Mercado publicitário português: uma terra sem verba, mas com boas ideias

Conheça a ginga e a malemolência da publicidade portuguesa

por José Picka / Creative Copywriter na Publicis Lisboa

No final dos anos 1980 e início dos 1990, enquanto U2 e Legião bombavam no meu rádio Gradiente, a crise rolava solta na era pós-governos Sarney e Collor (vou confessar que só de colocar estes dois nomes na mesma frase, já senti um frio na espinha).

Nessa época, havia uma piada pronta sempre que se discutia os problemas brasileiros. Era só esperar, que cedo ou tarde alguém da roda iria dizer que o Brasil tinha duas saídas: Cumbica e Galeão.

Nunca concordei com esta afirmação, mas algumas décadas depois, os velhos problemas brasileiros se repetem num loop anunciado. E novamente muita gente escolheu pegar, como diria o poeta, o primeiro avião com destino à felicidade.

Desde novembro de 2016, também faço parte das estatísticas imigratórias e vivo em Lisboa. No meu caso, o desafio de trabalhar em um mercado publicitário fora do Brasil, numa agência bacana, me motivou a sair até mais que a crise. Explicações à parte, o fato é que depois que cheguei aqui, algo passou a ser corriqueiro: comecei a prestar “consultorias” via Messenger e WhatsApp a muitos brasileiros que me perguntam questões sobre trabalho, visto, trâmites legais, etc, etc, etc.

Diferente do Brasil, uma campanha com mais de 100 mil Euros para produção é coisa rara

compartilhe

Já que obviamente o interesse é grande, achei que falar sobre o mercado português seria um bom tema. Mas sob uma nova ótica: a dos jobs nossos de cada dia. Por isso, reuni alguns dos trabalhos que achei mais interessantes neste último ano. Não só do ponto de vista criativo, mas porque têm o jeito, a ginga e a malemolência da publicidade portuguesa.

Explicando: normalmente os budgets em Portugal são bem menores que os que estava acostumado no Brasil. Uma campanha com mais de 100 mil Euros para produção, por exemplo, é coisa rara. Então aqui rola muita coisa no digital, ativações bacanas e outras que dependem mais da ideia do que do dinheiro para acontecer, muitas delas já publicadas no B9, inclusive.

Por isso convido você, jovem aspirante a uma vaga no mercado português, a clicar nos links abaixo e tirar suas próprias conclusões. Afinal, nem sempre é preciso gastar muita guita* para se fazer trabalho fixe**.

*dinheiro
**bacana

Cobblestone Riders – Fuel TV

Grand Scénic Fun Stand – Renault

Um Treino Aberto – Fundação Benfica

Muro, a Greater Wall – Galeria de Arte Urbana de Lisboa

Compartilhe: