Transcrição – Mamilos 105: RIP Ego e Amor

Jornalismo de peito aberto

por Mamilos

Esse programa foi transcrito pela Mamilândia, grupo de transcrição do Mamilos

Transcrição Programa 105
Episódio transcrito por: Aline Bergamo, com o apoio de Carla Rossi de Vargas, Alan Bastos, Angélica Amaral, Fernanda Cappellesso, Patrícia e Jéssica Marques. Revisado por: Carla Rossi de Vargas.

Início da transcrição:

(Bloco 1) 0’ – 10’59”

[Vinheta de abertura]

Esse podcast é apresentado por B9.com.br

[Trilha]

Cris: Mamileiros e mamiletes, olha o Mamilos chegando pra esquentar os corações. Eu sou a Pink, Cris Bartis e o Cérebro ao meu lado é…

Ju: Ju Wallauer.

Cris: E vamos fazer essa semana o que tentamos fazer todas as semanas: jornalismo de peito aberto com tolerância e bom humor, respeito e empatia. Vem com a gente pro mundo da polêmica.

Ju: E o Beijo Para: Osasco, em São Paulo.

Cris: Marília e Otávio, que acabaram de se casar, felicidades.

Ju: Pra Rio Casca, em Minas.

Cris: Jataí, em Goiás.

Ju:Brasiléia, no Acre.

Cris: Tefé, no Amazonas.

Ju: Pra Deb e seu filhinho fofo Diego em BH [MG].

Cris: Cadu que indica a palavra do Mamilos pra geral e fisgou de vez a Bella, que mandou o áudio mais fofo de todos os tempos pra nós, escuta aí:

–//–

Bella: Avemaria, Carlos Eduardo! Você é… uhhhh [risos] Desde que você me indicou o Mamilos, eu comecei a ouvir pra poder fazer a unha, né. Mas assim, eu faço a unha uma vez por semana. Dá trabalho, toma tempo e não faz sentido fazer mais de uma vez porque, enfim, esmalte dura, né? Uma semana, assim… por baixo. Enfim. Aí eu reparei que eu tava ficando ansiosa e tipo esperando o dia de fazer a unha, pra quê? Pra poder ouvir o Mamilos. [risos] Mas eu não consegui mais. Não consegui mais ficar esperando tipo domingo pra poder ouvir o podcast. Então assim, eu tenho baixado uma caralhada dos programas, inclusive tá lotando a memória do meu celular, ele já tá avisando tipo: ‘ó, tá cheio, não consigo mais, não sei o quê’. E é isso, qualquer coisa que eu faço, eu vou tomar banho, vou lavar a louça, vou pendurar roupa, vou colocar a roupa pra lavar, eu vou dirigir, qualquer coisa, qualquer coisa! Eu não ponho mais música, eu ponho podcast. Afe. [risos] Tô viciada no negócio agora e a culpa é tua, tá bom? Eu vou ouvir agora o de adoção, disseram que é muito bonito, eu ouvi o da frente, né, o programa seguinte e aí o pessoal comentou e tudo, como é que foi, e disseram que foi muito bonito, que foi um chororô que só, e bom, eu vou começar a ouvir agora, depois te passo o review. Bom dia procê!

–//–

Ju: O Mamilos é resultado do trabalho colaborativo de uma equipe de fãs apaixonados e muito comprometidos. Na edição, Caio Corraini.

Cris: Redes sociais, Guilherme Yano, Luanda Gurgel e Luiza Soares.

Ju: No apoio à pauta, Jaqueline Costa e grande elenco.

Cris: E na transcrição dos programas, a Lu Machado e a deliciosa Mamilândia. Vem fazer parte dessa equipe! Cê pode mandar um e-mail pra gente pra colaborar com as pautas, pra fazer parte da Mamilândia, e todo mundo é sempre muito bem-vindo.

[Trilha]

Ju: Vamos ouvir o que que o pessoal falou sobre o último programa. Então no Twitter você pode nos seguir no @mamilospod. A_Nelly falou: “Toda vez que escuto o povo do trabalho falando asneira sobre a Síria, tenho vontade de esfregar o @Mamilospod na cara deles. Por favor, escutem.”

Cris: No Facebook você também pode nos seguir. Toda semana tem conversa lá e a gente tá terrível, postando até live. Facebook/mamilospod. A Carol Hempstock disse: “Como é bom expandir os horizontes, aprender e evoluir com vocês! No último cast que tratou, dentre outros assuntos, sobre o caso de agressão no BBB, fiquei muito tocada quando vocês falaram da defesa seletiva das mulheres e que se “mexeu com uma, mexeu com todas”, quem são “todas”? Eu confesso, em minha pequenez de humana que sabe que erra, que ri quando assisti ao vídeo da situação constrangedora entre Silvio Santos e Rachel Sheherazade, mas quando vocês citaram esse exemplo, pegou fundo dentro de mim e me acendeu uma luz de sabedoria: todas devem ser todas mesmo, já que se fosse com alguma mulher próxima a mim eu não riria. Nenhuma mulher merece ter sua opinião e sua pessoa desvalorizadas daquela maneira. Lição aprendida! Já fiz minha parte de disseminar a mensagem e indiquei o podcast aos colegas do cursinho, que já são fãs e mamileiros de coração! Novamente, muito obrigada e que esses Mamilos sejam cada vez mais polêmicos!”

Ju: No B9 você também pode encontrar todos os programas do Mamilos, é só digitar: mamilos.b9.com.br. E lá você pode colocar a sua opinião pra todos os mamileiros ouvirem. O Filipe Bortoletto falou: “Silvio Santos realmente decepcionou muito, ele censurou da mesma forma o Danilo Gentilli de falar acerca de política nos seus programas, mas jamais pôs o Danilo na mesma situação de constrangimento em rede nacional durante uma premiação como ele fez com a Sheherazade.”

Cris: Você também pode nos escrever e-mail, a gente adora receber e responde também. É [email protected] A mamileira e jornalista Marina Salles citou o artigo “Reformar para excluir” do professor do Instituto de Economia da Unicamp Eduardo Fagnani, que questiona a existência do déficit da previdência.
O argumento é de que a contribuição vem de três pilares, sendo eles os empregadores, trabalhadores e o governo. Segundo o Diplomatique, “Para que o governo passasse a ter recursos para cumprir sua parte no financiamento da Previdência, os constituintes de 1988 criaram três novas contribuições sociais: a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido das Empresas (CSLL); a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), cobrada sobre o faturamento das empresas; e parte da contribuição do PIS/Pasep. O famosíssimo ‘déficit’ vem do fato de a área econômica de sucessivos governos não contabilizar a contribuição do governo como receita da Previdência. Desde 1989, a área econômica captura esses novos recursos criados pela Constituição de 1988, e o Ministério da Previdência não considera a Previdência parte da Seguridade”.
“Assim, observa-se que não há déficit, porque existem fontes de recursos constitucionalmente asseguradas para financiar a Previdência. O suposto rombo de R$ 91 bilhões (em 2015) poderia ter sido coberto com parte dos R$ 202 bilhões arrecadados pela COFINS; dos R$ 61 bilhões arrecadados pela CSLL; e dos R$ 53 bilhões arrecadados pelo PIS/Pasep. Ou então pelos R$ 63 bilhões capturados pela DRU e pelos R$ 158 bilhões de desonerações e renúncias de receitas da Seguridade Social”.

