Ator sai do reboot de “Hellboy” para evitar whitewashing

Anúncio cria precedente importante para Hollywood

por Pedro Strazza

Sim, esse dia chegou. Segundo o The Hollywood Reporter, o ator Ed Skrein optou por sair da produção do reboot de “Hellboy” nos cinemas após o público reclamar que eles estaria embranquecendo o elenco.

Conhecido por ter feito o vilão Ajax de “Deadpool”, Skrein tinha sido anunciado como parte do elenco do filme na semana passada e iria interpretar o major Ben Daimio, personagem que nos quadrinhos é retratado como de origem asiática. A notícia da escalação, seguindo o caminho passado por produções recentes como “Ghost in the Shell” e “Death Note”, naturalmente despertou críticas nas redes sociais, com algumas pessoas classificando o caso como mais um exemplo de whitewashing (isto é, a contratação de um ator branco para fazer o papel de um personagem de outra etnia) em Hollywood. O ator de 34 anos, porém, surpreendeu a todos nesta segunda ao decidir ouvir as críticas e se afastar do projeto, fazendo ele mesmo o anúncio da saída em sua conta no Twitter.

Responsável pela produção do reboot, a Lionsgate apoiou a decisão do ator em uma declaração lançada poucos minutos depois do tweet. “Ed veio a nós e se sentiu muito confiante sobre isso.” começa o documento, que continua com um pedido de desculpas sobre a escalação em si: “Não era nossa intenção de ser insensível a assuntos de autenticidade e etnicidade, e nós vamos procurar reescalar o papel com um ator que seja mais consistente com o personagem e o material original”.

A decisão surpreende muito, claro, por ser o primeiro caso em que um ator escalado em uma grande produção de Hollywood ouve e atende as reclamações de whitewashing por parte do público, mas também choca porque Skrein, ao contrário de uma Scarlett Johansson e uma Tilda Swinton, não é um ator de primeira linha que pode viver financeiramente bem sem o papel. Desde que apareceu com maior evidência na indústria graças a suas participações no remake de “Carga Explosiva” e especialmente “Deadpool”, Skrein vem se mantendo em produções discretas, participando de projetos menores. Junto talvez do novo filme de Robert Rodriguez (“Alita: Battle Angel”), o novo “Hellboy” seria uma nova oportunidade de Skrein aparecer nos holofotes maiores de Hollywood, já que o longa é uma das grandes apostas da Lionsgate para o próximo ano.

É um ato nobre, porém, que supera qualquer ambição de carreira e é de extrema importância para a indústria como um todo. Prática antiga em Hollywood, o whitewashing é um processo cada vez mais incongruente com a diversidade celebrada no mundo, que obviamente exige do cinema uma representação à altura e dotada da mesma variedade – algo que as polêmicas em torno de produções que ainda realizam essa prática só fizeram deixar mais claro. De um jeito ou de outro, a decisão de Skrein criou um precedente fundamental na História de Hollywood.

Ainda sem data de estreia marcada, o novo “Hellboy” será dirigido por Neill Marshall e tem David Harbour, Milla Jovovich e Ian McShane no elenco. As filmagens devem começar em setembro na Bulgária e no Reino Unido.

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