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O que a eleição de John Bailey à presidência da Academia significa ao Oscar

Eleito nesta segunda, novo presidente é tido como retrocesso à organização

por Pedro Strazza

Na tarde de ontem (8), a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou que John Bailey foi eleito o 36° presidente da instituição. O veterano diretor de fotografia, conhecido por seu trabalho em filmes como “Feitiço do Tempo”, “Gente como a Gente” e “Melhor é Impossível”, sucedeu a executiva de marketing Cheryl Boone Isaacs (na presidência desde 2013) no cargo e será acompanhado do maquiador Lois Burwell na vice presidência e nomes como Kathleen Kennedy (presidente da Lucasfilm), Nancy Utley (co-presidente da Fox Searchlight) e Jim Gianopulos (CEO da Paramount) na comissão que a partir de agora comanda os rumos do principal prêmio da indústria cinematográfica estadunidense.

A vitória de Bailey pegou muitos analistas de surpresa, pois a princípio ele nem estava cotado para disputar o cargo. No começo de julho, o Hollywood Reporter havia noticiado que a corrida presidencial na Academia estava sendo liderada pela atriz Laura Dern, nome visto como um sinal de mudanças na forma como a organização vinha sendo administrada e cuja fama poderia ajudar a instituição a conseguir maiores arrecadações para a construção do Academy Museum of Motion Pictures, museu dedicado à História do cinema estadunidense previsto para ser aberto em 2019 no centro de Los Angeles.

Era justamente por causa da angariação de fundos para o museu que Dern era o nome preferido do CEO Dawn Hudson na disputa, que além da amizade com a artista também a queria no comando da Academia para ajudar a impulsionar as suas medidas de inclusão e expansão dos votantes do prêmio, que pretendem dobrar o número de mulheres e de minorias do bolo na próxima década. Hudson, que há alguns meses renovou seu contrato com a Academia para mais três anos, vinha entrando em conflito constante com a agora ex-presidente Isaacs nos últimos quatro anos, com ambos querendo reafirmar sua autoridade dentro da organização, e queria agora um nome com o qual pudesse se relacionar melhor.

Bailey teria sido eleito graças a um esforço conjunto do grupo de votantes mais velhos da instituição, que em anos recentes tem buscado manter protegidos seus interesses

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Dern, porém, acabou recusando o convite por causa de sua agenda atribulada – ela voltou aos holofotes em tempos recentes graças às suas participações em “Twin Peaks” e o vindouro oitavo episódio de “Star Wars” – e apoiou a candidatura de David Rubin, diretor de casting que era tido como seu maior rival para o trabalho. A eleição então ficou entre Rubin e Bailey, com o último se consagrando na votação.

O novo presidente é encarado a princípio como uma espécie de retrocesso na História da Academia. Entre os considerados para o cargo o que estava há mais tempo indicado – ele entrou em 1996, enquanto Dern e Rubin só foram escolhidos votantes na última década – Bailey teria sido eleito graças a um esforço conjunto do grupo de votantes mais velhos da instituição, que em anos recentes tem buscado manter protegidos seus interesses – como manter a premiação das categorias em que estão inseridas preservada na transmissão do Oscar – das ações de inclusão prometidas por Hudson. Além disso, o diretor de fotografia não ajuda muito para melhorar a face pública da Academia, reforçando um estereótipo conhecido: ele é outro homem branco, mais velho e desconhecido do público a ocupar o cargo máximo dentro da organização.

Bailey agora pode protagonizar novos conflitos com Hudson dentro da Academia nos próximos tempos. Com um mandato de um ano assegurado e clara possibilidade de reeleição (quase uma tradição dentro da organização), ele segundo o Hollywood Reporter deve muito provavelmente priorizar assuntos como a biblioteca e o programa de exibições da Academia por ter trabalhado em tempos recentes no comitê de preservação e História da instituição, enquanto a direção de inclusão pretendida pelo CEO pode acabar em segundo plano. O maior problema em mãos, porém, é ainda a questão da audiência das transmissões do Oscar, que vem registrando e mantendo baixos registros em suas últimas cerimônias.

A ser apresentada por Jimmy Kimmel, a 90° edição do Oscar está marcada para 4 de março de 2018.

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