SXSW 2017: Piera Gelardi e a fórmula da criatividade

Criadora do Refinery29, conta como aplicou criatividade corajosa para sonhar e realizar

por Juliana Wallauer / Planejamento na VividBrand

Eu vim para o SXSW pra me deslumbrar. Pra ver e ouvir ideias novas, conhecer pessoas inspiradoras, explodir a cabeça. E apesar de ter assistido várias palestras interessantes foi agora que vibrei, o olho brilhou e finalmente cheguei naquele lugar mágico que Austin tinha me prometido.

E tudo isso aconteceu graças a palestra da Piera Gelardi “Criatividade corajosa: sonhar e fazer.” Vale uma breve apresentação antes de entrar no conteúdo. Piera é co fundadora da Refinery29 uma premiada revista de life-style feminino, considerada uma das empresas mais inovadoras do mundo. Ela também é autora do best seller Style Stalking.

A palestra começou com um convite para um exercício simples: bata os pés, mexa os braços, sacuda o corpo, tente manter o ritmo coordenado com todo mundo na sala. Por que isso? Pra aplainar o terreno. Olhe ao redor. Antes tínhamos uma sala repleta de siglas e cargos – CCO, CEO, Planner – e ao final apenas pessoas. Bobas e descoordenadas, iguais. E por que isso importa? Porque pra ser criativo precisamos estar confortáveis. Na nossa pele, e com as pessoas que estão ao nosso redor. Além disso, mexer o corpo ajuda a tirar da cabeça as preocupações e ideias que nos prendem ao ambiente externo e nos colocar no momento presente.

Be the most of you

Piera empreendeu assim que saiu da faculdade. Nesse universo corporativo ela percebeu que não tinha muitas das skills necessárias para liderar um negócio e se viu começando a duvidar de si própria. Ela se sentia como uma criança sentada na mesa dos adultos, desconfortável na própria pele. (Quem nunca?) Achou que precisava ser outra pessoa, ser mais parecida com os outros para se adaptar às regras desse novo universo.

E o ponto de virada para entender a futilidade dessa estratégia foi quando Piera aprendeu a negociar. Pela abordagem da mudança ela precisaria aprender a ser dura, a não ceder. Mas isso não tinha nada a ver com seu perfil e história, seria um esforço enorme e provavelmente ela não seria muito boa nisso.

Aí entra a mudança de paradigma: e se eu pudesse trazer as coisas que fazem de mim quem eu sou e aplicar em negociação? ela pensou.

Comecei a descrever lindamente onde eu queria chegar, pintar um mundo incrível, e convencer as pessoas. Comecei a ser transparente, escutar o que era importante pra pessoas. E usar a minha criatividade para criar um cenário que acomodasse ambas visões e necessidades. Entendi que não precisava ser outra pessoa.”

Longe de sugerir que não precisamos mudar o que ela propõe é cultivar a própria essência, ouvindo a intuição para encontrar novos caminhos de resolver os problemas, sem se limitar e continuar crescendo.

Criar as condições para Criatividade

Piera também falou sobre aquele monstrinho inconveniente que está sempre à espreita perguntando: será que eu sou criativo o suficiente? Será que minhas ideias são boas? Será que eu ainda tenho energia criativa? Sabe aqueles panes, os momentos em que congelamos e não conseguimos ter ideia nenhuma? Calma. Criatividade precisa de um ambiente acolhedor que a alimente e incentive.

Olhe para um momento em que você está fervilhando de ideias e analise, quais eram as condições? O que te inspira? Se rodear de imagens? Associação de palavras? Música? Estar com alguém em quem você confia e que te inspira? Olhe para os seus padrões e reconheça o que te faz ser bem sucedido. Pare de focar nos momentos em que a criatividade te falha e coloque uma lupa nos seus momentos mais inspirados. Entenda os seus gatilhos e replique essa condições para aumentar suas chances de sucesso.

Um dos processos criativos mais frutíferos que eles tem na revista é simples: partir de uma ideia ridícula, rir muito e ter um insight poderoso. Ela realmente acredita que o humor nos dá acesso a outro nível de inteligência e destrava um potencial escondido por camadas de responsabilidades e racionalidade.

Fricção cria faíscas

Quando você ultrapassa a zona de conforto com coragem, pensando em outras pessoas, com propósito, você vence o Zeitgeist

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E aí a realidade bate na porta e nos deparamos com o fato de que as condições para a criatividade não são sempre ensolaradas. Como nos motivar e criar condições quando a situação não ajuda? Piera usou como exemplo o dia após as eleições americanas. Ela estava arrasada. Mas uma das coisas que alimenta e impulsiona sua coragem é a responsabilidade da liderança, saber que muitas pessoas esperavam sua reação. Então ela catalizou essa energia para um brainstorming com o time: como usar esse sentimento de uma forma que seja útil para nós e para a audiência? Como podemos transformar dor em propósito?

A resposta do time foi: Vamos falar de arte, do poder que ela tem para curar, catalisar movimentos e provocar conversas. Eles reuniram então artistas para criar peças que tivessem potencial de viralizar e gerar conversa sobre os assuntos que eram mais caros para eles. E isso espalhou como fogo. A Hillary Clinton postou, na marcha das mulheres os cartazes foram vistos no mundo inteiro, de Nova York a Paris, passando por Kosovo.

E sobre a fricção?

Ah, claro. Vamos confrontar nossas belas ideias com a realidade. Piera deu o exemplo do processo criativo do evento 29rooms. Tudo começou com o briefing de uma celebração dos 10 anos da revista. Era pra ser um presente para a audiência, e um manifesto de tudo o que eles são, acreditam e representam. As ideias fluíram, criaram forma, se transformaram em uma mood board encantador, em uma apresentação incrível que conquistou todo mundo. Aí entraram novas pessoas, com outros drives, outros backgrounds – o board da empresa, que começou a levantar as perguntas.

Como construir? Como pagar? E de repente a luz verde rapidamente se transformou em um amarelo com muita tendência para o vermelho. O que fazer com esse feedback? Como ser construtivo? Como trabalhar com a fricção pra produzir algo maior, melhor. Como fazer funcionar? E aqui volta a habilidade para negociar. Para criar uma realidade tão vívida e encantadora que traga aliados. Eles foram atrás de artistas para levantar o projeto e de marcas para viabilizar. E conseguiram colocar de pé uma casa divertida e imersiva, em que cada ambiente é pensado para ser compartilhável. Um evento que coloca a audiência no centro do palco. E que tangibiliza por 7 dias o universo que a Refinery29 criou.

Piera encerrou a palestra com um momento puro de auto-ajuda convidando a audiência a repetir: Eu consigo. Todo mundo desconfortável, repetindo sem muita convicção e ela olha pra gente e solta: Quantas e quantas vezes já disse pra mim mesma que eu não ia conseguir, que não dava, que eu não era capaz. E eu consegui, E consigo. E estou aqui diante de vocês. Vocês também conseguem.

E olha… uma sala lotada de criativos céticos levantou pra ovacionar essa musa inspiradora.

Esse conteúdo é oferecimento da Apex-Brasil, que divulgará durante o SXSW 2017 a campanha Be Brasil, uma narrativa envolvente que promove um Brasil confiável, inovador, criativo e estratégico no mundo dos negócios. Saiba mais em www.bebrasil.com.br/pt

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