Ju: Muito bem. A gente achou que valia a pena colocar esse e-mail, apesar de ser sobre um tema anterior, porque teve bastante gente se incomodando com as posições colocadas no programa, mas não teve… esse acho que foi o e-mail mais… com argumentos mais sólidos pra questionar o que a gente colocou, embora a gente tenha colocado algumas coisas referentes a isso. Então, acho interessante. A gente inclusive mandou para o professor Márcio esse e-mail. O Flávio Nogueira falou o seguinte: “Sou Corinthiano, campeão invicto da libertadores e mundial, brincadeiras à parte, frequento estádios há bastante tempo, ao meu ver esse tema nunca é tratado com seriedade, a imprensa generaliza de todas as formas possíveis misturando a questão da violência com a festa promovida pelas arquibancadas, como se todo torcedor uniformizado fosse um criminoso psicopata em potencial. A Gaviões da Fiel, maior torcida organizada do Corinthians, nasceu nos anos 60 para lutar contra um presidente extremamente autoritário que assombrava o Parque São Jorge, presidente esse que chegava a contratar pugilistas amadores para intimidar seus opositores. Vale lembrar também que o aumento da tensão entre o Estado e as organizadas se deve muito aos protestos realizados por essa torcida contra o então presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, antigo procurador responsável pela questão das organizadas, e que estava no centro das denúncias do escândalo da merenda em nosso estado. Esse e tantos outros exemplos demonstram como as torcidas organizadas transcendem o campo de futebol para outras esferas da nossa sociedade. A questão da violência não pode ser analisada de forma independente do sintomático abismo social que impera em nosso país há tanto tempo; somos um dos países mais violentos do mundo e por que isso não transpassaria ao futebol? As torcidas organizadas de certa forma conseguem dar voz e uma identidade a centenas de integrantes de camadas sociais extremamente marginalizadas. Isso gera bons frutos mas também gera problemas de diversas naturezas, inclusive a questão da machismo, homofobia e racismo em algumas torcidas. Se traçarmos um paralelo, nada mais é que um reflexo de nossa sociedade, só que mais concentrado, ao ser expressado por um grupo. A festa realizada nas arquibancada pelas torcidas organizadas, especialmente em SP, está sendo banida há décadas, estão pasteurizando um esporte historicamente popular, elitizando as formas de acesso como se o problema fosse a presença de classes sociais menos privilegiadas, somando-se a inabilidade do Estado em lidar com a situação, proibir é mais fácil que prevenir e conscientizar. Infelizmente estamos caminhando a passos largos para uma partida em que não tenhamos mais torcida.”

Cris: A Nivia Bellos disse: “Mesmo os últimos temas serem pesados e difíceis de encarar. São um mal necessário, sabe? Sei que andamos por tempos difíceis, mas se não encarar o problema de frente – quando vamos resolver? Seria ótimo ter uma solução mágica e poder resolver em X tempo. Mas se levamos tempo pra construir um problema, também resolver vai levar tempo. Eu digo isso porque eu escuto muito rádio – principalmente sertanejo por ser o estilo musical que mais toca. Ao mesmo tempo que gosto da melodia, eu paro pra pensar no teor das músicas: relacionamentos de posse, abuso de álcool, falta de respeito.
Só um exemplo da música Malbec (Henrique e Diego):

E vem pra cá dançar na minha frente
Rebola que a gente se entende
Vem que a noite é nossa e até a lua
Tá querendo minha boca na sua
Hoje eu te levo pra casa antes do sol nascer
E bem malandramente eu vou dominar você
Eu sei que você gosta da cama bagunçada
Com vinho malbec você não me nega nada
Hoje a festa é lá em casa só eu e você
Taca, taca, só pra ver você descer
Hoje a festa é lá em casa, dj mete a pressão
Ela fica louca, louquinha, perde a razão

Por melhor que seja a música, sempre que escuto a parte destacada, eu questiono ‘como assim tu não nega nada? A moça pode não ter condições de negar!’. Ao meu ver, eu vejo muita relação com o episódio 104 e com o 99 – infelizmente nós temos uma sociedade que é machista, dependente de substâncias químicas (pois não beber é errado, você é o brega) e não sabe como canalizar a os sentimentos ruins (você gritar, bater é sinal que você é desequilibrado. E não que tu tem um sentimento com o qual não sabe lidar. Ninguém ensina a como lidar com frustração – você engole o choro). E isso está tão dentro do sistema que cantamos isso sem perceber. O problema não é o cara ir torcer para seu time ou cantar “Malbec” – e sim não perceber que é errado e simplesmente reproduzir, sem questionar nada. Eu tenho a impressão que ao mesmo tempo que vemos mais coisas erradas também é o melhor momento de arrumar – pois só arrumamos aquilo que percebemos como errado.”

[Trilha]

(Bloco 2) 11’12 – 20’59”

Ju: Vamos então pro Trending Topics, porque esse programa vai ser curto gente, vamo lá! Quem tá com a gente hoje: Thais Fabris. Quem é você na noite Thais, além de uma tigresa, de unhas negras, unhas cor de mel?

Thais: Uma deusa, uma louca, uma feiticeira… [risos] Consultora em comunicação com mulheres na 65/10. Que mais? Ah, quando me perguntam o que eu faço eu digo: eu faço sucesso. [risos] Que horror né, vocês já me conhecem, né gente…

Ju: A Thais é integrante do Banheiro Feminino, o grupo mais bombado e secreto da internet. [Thais: Sou] Que tem apenas quatro integrantes: Eu, Cris Bartis, Thais Fabris e Gica. É um grupo extremamente exclusivo. [Thais: todo mundo quer entrar, mas…] ninguém pode. Extremamente exclusivo. E quem mais tá aqui? Oga Mendonça, a voz mais incensada desse Mamilos.

Oga: Eu odeio quando você faz isso, minha voz nunca sai boa… [risos] Eu sempre acho que ela sai da pior forma…

Ju: Todo mundo ama essa voz…

Thais: Você devia vir com um balão de gás hélio.

Oga: Putz, ia ser ótimo! Trarei, trarei.

Ju: As pessoas ficam muito doentes na voz dele, sabe? As pessoas se descontrolam…

Thais: Porque elas não conhecem ele pessoalmente… [Oga: isso é um elogio?] Pessoalmente é muito melhor, não! Foi horrível, né?

Ju: Mas você pode ver ele no live e ver como é, colocar um rosto nessa voz que você ama tanto… tá aí… no Facebook.

