fabricação de produtos de ponta, como os produtos da Apple, mas precisamos dar um passo atrás: é preciso entender o conceito de shanzhai nas culturas orientais.

A Ehang lançou o drone Ghost em campanha de crowdfunding para comprovar que teria demanda. Além dos 850 mil dólares obtidos com os usuários, a empresa ainda recebeu aporte de investimento.

Shanzhai é o termo que denomina o que chamamos pejorativamente de cópia barata. Na cultura oriental, no entanto, a cópia é valorizada: somente treinando exaustivamente a confecção de algo que pode ser a escrita de um ideograma ou um produto manufaturado é que se pode dominar completamente as nuances de um determinado segmento e então aperfeiçoá-lo.

Nos anos 1960, o Japão recebeu uma série de investimentos para fabricar de maneira mais barata as caixas de som dos rádios americanos e desenvolveu seu próprio conceito – o Walkman – na década seguinte para, a partir daí, tornar-se referência em tecnologia de ponta. A Coréia do Sul passou anos fabricando componentes e montando TVs de outras marcas para enfim tomar de assalto o mercado de telas a partir dos anos 2000, principalmente quando os tubos deram lugar às telas planas. E agora, segundo indicam algumas evidências, é a vez da China querer mostrar ao mundo um pouco de sua inventividade nos serviços de Internet e no mercado de hardware inteligente, com a vantagem de terem o maior complexo industrial do mundo para dar escala a diversas ideias.

E, pelo menos sob a ótica de um site de crowdfunding, estes produtos de criação 100% chinesa podem conquistar rapidamente o mercado ocidental.

Esse conteúdo é oferecimento da Apex-Brasil, que divulgará durante o SXSW 2017 a campanha Be Brasil, uma narrativa envolvente que promove um Brasil confiável, inovador, criativo e estratégico no mundo dos negócios. Saiba mais em www.bebrasil.com.br/pt

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