SXSW 2017: A imprecisão do presente

Com tantas transformações é normal ter receio do hoje e amanhã

por Yugo Motta / Diretor de Planejamento na Artplan

Ao entrar no calendário de palestras do SXSW pode parecer que estamos alguns anos à frente de 2017. Alguns títulos falam sobre cidades inteligentes e como lidar com elas, outros sobre como a inteligência artificial impacta a indústria criativa e muita, muita conversa sobre Marte. Era tanta coisa sobre Marte que eu até me questionei se a gente já não tinha colonizado o planeta.

Independente do quão futurístico pareça o título da palestra, as discussões são sobre o presente. Essas discussões são reais e relevantes para o que a gente vive hoje. E, obviamente, dá um certo medo. O que será do presente que a gente conhece com todas essas mudanças constantes?

“Internet of Things you don’t own” foi o nome de uma palestra que falou sobre a falta de propriedade que os consumidores têm hoje das coisas que eles compram. Por exemplo, quando compramos um iPhone nós somos donos do device, mas ganhamos simplesmente uma permissão para usar o software. Ele não é do comprador e sim da companhia. Eu nunca tinha parado para pensar nisso.

A discussão foi toda em cima da legislação americana sobre essa questão e os impactos negativos na sociedade. Para mim, foi um murro na cara. Quer dizer que eu não sou dono do meu iPhone? É, parece que não. E isso sem entrar na discussão sobre todos os dados que wearables e Home devices coletam e que, legalmente, pertencem às corporações. É esse o presente que queremos? Independente de ser ou não, já é o presente que vivemos.

Se quisermos ter um pouco mais de certeza do nosso presente e futuro, vamos precisar ser cada vez mais humanos

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E, obviamente, uma discussão que veio à tona é se seremos ou não substituídos por máquinas. E, se sim, quando? Eu não assisti um painel específico falando sobre isso, mas muitas conversas giraram em torno dessa dúvida. O Watson, que foi muito falado por aqui, surgiu como um forte candidato à desempregar milhões de pessoas. E sim, a crença por aqui é que automação vai continuar acontecendo, substituindo cada vez mais empregos. Mas, a princípio, não parece que vai conseguir substituir um ofício que é tão celebrado no SXSW: o da criatividade.

Hoje a capacidade criativa das inteligências artificiais é impressionante, mas longe de se comparar à nossa. Eu vi um videoclipe criado, desenvolvido, filmado e editado por máquinas. E o resultado ficou uma merda. Sem originalidade, uma cópia ruim de tudo que é medíocre. E isso nos dá uma direção de para onde devemos ir.

Parece que se a gente quiser ter um pouco mais de certeza do nosso presente e futuro, vamos precisar ser cada vez mais humanos. E consequentemente, criativos.

Esse conteúdo é oferecimento da Apex-Brasil, que divulgará durante o SXSW 2017 a campanha Be Brasil, uma narrativa envolvente que promove um Brasil confiável, inovador, criativo e estratégico no mundo dos negócios. Saiba mais em www.bebrasil.com.br/pt

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