Oga: Mas o live ele tá dando um spoiler, né, dos convidados…

Ju: Tá, mas essa é meio que a ideia. Você pode ter um teaser… [Oga: ser um privilegiado, se você tá vendo por lá] Exato. Cris, com essa gente fantástica, vamos começar com o giro de notícias, rapidamente?

Cris: Vamo lá! Tem duas coisas que vocês precisam saber, então dêem uma olhada. A primeira delas é: Ressaca da abertura de inquérito na Lava Jato. O presidente Michel Temer tem concedido uma série de entrevistas para minimizar o choque com as delações da Odebrecht e continuar sua ofensiva pela reforma da Previdência. Enquanto isso, em matéria no Estado de São Paulo, Cunha escreveu à mão uma carta sobre Temer e garante que o presidente não disse a verdade em sua entrevista à Band, que aconteceu no sábado. Ele teria trabalhado, sim, pelo impeachment de Dilma Rousseff. Segundo o ex-presidente da Câmara, Temer quis avaliar pessoalmente o parecer da abertura do processo. “Foi um debate e considerado por ele correto do ponto de vista jurídico”, isso foi o que Cunha disse.

Ju: Gente, esse cara ainda vai dar muita dor de cabeça, aguardem. Flexibilização da reforma da Previdência: sob pressão, o governo voltou a ceder na Previdência. O Globo noticiou que o tempo mínimo de contribuição para aposentadoria integral, que era de 49 anos, passou a ser de 40. O tempo mínimo para qualquer benefício será de 25 anos para homens e 23 anos para mulheres. O Planalto se abraça aos 65 anos como idade mínima de aposentadoria ao fim da transição como símbolo de que conseguiu alguma coisa. Pelo jeito caminhamos para que o Prof. Márcio Holland citou no Mamilos 103, que abordou esse assunto: “teremos essa reforma, mas em breve teremos que ter outra”.

Thais: Posso complementar, Ju? [Ju: pode] Eles voltaram atrás também na idade de homens e mulheres pra se aposentar, que antes eram ambas com 65 anos, mas teve uma grande influência da bancada feminina do congresso pra que a idade mínima pra mulheres seja 60 anos e pra homens seja 65, porque as mulheres têm a dupla jornada ainda.

Ju: E eles mudaram isso na… [Thais: Vão mudar isso na lei.] Bom, a gente discutiu isso no programa, o que que a gente acha tá lá, se você ainda não escutou e se você achou: “ai, que tema chato, preferia não ter que falar sobre isso”, amiga, você vai ter, né. Então, melhor em boa companhia. Encara. Vamo lá! [Cris: velhos ficaremos, melhor ter conhecimento] Escute, busque conhecimento.

Cris: Vamos então ao Trending Topics número 1. O tema é: o fim dos sites Egos e Paparazzo e a nossa relação com a fofoca. Qual é o fato? Segunda dia 17, agora, por meio de uma nota, a Globo informou que, depois de 11 anos no ar, iria descontinuar o site Ego, destinado a acompanhar a vida das celebridades e o seu braço Paparazzo, destinado a ensaios sensuais de famosos. Por meio de uma nota, eles informaram que vão concentrar o foco e a estratégia de conteúdo nas verticais de jornalismo, entretenimento e esportes. Informaram ainda que a plataforma tem hoje 13,2 milhões de visitantes únicos, mas que a decisão de encerrar o canal vem de uma reflexão sobre a evolução do mercado de notícias de celebridades no Brasil e no mundo e das novas dinâmicas de interação entre artistas e seus fãs pelas redes sociais. O G1 fica a cargo de cobrir factualmente aspectos relevantes na vida de qualquer personalidade pública. A internet ficou de luto e lembrou manchetes muito relevantes do Ego, como: Caetano estaciona no Leblon; Diego Alemão faz a barba e coloca foto no Twitter; Grazi Massafera deixa a academia com o celular na mão; De óculos, irmã de Neymar sorri; Mulher Maçã relata experiência mediúnica com Steve Jobs; Chico Buarque compra baguetes para o lanche da tarde, entre outras. O Mamilos quer saber: por que nos interessamos por fofocas e, em especial, pela vida das celebridades? Vamo lá gente, vocês tem alguma dica ou conhecimento de onde vem a fofoca? De onde surgiu esse hábito e pra que que ele serve na nossa vida?

Thais: Vou dar um palpite de quem cresceu no interior. [risos] No interior a gente fala muito da vida um do outro, porque não tem assunto. Eu acho que hoje muda um pouco porque o que não falta na internet é assunto, né, a gente sabe muito sobre muita coisa e até dá aquela sensação de “meu Deus tá acontecendo muita coisa e tudo é ruim”. Mas no interior não é bem assim, cê tem que falar da vida do outro pra ficar sabendo o que que o outro tá fazendo, porque senão você não tem assunto e isso é uma cola que une a sociedade, porque cê fala do um pro outro, vai pro outro e fala do um, volta, é um leva e traz danado.

Ju: Mas é um jeito da gente aprender também, né? Porque…

Thais: Sim… acho que aprender as fronteiras do que é aceitável na sociedade, sabe?

Ju: Exatamente. E também de aprender como as coisas funcionam e de aprender, então assim… “Cê viu a fulaninha: ela fez isso, aquilo e aquilo outro”, então isso existe, isso é feito, como é que as pessoas se relacionam. Então assim, a fofoca vai dando os limites e os parâmetros, mas também vai estabelecendo caminhos, né. Então a gente vai aprendendo como se relacionar em sociedade vendo a vida dos outros. A gente já falou num outro programa sobre neurônio espelho, de que a criancinha ela vai aprendendo por imitação e isso não para quando você tem, sei lá, dez anos. A vida inteira a gente tá olhando pela janela, na janela indiscreta lá, pra saber o que que o outro tá fazendo e a gente molda a nossa vida e o que a gente faz espelhando o comportamento dos outros também.

