Com Lázaro Ramos, Globo vai levar criadores da internet para TV

Chamado de “experiência cultural colaborativa”, novo programa dominical “Lazinho com você” vai exibir e remunerar conteúdo enviado pela internet

por Agnes Guimarães Cruz

Além do futebol, do filme e dos tradicionais programas de auditório, a partir do final do ano o público vai ter uma opção um pouco fora-do-comum para a programação da TV brasileira aos domingos: é o “Lazinho com você”, novo projeto da Globo com a apresentação de Lázaro Ramos, e que entre suas novidades contará com a gravação dos programas televisivos fora do estúdio, totalmente nas ruas, e com minutos dedicados ao material enviado pelo internauta para a plataforma do projeto.

A ideia é um sonho antigo do ator Lázaro Ramos, que já é apresentador do programa “Espelho”, do Canal Brasil. O ator sentia falta de um projeto em que pudesse ter mais contato com as diversas facetas do público brasileiro, principalmente com o humor e a criatividade que fazem jus ao famoso bordão “o melhor do brasil é o brasileiro” – e que sabemos, já está inclusive conhecido internacionalmente, vide a recente parceria entre Gretchen e a cantora americana Kate Perry, além dos memes que enlouquecem os gringos pela internet.

Somando-se a necessidade do ator ao do diretor artístico Rafael Dragaud – que buscava algo mais próximo aos moldes da linguagem da internet – surgiu a proposta do “Lazinho com você”, que eles preferem não defini-lo como um programa televisivo, mas como uma experiência sem hierarquias entre o nicho digital e o televisivo.

Apesar da estreia do programa televiso estar prevista apenas para o final do ano, a plataforma digital do projeto já estará disponível a partir do dia 15 para o envio dos trabalhos produzidos pelos internautas. O principal critério para o envio é a criatividade: pode ser um poema, um vídeo, uma música, um meme, entre outras opções.

Para a seleção do programa, a equipe de produtores vai levar em conta os temas de cada programa e de que forma “o minuto” do material recebido da internet pode ser aproveitado, ou remixado dentro das produções desenvolvidas pela própria equipe do projeto. É quando chegamos ao sistema de  “minutagem”, em que o público é remunerado pelos sessenta minutos que vão ao ar, independentemente da quantidade de tempo do material enviado pela internet. A expectativa é que a remuneração seja de R$ 2 mil reais por minuto. Os minutos podem ser aproveitados na íntegra ou remixados com produções elaboradas pela própria equipe do programa.

Um remix jovem e engajado

Antes de abrir a plataforma ao público geral, a produção fez uma parceria com o Globo Universidade, segmento da emissora preocupado com o diálogo com o público jovem e com a produção acadêmica e laboratorial desenvolvida pelas universidades. Há dois anos, o projeto realiza uma série de palestras e laboratórios com jovens de 15 a 29 anos, o GloboLab.

Os participantes são selecionados de acordo com sua experiência com o segmento de entretenimento e de que forma ele está engajado com vários setores da sociedade, e o grupo formado acaba servindo como uma espécie de consultoria para projetos novos da emissora, como a edição que trabalhou com o brainstorm da campanha digital para a novela “Malhação”, com o conceito “Sua diferença me faz bem”, em que filmes e outras ativações para as redes sociais foram ligadas à hashtag #VivaADiferença.

Crédito: Marília Cabral

O ativismo digital, a preocupação com pautas relacionadas à democratização de conteúdo e à diversidade são elementos latentes entre esses jovens e que respondem aos principais questionamentos da emissora, atualmente preocupada em se aproximar com o público jovem que movimenta as redes sociais e que por vezes está distante da famosa “família tradicional brasileira” – sem deixar de fazer parte dela ou sem deixar de afetá-la com suas pautas que batem de frente com a intolerância e os estereótipos ainda tão arraigados na cultura brasileira.

No GloboLab elaborado em parceria com o “Lazinho com você”, o grupo selecionado passou um fim-de-semana trocando ideais sobre temas e materiais para as primeiras edições do programa, que estarão disponíveis para o público no dia do lançamento da plataforma.

“Gostamos de pensar que somos uma comissão de frente para garantir que haja um contato com o que está acontecendo nas redes sociais e o que esses jovens têm a nos dizer, principalmente  sobre Direitos Humanos, que é um olhar que consideramos obrigatório para a programação televisiva”, ressalta Beatriz Azeredo, diretora de responsabilidade social da Globo.

Acompanhe o lançamento da plataforma pelo Gshow.

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