SXSW 2017: Carros vão se comunicar com carros ou com humanos?

Resta um fator essencial para atingirmos o sonho da mobilidade

por Barbara Bono / Head do Lab de Conteúdo e Criação da Fiat Chrysler

A internet das coisas (IoT) trouxe a conectividade para o relacionamento das pessoas com seus objetos. O carro, obviamente, um dos bens mais queridos, não ficaria fora dessa. Muito se discute sobre a sua autonomia e o quanto ele vai virar um bem compartilhado, ou não. Ainda mais quando se pensa no mercado brasileiro, onde a relação com o carro ainda é muito emocional. Nessa linha, a gente começa a entender porque gigantes como a Google entraram na briga junto com as grandes montadoras pra ver quem viabiliza – de fato – o carro autônomo.

Não é só uma questão de tecnologia, mas de conexão. E isso dona Google sabe conduzir muito bem com seu incrível entendimento sobre os hábitos dos seus usuários. A tecnologia já permite que o carro autônomo seja uma realidade, mas a robótica está entrando cada vez mais nessa história, principalmente com todos os seus aparatos de inteligência artificial, para torná-lo ainda mais conectado com as questões humanas.

Os robôs chegam pra ajudar na conexão entre máquinas e pessoas, facilitar o dia a dia, só que num formato cada vez mais “emocional”. Afinal, humanos precisam de conexão e não apenas de conectividade. Conectividade é o que já temos hoje, na era dos smartphones. Seu celular te informa o email que chegou da sua filha, quanto tempo você vai levar no trânsito. O carro conectado entra na era da inteligência artificial e não só vai fazer com que você faça tudo isso, mas com a sutil diferença de endereçar o que realmente é importante pra você. Como dizer que escolheu aquele caminho pra que você chegue em casa mais rápido porque sua filha não está se sentindo bem.

Com AI o que muda é que você é avisado do email na hora, uma vez que ela já entende que aquele remetente é importante e mapeia fatores de interesse dentro do contexto do email, compartilhando com você novas decisões. Para que isso aconteça, ela caminha de braços dados com a internet das coisas, transformando seu bem de consumo, nesse caso o carro, no meio de atuação. No background de tudo isso: dados. Muitos dados.

Num mundo onde 1 em cada 10 americanos terão um robô em casa até 2020, ou seja, daqui menos de 3 anos, não tem como a indústria do automóvel ficar fora dessa discussão. Quem sabe seu carro não pode ser seu primeiro robô atuando como um aliado na questão de direção segura, por exemplo. Há quem defenda o fator humano nessa história, há quem diga que um computador que consegue processar mais de 24 trilhões de informações por segundo já superou, em muito, o fator humano e pode ser extremamente mais confiável na tomada de decisões do que uma pessoa dirigindo.

Continuamos dependendo do fator humano, que nem sempre avança na velocidade da tecnologia

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O fato é que a inteligência artificial é uma grande aliada da direção segura e quando pensamos nisso, mais do que ter um trânsito conectado com serviços que são importantes para que a vida na cidade flua melhor, atendendo todos os conceitos de smart cities, temos o fator humano captado como algo essencial a ser cuidado. Quantas bicicletas, motociclistas, crianças estão ao seu redor na hora de tomar uma decisão rápida no trânsito? E quando o fator humano como o sono, o cansaço, a irritabilidade pesam? O seu copiloto, que é a AI, consegue mapear essas questões e direcionar você ao seu local de destino de forma mais segura, assumindo, a partir dos dados gerados por você, decisões e o controle da situação.

Os testes com AI também podem influenciar a indústria em relação ao design. Até o interior do veículo passa a ser pensado primeiro para o passageiro e não, para o motorista. Estar no carro pode ser o momento de aproveitar uma viagem descansando, trabalhando, conversando, compartilhando e, em último caso, dirigindo, esta última, cada vez mais uma opção individual.

Design e computação gráfica se unem na direção segura, uma vez que não será preciso carros físicos para uma simulação de risco. Simulações que hoje são realizadas misturando AI e videogame, como o jogo GTA por exemplo, garantem os mesmos resultados de simulações reais, com a diferença de não colocar em risco a vida de pessoas e ainda otimizam o custo dispensado para o uso dos veículos para teste.

Carros que se conectam com a cidade, com as pessoas, com outros devices de mobilidade da cidade como bicicletas, ônibus, trens, parecem um sonho de mobilidade. Um sonho cada vez mais real se não fossem as questões legislativas que ainda precisam caminhar bastante junto com essa discussão. A tecnologia já está aí, os protótipos também, os carros e a vontade de fazer diferente, idem. Continuamos dependendo do fator humano, este último, nem sempre avança na velocidade da tecnologia.

Obs: insights retirados das palestras no SxSW “AISelf Driving Cars”, “I Speak Robot” e “Beacons and Smart Cities of Tomorrow”.

Esse conteúdo é oferecimento da Apex-Brasil, que divulgará durante o SXSW 2017 a campanha Be Brasil, uma narrativa envolvente que promove um Brasil confiável, inovador, criativo e estratégico no mundo dos negócios. Saiba mais em www.bebrasil.com.br/pt

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