Cris: É muito interessante porque a fofoca ela foi foco de estudo na universidade de Oxford e eles fizeram uma série de levantamentos e chegaram até aos primatas. Quando a gente vivia em ciclos menores, a gente precisava conhecer intimamente os outros pra saber o limite, como lidar, o que esperar de cada um, porque o bando precisava se dividir entre quem vai construir, quem vai caçar, quem vai vigiar… só era possível dividir os grupos de acordo com as habilidades que cada um tinha. Pra conhecer as habilidades, as pessoas tinham que se conhecer intimamente, então tinha muita observação e muita troca de informação. Quando a gente ia… E é por isso, Thais, que quando você fala: “poxa, no interior…”, então tem muito a ver com grupos sociais um pouco menores, que é quando a gente tem esse hábito que a Ju falou que é: “pô, você acaba aprendendo…” Então você observa, você troca informação, você separa mais ou menos as pessoas e utiliza essas pessoas com as habilidades nos melhores locais ali. Então na verdade isso vem da era primata mesmo, de querer entender melhor, de querer conhecer melhor, de querer imitar um pouco…

Ju: De categorizar, né? O Invisibilia ele tem um episódio sobre como é inerente ao nosso cérebro, a gente só sabe entender as coisas através de categoria. Então eles mostram o estudo de bebezinho, de como eles separam tipo: cachorro é uma categoria, gato é outra categoria. Mas bebê assim, quatro meses, cinco meses, eles já conseguem categorizar coisas. E como a gente vai sofisticando isso ao longo da vida e como isso é essencial pra gente entender o mundo, porque a gente automatiza coisas. Então por exemplo, é muito importante você saber a diferença entre uma corda e uma cobra. Cobra tá na categoria perigo. Corda não tá nessa categoria. Então você reage de acordo com a categoria que as coisas têm. E a gente faz isso pra tudo. Pra todas as pessoas, pra todas as situações. A fofoca é um tipo de categorização. Bizarra. [Thais: que é pra você saber o que esperar do outro… ] pra saber o que esperar do outro e como reagir, e que espaço ele merece ter na sociedade, nas suas relações e tal.

Thais: Mas qual que é a função da fofoca sobre gente que a gente não conhece?

Cris: Então, é aí que começa a ficar interessante. Porque se a gente traz pros dias atuais, esse estudo divide a fofoca em três grandes grupos. E aí o negócio vai ficando mais elaborado, porque a sua cidade vai ficando maior, porque envolve mais gente na conversa e é muito interessante. A primeira eles chamam de fofoca-jornalística, que é essa indústria milionária aí que a gente vê que tem “onde há fumaça, há fogo”, então ficam ali perseguindo figuras públicas como a gente vê casos célebres, como a princesa Diana e a Britney Spears e tudo mais, porque querem estampar a lógica do convívio dessas pessoas dentro da microesfera dela e tornar isso uma macroesfera. A outra é a fofoca-jabá, que é aquela mais bizarra do mundo, a gente tá super acostumada com capas de Caras tipo: “fulano se separa e vai para Paris pensar”. Então é aquela que basicamente a pessoa quase… a pessoa paga pra aparecer, ela não é uma notícia… essa é a que mais irrita porque se você tiver um… cê fala: “quem que é essa pessoa, gente?” Com um mínimo de bom senso você percebe que aquilo foi plantado, não faz sentido. A pessoa avisa os paparazzi onde elas estão pra ser capturados porque a pessoa quer ser notícia, quer tá em foco, porque ela não quer sumir… Então essa é a fofoca-jabá. E o mais engraçado que é a fofoca-intelectual, que é aquela praticada diariamente pros empresários, esportistas e políticos. [Ju: por todo mundo cara, por toooodo mundo…] O que eu acho mais interessante da intelectual, que é porque ela cai na grande mídia, que é aquilo: “não, eu não vou me expor, eu não vou ligar pra um paparazzi, mas eu também não chego a ser notícia mas eu quero implantar uma ideia, eu quero que as pessoas conheçam a minha ideia”. Então ela faz grandes chamadas, coisas elaboradas, pra que ela apareça, mas aí não foi ela que pediu pra aparecer.

(Bloco 3) 21’ – 30’59”

Ju: Como que é aquele negócio da… tem colunas que são disso. É “Poder”, na Folha. Sabe? A coluna da Mônica Bergamo, é só uma coluna de fofoca.

Thais: O papo do café no escritório também, né…

Ju: Exato! Exatamente, mas é uma coluna… [Cris: É gente poderosa fofocando] é, mas é uma fofoca que movimenta milhões, uma fofoca que… Porque assim, aí é que tá, quando a gente coloca a fofoca como uma coisa menor, você não considera que nós somos seres sociais e que essa informação é poder.

Thais: Jogo político é, em grande parte, baseado em leva e traz, né. [Ju: E economia?] E enfim, em informações que só eu tenho e posso te passar…

Ju: E economia? Eu sei antes que a sua empresa vai comprar uma mina e aí tem potencial de lucro muito maior e então eu vou comprar a ação antes e não sei o quê… Ou eu sei antes ou eu vou implantar um boato de não sei o quê porque aí as suas ações vão baixar e aí eu vou comprar. Entendeu? Então enfim, economia é muito boataria também, embora a galera adore falar que é número, exatas versus humanas, na realidade também é/depende de pessoas, de relações e tá muito suscetível a boato, fofoca e etc.

Oga: A gente sabe que isso tem um valor mesmo porque você tem agências de PR, né? Quer dizer, e agências de gerenciamento de crise. Quer dizer, esse lance da fofoca ele vai crescendo num nível que você precisa ter gente que consiga controlar e saiba trabalhar com essa informação enquanto ela valer. [Thais: manejar a fofoca, né…] Então isso é muito maluco. Mas eu gosto muito desse gancho de, agora os próprios artistas eles têm um controle sobre a privacidade e sobre a informação que eles querem vazar. Então realmente, ao mesmo tempo que o Ego fala “putz, a gente não sabe como se posicionar”, eu fico muito impressionado vendo como o Youtube soube fazer isso. Então tem um canal que chama Treta News, ele reproduz todas as notícias de youtubers. Aí tem o canal Ok Ok, que é do filho do Rubens. [risos] [Cris: Que maravilhoso!] Então assim, é genial, ele faz tipo, é um canal (o filho é o dono da agência dos canais, do Ok Ok, enfim, da rede de youtubers, a Snack) e o cara criou um canal de fofocas pop. A gente tá num segundo momento disso, né. Teve um primeiro momento que era aquele momento dos blogs: o Morri de Sunga Branca, o Te Dou um Dado, que ainda continuam… A gente viu que tinha um outro jeito de se relacionar com as celebridades, que era zoar elas muito, tipo tirando sarro delas, que era um pouco o que já rolava na idade média. Tipo assim, os plebeus zoavam, faziam piadas, faziam pixos sobre os reis, inventavam histórias sobre os reis. Então você fala assim: “cara, que louco”, a gente teve uma época de endeusar esses mitos, né, então você ali ficava admirando de longe… sei lá, a beatlemania, eram seres intocáveis. De repente a gente já começou a se igualar com eles com a internet. Eu me lembro a primeira vez que eu falei com um MC super underground no meu Myspace, o cara respondeu pra mim. Foi tipo muito incrível. E aí ao mesmo tempo chegou a um ponto da gente banalizar esse caras, e agora essas celebridade e subcelebridades elas começam a usar pra coisas absurdas, por exemplo, mesmo o Ego deu essa notícia que foi incrível: Erika Canela está removendo tattoo com o rosto de Trump: “Ele me decepcionou”. [risos] Calma, calma. Erika Canela, miss bumbum de 2016 – caso você não saiba… [Cris: Quem não sabe?] está quase tendo uma bomba nuclear aí e você não sabe quem é a miss bumbum de 2016. Tipo, essa mulher chegou a fazer uma tatuagem do Trump pra depois ela apagar. Então a gente começa a lidar com gente que tá num grau de sofisticação (ou de loucura) pra manipular a fofoca… E tipo assim, a pessoa expõe a imagem, o corpo, a saúde… pra aparecer assim.

