Companhia aérea da Jordânia trollou com perfeição a extrema direita da França

Com uma série de tweets, Royal Jordanian tomou partido durante a eleição presidencial que derrotou a política xenófoba de Marine Le Pen

por Carlos Merigo

As marcas, geralmente, preferem manter distância de qualquer discussão política. Recentemente, porém, a polarização global tornou impossível que uma ou outra acabe tomando partido em questões polêmicas. Isso aconteceu bastante durante a aprovação do casamento gay, nos EUA, por exemplo.

Podem parecer causas óbvias de humanidade e bom senso, mas lembre-se, empresas precisam gerar lucros, e qualquer coisa que afete o crescimento dos números é e será meramente calculado. Assumir um lado pode desagradar o outro, e portanto, nunca é uma decisão livre de riscos.

Acontece que, mesmo sendo um terreno escorregadio, é um caminho necessário para que as marcas continuem relevantes. Tanto do ponto de vista de comunicação, como do papel que essas marcas tem na sociedade. Afinal, empresas são comandadas por pessoas, com milhares de trabalhadores de todos os gêneros, classes e opiniões ao redor do mundo.

Além desses dois aspectos, para a companhia aérea Royal Jordanian existe um terceiro. O negócio da empresa é diretamente afetado por mudanças ou novas lei de imigração, quase sempre voltada para povos islâmicos.

É por isso que, por conta da eleição presidencial na França, eles miraram diretamente contra a política xenófoba proposta pela candidata de extrema direta, Marine Le Pen (derrotada pelo centrista Emmanuel Macron), num esperto trabalho da equipe de mídias sociais.

Em uma série de tweets, a Royal Jordanian usou trocadilhos bem humorados para tomar partido no pleito francês. Primeiro perguntando: “France is not that far… right?”, brincando com o termo em inglês far-right (extrema direita). Na tradução pra português o trocadilho se perde: A França não é tão longe, certo?

Em outro tweet: “Liberdade. Igualdade. Fraternidade. Como os céus deveriam ser.”

No tweet logo após o resultado da eleição, com a derrota de Le Pen, a companhia aérea brincou com a palavra “left” (esquerda), tanto no sentido político como no trajeto da viagem entre Jordânia e França. “Voe à esquerda com a Royal Jordanian”

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