Cris: Gente, depois que a gente teve um [faz som de Piiiii] verde no carnaval, não temos como expor mais nada não é mesmo, amigos?

Oga: Mas é muito louco né, porque ao mesmo tempo…

Thais: [interrompe] Também são as pessoas que são famosas por serem famosas, né? Que são famosas por manipular… [Cris: Tipo a irmã do Neymar… ] É porque a irmã do Neymar ainda que o Neymar é famoso e aí ela tem alguma relevância mas sei lá, a miss bumbum…

Oga: Mas eu piro nos amigos do Neymar… [risos] O cara ser famoso porque ele é truta do Neymar… [ Thais: Profissão: amigo do Neymar] Cara, isso… e já tinha do Romário, né. Genial. [Cris: É da hora!]

Thais: Vamo no extremo disso, as Kardashians. Elas são famosas por serem famosas. [Oga: Depois elas conseguiram, né…] Por manipularem esse universo da fofoca e não só da fofoca mas da revelação da sua intimidade, porque daí tem o lance do reality show, que também tá por trás disso, né.

Ju: É, aí eu já ia falar. Elas são famosas por saberem manipular conteúdo. Se o conteúdo é, a gente é voyeur desde que o mundo é mundo, a gente tem interesse por observar a vida do outro porque é através de observar a vida do outro que eu reflito sobre a minha vida. Então, assim, não importa se tem um academicismo nisso, ou se é um saber nato, elas entendem o que as pessoas querem e sabem manipular isso e souberam usar isso pra construir fama. Eu acho que é outro saber. Que é uma coisa que a gente fala na agência que é assim, quando você vai fazer coisa digital, às vezes você vai tipo, sei lá: “então eu quero fazer um programa tipo um ‘Chegadas e Partidas’ no Youtube, aí eu vou chamar a Astrid”. Cara, não. Porque a Astrid ela funciona num canal que já dá audiência pra ela. E a audiência tá aqui e então ela faz um programa que tá roteirizado pra ela, ela vai e ela é muito boa no que ela vai fazer. O cara do Youtube é um cara que sabe, saindo do zero, zero views, construir alguma coisa. As Kardashians têm isso. Elas saem do zero views e vão construir alguma coisa. É claro que elas saem da TV e tal, mas assim, elas sabem construir audiência. [Cris: Não tem um veículo por trás, né] Elas sabem como entregar conteúdo, entregar o que as pessoas querem e se manter sempre interessantes e sempre tem alguma polêmica nova, e sempre as pessoas querem mais e mais delas e elas lançam um aplicativo…

Cris: Você não consome elas, elas te consomem. É surreal. Não tem como ficar imune. Entrando nisso, especificamente quando a gente entra em celebridades, que era isso que a Thaís tava falando, porque é que a gente se interessa, né, tem um ponto de vista muito legal do antropólogo Jerome Barkow que ele fala, a tese dele é: como você vê a celebridade o tempo todo, ela começa a ficar familiar pro seu cérebro, que é o caso das Kardashians. É um programa que eu nunca vi mas eu sei quem são elas. Porque elas são… o conceito de ubiquidade que a gente trabalha tanto… “ah, a sua marca tem que ter ubiquidade”, ou seja, ela tem que tá em todos canais, com coerência em cada canal. Meu, Kardashian é case. Elas fazem isso muito bem. Então, o que esse antropólogo fala é que de certa forma os nossos cérebros eles são levados a sentir como se houvesse intensa familiaridade com essas pessoas, o que nos leva a saber mais sobre elas, porque afinal de contas você acredita que você vai aprender alguma coisa com ela. [Thais: Porque afinal ela é famosa.] É o que a gente chama de relação parassocial. Você conhece muito aquela pessoa, então ela te influencia muito mais do que na verdade ela deveria porque o seu cérebro começa a falar “isso é familiar, então fique atento”. E aí quanto mais ela aparece, mais familiar ela é pra você, mais você entende que você pode aprender com ela. Seja a irmã mais nova lá que é super de moda, a outra que faz umas maquiagem lá que parece que, nossa, demora muito aquilo, [risos] não sei como é possível.

Thais: Acho que a gente vê mais as Kardashians que algumas pessoas da nossa família, né?

Cris: É. Porque se você abrir a internet você vai ver. Não tem como passar. Lembra quando a gente só tinha banca de jornal e você passava na banca de jornal e via tudo? É como se você passasse na banca de jornal e tem Kardashian em todos os lugares da banca. [risos]

Ju: Mas sabe uma coisa que eu acho interessante que até você colocou na pauta é que assim, a diferença da nossa imprensa de fofoca com a gringa. Que cara, quando você vai pros Estados Unidos eu vi capa de… é muito agressivo, né. Porque a gente tem um lance de ter uma certa admiração e um certo respeito e um certo… a gente não expõe tanto. Então assim, as nossas fofocas são meio que isso que a Cris leu na abertura: “fulano saiu de chinelo”, “ciclana também gosta de beber café que nem você”, então não tem nada muito…

Oga: [interrompe] É, só os blogs tinham esse tom mais agressivo, né.

Ju: Não, mas mesmo que seja agressivo, isso que eu achei interessante assim. [Oga: Era mais pro humor.] A gente não expõe tipo, tem cara falando que “já tirei várias fotos de famoso com o nariz cheio de cocaína e isso eu não consigo vender”. [Oga: Ninguém publica.] Porque as pessoa primeiro: não querem publicar porque tem a questão legal no Brasil que é muito mais severa que em outros países, e segundo: porque no final do dia também o público não quer ver esse tipo de coisa, entendeu? E eu achei isso interessante, dessa diferença.

Cris: O brasileiro não quer ver reportagem depreciativa de uma pessoa que ele gosta, não quer ver. Então, a gente até pegou uma fala do Gabriel Reis, que é um paparazzo que tirou as fotos do Adnet traindo a Dani Calabresa, ele foi jurado de morte porque ele invadiu a intimidade, fez ela ficar triste, ele ajudou a destruir um casamento. Então, o que acontece…

Ju: Mas é meio bonitinho, não é? O nosso jeito de se relacionar…

Cris: A gente é passional demais.

Thais: A gente é carinhosinho. Ou a gente é hipócrita, não sei.

Cris: Não, eu acho que a gente é carinhoso mesmo.

Ju: Por que que você fez isso com ela, né? Uma mina tão legal, tão querida… Uma coisa é a gente brincar de ver a intimidade dela, mas ninguém tá querendo destruir a vida dela por causa disso. Vamo ser legal, vai…

Thais: A gente não vê realmente explorando vício em droga, muito pelo contrário, quando tem algum famoso que se descobre que tem um vício ele é super acolhido. [Ju: Abafa… ] Tem gente que abafa, mas sei lá… o Fábio Assunção foi super acolhido.

Cris: Todo mundo ficava: “tão bonito, gente, ele tem que se tratar”; “tão lindo, que dó”. [risos]

(Bloco 4) 31’ – 40’59”

Oga: Mas eu não sei, gente. Eu fico na dúvida assim, porque, a Amy Winehouse não foi. Eu fui num show dela aqui no Brasil, as pessoas tavam gritando e tipo, emocionados quando ela caía, quando ela tava muito bêbada caindo. Então também acho que a gente é meio relativo…

Ju: Não, mas é que o caso dela eu acho que tem toda uma aura diferente, acho que o documentário tratou muito bem sobre isso, foi uma coisa bem cruel.

Oga: Mas eu acho muito louco ver a reação aqui das pessoas. [Cris: É que eu acho que constrói, né…] As pessoas tavam no Anhembi torcendo pra mulher cair, entendeu? Acho que a gente também tem uma maldadezinha, eu acho que tem uma questão, principalmente nessa questão conjugal que é o velho ditado, assim, “em marido e mulher ninguém mete a colher”. Eu acho que tem um quesito machista mais do que cuidar nessa relação, sabe? Porque tem várias coisas que a gente deixa se expor, então assim, criança aparecendo semi nua pra gente é normal e pra um americano seria um escândalo. Eu acho que lá eles têm uma lógica de adulto. Eu lembro de ver uma capa acho que da People, da Whitney Houston quando ela tava mega craquera, quase morrendo… Tipo, pros caras é isso toda semana. Bolão de quando ela morre. A gente faz bolão de quando o artista vai morrer. A gente também tem essa maldadezinha. [Ju: Mas num vai pra revista, Oga.] Não, não vai… [Ju: Não vai pra capa da revista, tem lugar pra isso.] Nos Estados Unidos faz isso… [Ju: Isso é deepweb, vamo botar o lugar das coisas…] Mas eu só acho que assim, nenhuma editora bancou fazer isso porque não teriam anunciantes. Nos Estados Unidos eles têm outro jeito porque assim, nos Estados Unidos você consegue manter uma revista com assinatura. No Brasil não dá. É da minha experiência de trabalhar em revista. Então é assim, se tivesse como uma revista se manter com assinatura, eu acho que assim, óbvio é muito diferente o nosso humor. Tava conversando com uma amiga francesa. Realmente, o francês é mega agressivo, tipo numa discussão que a gente não entendia o Charlie Hebdo, pros caras é meio natural aquele grau de de piada e que a gente fala: “velho, isso beira o mau gosto”.

Cris: Para, maluco! [risos]

Oga: Né? Tipo assim, eu vou dar um tapa na tua cara, né. Já acabou a brincadeira.

Cris: “Você tá me constrangendo com o seu humor, sabe?”

Oga: Justamente! Então assim, eu não sei se a gente é bonzinho. Acho que a gente é bonzinho com as coisas diferentes. Óbvio, a gente pira na vítima. A gente gosta de defender o mais fraco. [Cris: A gente curte.] Né? A gente curte. Então se o cara é oprimido a gente defende. Mas é aquele defender meio bizarro porque ao mesmo tempo que você tá defendendo você tá falando mal do outro… Cara, você quer sempre parecer ser o bonzinho. E isso eu acho meio estranho, sei lá, da nossa sociedade.

Thais: Eu tenho uma outra teoria também que é: será que a gente não é mais bonzinho porque os donos dos sites de fofoca e das revistas de fofoca são os mesmos que são os patrões das grandes celebridades, que têm elas nos seus canais de TV? [Ju: E não podem depreciar seu produto?] E que também são pagos pelos anunciantes que tem essas celebridades como garotos-propagandas? [Cris: Oh, meu Deus! Que inception!] Será? Será que a gente não é bonzinho?

Cris: Eu não gosto de ver coisa ruim dos outros…

Oga: Então, mas é porque isso também já mudou né, cara. Se pensar que agora tem celebridades que são independentes de verdade. Tipo, mesmo essas do Youtube elas não são depreciadas na Globo porque é do Youtube. Mesmo assim, eu trabalhei na Abril e na editora Globo. Eu lembro que quando eu fui pra editora Globo eu falei assim: “cara, porque é que a Globo nunca vetou que saíssem pessoas da Globo na Playboy, por exemplo?” Durante muito tempo as maiores vendas da Playboy eram as mulheres que saíam do BBB. E assim, cara, é uma estratégia comercial, né. Você tem um contrato com a Globo, você não sai em nada da Abril. Mas a gente percebe que, eu não acho que é só essa questão, sabe? Eu acho que tem uma questão comercial muito clara. “Cara, eu não tenho anunciante, e se eu não tenho anúncio eu não consigo manter a revista”. Isso é muito pesado. Foi o que aconteceu agora com os Youtubers, né, quando descobriram que o Youtube botava anúncios de algumas marcas em vídeos com conteúdo de ódio. Então assim, realmente a maioria dos vlogueiros ficaram putos porque um monte de marca gigante nos Estados Unidos parou de anunciar, então uma Apple não queria ver um vídeo dela sair numa boca de um cara da extrema direita falando coisas nazistas. Esses caras saíram todos do Youtube. Baixou muito a entrada de dinheiro no Youtube. E isso foi prejudicar os vloggers no final. Eles que pagaram a conta. Então cada pageview… não é pageview, né… enfim, a outra métrica. Cada métrica de view que o youtuber recebia diminuiu por causa disso. Então eu acho que muito desse comportamento da exposição das celebridades na mídia, eu acho que ele é simplesmente pautado por grana. Eles não tão vendo assim: “ai, as pessoas vão gostar mais disso ou daquilo.” Eu acho que não cara, eu acho que é uma construçãozinha baseada tipo, “meu, eu preciso agradar o meu anunciante antes do meu público”, sabe?

Cris: Oh, há um tempo atrás por um motivo nis, eu não sei o que que é que eu tava trabalhando, que tinha a ver com celebridades que eu entrei num blog, e eu vou falar que nem ela, “um blog de uma jornalista muito famosa e tem um blog sobre fofoca…” , porque todas as notícias dela são escritas assim: “um ator que está no ar na novela das 18h e que mora no Leblon…” sabe? Tudo é escrito assim. É um nível de depreciação do ser humano e de exposição das pessoas que você… o jeito mesmo que ela escreve sempre falando: “um ator de tal lugar se encontrou secretamente com uma atriz da novela das 19h”. Gente, aquilo faz mal demais da conta! Me deu uma coisa ruim de ficar lendo aquilo. É Fabíola alguma coisa. [Oga e Thais: Reipert.] Isso mesmo. E aí eu fico pensando porque, a gente comentou aqui no Mamilos há bastante tempo uma série que a gente gostou muito que é a [The] Newsroom que é a respeito de jornalismo e o âncora, né, o personagem principal ele namora uma menina que é a Fabíola…

Ju: É uma pegada, vai! É uma pegada só, não tem consequência, ele se arrepende… [risos]

Thais: Olha a Cris fazendo fofoca do personagem.

Cris: Olha só!

Oga: Ih, spoiler!

Cris: Não, mas isso não atrapalha. A discussão é muito interessante porque ele fica com essa menina, uma mulher extremamente inteligente e culta e tudo mais e ela trabalhava nesse mercado. Ela era a Fabíola o que mesmo? [Oga: Reipert] Reipert lá dos Estados Unidos. E o cara não aceita, ele fica olhando pra ela e falando: “meu deus, mas como pode uma mulher tão inteligente, tão culta, porque você tá falando sobre fofoca?” E aí é bem interessante o que desenvolve na cena nessa época e eu lembrei bastante disso fazendo essa pauta. Porque na verdade os jornalistas que fazem isso, o Leão Lobo que é o mais conhecido e que eu acho até carinhoso o jeito, até a Fabíola e tem o Léo Dias que também é bastante conhecido. Esses três são os mais conhecidos. Inclusive esse editor da Contigo! ele fala que eles são meio estereotipados, que não são todos os jornalistas assim, mas são os que a gente mais conhece. E assim, deve ser um jornalismo difícil de fazer, porque você tá fazendo um negócio muito vazio, né, a pessoa também acaba virando um personagem pra que ela consiga fazer isso no dia-a-dia, eu acho.

Oga: Eu não sei cara, tem um lance que é muito louco quando você começa a trabalhar com gente conhecida, eu faço um trabalho com músicos, né, a maioria não tão pop gigantescos, mas que são conhecidos. Cara, tem um lance do feedback que é foda. É outro tempo cara, é isso, um post da Quem tem uma resposta tão rápida, tem um odeio/amo que eu acho que, putz, o cara se sente mais preenchido talvez do que um jornalista que faz uma coisa que não tem um feedback na hora. [Thais: Você tá lidando no campo das paixões, né.] Esses jornalistas eles viram celebridades. Então a Fabíola Reipert ela é uma celebridade também. [Cris: Ela também, né.] Ela tem esse peso. Então assim, é uma coisa que eu acho que é quase pré vlogger. Eu acho que eu entendo que é a coisa que o youtuber gosta de ser, sabe? Você vira uma celebridade, você acaba quebrando aquela quarta parede, sei lá, de jornalismo, a questão da ética. E pra eles, eu via isso conversando com a galera da Quem, com alguns amigos, pra eles, eles entendem muito mais como um entretenimento do que passar uma informação. [Cris: Sim.] Eles trabalham no campo do entretenimento, gente, vocês tão levando isso muito a sério. É óbvio que tem essa ética, “pô, num vou publicar um cara que pode me processar ou posso destruir a vida dele mesmo”, tipo, porra, tem um limite. Mas eu acho que quem tá nesse jogo tá muito mais pelo entretenimento e ao mesmo tempo é muito instigante porque você bota uma parada, cê já tem uma resposta na hora, tipo, apaixonada e gigante.

Cris: Tem os fã clubes que vem defender, e tem as pessoas que destilam: “é isso mesmo, merece”. E aí a gente entra no que é mesmo informação ou invasão de privacidade. E aí a Ju já pincelou um pouco aqui, a gente tem uma legislação bastante severa sobre isso, tem artistas que recorreram à justiça tipo Carolina Dieckmann e tudo mais, e conseguiram na justiça assim tipo: “não quero ser fotografada, não tem direito de tirar foto na frente da minha casa”. Então aqui ainda tem muito disso. Fora, até o termo mesmo paparazzi que eu nem sabia, pesquisando pra pauta eu descobri que vem do filme do Federico Fellini, é muito antigo, que tinha um personagem que tirava foto de pessoas famosas e o sobrenome do cara era Paparazzo e isso acabou puxando o termo mesmo, institucionalizando isso pra sociedade e um dos casos mais célebres que a gente tem que é o da morte da princesa Diana em 97 que fez começar a explodir isso mesmo, desses caras que tiram foto, que não levam uma vida muito fácil né, é quase NetGeo, você fica olhando duas horas pra ver se a pantera passa no meio do mato. [risos] E agora sem o Ego eu acho que fica mais complicado ainda. E entra muito isso das redes sociais né, porque se hoje você fala um negócio sobre a celebridade, ela vai na hora e faz um live ali no Facebook e desmente, ela não depende de um veículo, ela é veículo.

Thais: Você vê as próprias mulheres da Globo que se uniram pra criar o “chega de assédio”, né. Elas conseguem subverter a empresa pra qual elas trabalham, né. Elas ganham um peso tal, porque elas dominam as redes sociais delas, elas dominam a sua própria audiência, que elas conseguem ir pra cima da Globo.

Oga: E é muito louco né, porque foi um movimento que começou primeiro pelas funcionárias que não tinham essa exposição, e aí quando algumas atrizes de peso começaram a twittar nas suas próprias redes e instagramizar isso, a coisa realmente ganha uma relevância que até a própria Globo depois capitaliza. Porque depois vai todo mundo pra Fátima. E aí, à noite a Globo não é responsabilizada pelo conteúdo que ela mesmo criou, por aquela agressão que ela mesmo disse ok e estimulou. Isso é muito maluco mesmo.

Thais: Mas é obrigada a tomar previdências que ela não tomaria se não tivesse esse movimento.

Cris: Exato.

Oga: Justamente. Então no final ela capitalizou em cima de um erro que ela fez, não gerou uma discussão profunda, então não sei se isso é o lado bom da fofoca ou o lado ruim. [risos] Eu acho que é o lado ruim. Mas enfim, dessa indústria de celebridade, entretenimento…

(Bloco 5) 41’ – 50’59”

Cris: Eu acho que é interessante a gente descobrir que existem dois lados e só pra encerrar o assunto pra gente amarrar, só falar rapidinho sobre uma psicóloga belga chamada Charlotte Backer que ela faz uma diferenciação. Ela fala sobre a fofoca de aprendizado e a fofoca de reputação. E essa de aprendizado ela fala que é estratégica, porque quando você fofoca, quando você conta uma coisa pra alguém, também é uma forma de você mostrar confiança por aquela pessoa e se conectar com ela. Então hoje os grandes influenciadores do mundo é como se eles fossem grandes fofoqueiros bem sucedidos. Eles conseguiram contar as coisas certas pras pessoas certas e se conectar com essas pessoas. Eu acho super interessante a gente enxergar por esse outro viés. E quando ela fala sobre a fofoca de reputação, que é isso que você fala no sentido de diminuir ou expor algo que não seja necessariamente produtivo ou positivo. Então eu acho que tem uma história maior pra se contar a respeito da fofoca, ela nunca vai sumir, faz parte da nossa sociedade, mas é um ponto interessante a se perceber e, de novo, eu acho que a gente tem voltado a esse tema insistentemente, mas faz parte da nossa realidade atual, que é: busque saber, né. Antes de compartilhar algo sobre alguém, “ah, porque o Tony Ramos tá lá defendendo a JBS” – eu achei isso muito engraçado que o cara mal tava sabendo o que tava acontecendo, então assim, de novo, tem que prestar atenção, tem que tá de olho…

Oga: E até os próprios artistas né. Quando o Caio Blat entra pra defender o José Wilker [Mayer] depois que o cara já disse o que aconteceu, então cê fala: [Thais: fica quietinho… Cris: para, amigo], “cara, cê num tá no jogo, sai fora… você não sabe brincar disso, sai fora. Volta pro lugar onde você tava.”

Cris: Eu acho que essa é a fofoca jabá. É o cara que fala pra tentar aparecer, pegar carona nessa cauda de cometa, ver a via-láctea, estrada tão bonita…

Oga: E depois a mulher dele chega e dá um corte, fica mais bizarro ainda.

Cris: Senta lá, Claudia.

Thais: Mas eu queria colocar um adendo de: busquem o conhecimento também quando é a fofoca do dia-a-dia da cidade do interior que você tá falando da sogra da prima da sua sobrinha. Vai ver se você num tá fazendo correr uma informação que não é verdadeira sobre uma pessoa que é do teu convívio também, né.

Oga: Aí a gente vai pra aquele caso maior né, quando a fofoca vira fake news e prejudica as pessoas de verdade.

[trilha]

Ju: Vamos então pro segundo trending topics, a gente vai falar um pouco sobre amor, gente, porque tamo precisado, né? Tá um pouco complicado, tava tenso, a gente recebeu alguns e-mails falando: “ai, olha, eu ia ouvir, mas daí não consegui ouvir porque já tá difícil a vida e o feed tá difícil, aí quando eu vejo o Mamilos difícil e eu penso não vou conseguir”, então gente, vamos todo mundo respirar, vamos falar sobre amor. Amor, um coquetel de adrenalina e dopamina capaz de nos colocar num ciclo de euforia e privação parecido com o provocado pelas drogas. Pode ser uma força da natureza para garantir o sucesso do gene egoísta; mas também pode ser a experiência que dá sentido pra vida. O que nos motiva, o que nos direciona, o que nos completa, o que nos instiga. Para a alma doente pode ser o veneno que rouba a paz, a lucidez, qualquer possibilidade de alegria. Como utopia, é nossa esperança de sermos vistos, compreendidos e importarmos no mundo. Essa semana a gente vai desviar um pouco o olhar da economia, da política e voltar pro sentimento humano mais enigmático e mais transformador. Então antes de começar, deixando bem pessoal, isso é um presente pra vocês. Já que a gente sabe que tá difícil, o Oga vai ler uma poesia.

Oga: Eu gostei muito de um poema do Michel Melamed que ele tinha feito antes do “Afinal, o que querem todas as mulheres?”, que ele escreveu e atuou e tal, ele tinha escrito isso e eu lembro que eu pirei muito. Se eu bem me lembro eu vi numa peça que um amigo meu fez, o Fepa e a Janaina Leite, que era a “Festa de separação”. Ela fez um puta barulho aqui em São Paulo e tal. E é assim… enfim, vocês vão ver, depois eu comento. [risos] Chama “O Amor Incondicional”:
“Eu sempre achei que o amor, que o grande amor, fosse incondicional. / Que quando duas pessoas se encontram, que quando esse grande encontro acontece, você pode trair, brochar, dar todas as porradas. Se for grande o amor, ele voltará triunfal. Sempre! /Mas não, nenhum amor é incondicional. / Então acreditar na incondicionalidade do amor, é decididamente precipitar o fim do amor, porque você acha que esse amor aguenta tudo, então de um jeito ou de outro você acaba fazendo esse amor passar por tudo e um amor não aguenta tudo, nada nessa vida é assim! / E aí você fala que esse amor não tem fim, para que o fim então comece. / Um grande amor não é possível, talvez por isso seja grande. / Então, assim, nele, obrigatoriamente, pode caber também o impossível. / Mas quem acredita? / Quem acredita no impossível, que não apaixonadamente? / Como um deus, incondicionalmente.”
Eu acho isso muito foda, porque eu acho que é, pra mim é assim, o lance do amor eu até fiquei pensando nessa questão romântica. Cara, eu tava falando isso com a Maira assim, que é minha esposa, minha companheira, que é assim, cara, a coisa que eu mais gosto é ver ela dormindo. Não é porque ela seja insuportável, que ela não é. [risos] Mas assim, eu acho a coisa mais romântica, cara essa mulher confia muito em mim, ela confia que eu vou voltar, ela confia que eu vou tá bem, ela confia que tipo, eu vou jogar a coberta nela porque ela vai jogar a coberta no chão. Então às vezes eu acho que o romantismo, o amor, é um pouco assim. Cara, se você não cuidar todo dia dessa parada não vai rolar. Mas ao mesmo tempo se você não acreditar que é incondicional, cara você não tá; Então esse jogo de tipo aonde entra o raciocínio, porque eu acho que o amor, as relações amorosas, elas têm um lado racional. A gente escolhe os parceiros, eu acho que tem um lado racional, sim. Eu não acho que “o amor não tem cor”. Tem. Tem. Só que ao mesmo tempo tem um lado que você fala, “cara, se você não se entregar com uma fé e tal, tal, tal, você tá vivendo uma outra coisa, que pode ser boa pra caralho mas é uma outra coisa”. Nossas avós casavam sem escolher e rolava, era uma parceria e eu não consigo dizer que minha avó e meu avô não se amavam exatamente porque eles, né. [risos] Porque eles não eram perdidamente apaixonados. E eu adoro esse poema do Michel e eu pensei muito no “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”. [Ju: Nossa, que filme lindo!] O filme do Gondry, não sei se vocês se lembram… [Ju: Como eu choro, meu Deus do céu.][Cris: É maravilhoso! É extremamente tocante, não?] É muito foda porque assim, pra quem não conhece eu só vou dar o plot do filme: é um casal que tem um moço que é o Joel que ele descobre que a ex namorada dele, eu não lembro o nome da personagem, ela entra numa empresa que ela apaga as suas memórias. Então assim, ela terminou aquele relacionamento [Ju: pra parar de sofrer…] e ela quer parar de sofrer, de lembrar daquilo, e ela apaga a memória. E aí o Joel vai nessa empresa e ele tenta apagar a memória dele também, e aí eu não quero ficar dando spoiler mas assistam e aí ao mesmo tempo, é muito louco, esse filme é do Kaufman, o roteiro é do Charles Kaufman, que é o mesmo cara que fez o “Her”. Escreveu o “Her” também, que aí o Spike Jonze dirigiu. [Cris: Que eu adoro também] Cara, é muito foda. E ao mesmo tempo, na mesma época, a Sofia Coppola fez o “Encontros e Desencontros” que não é exatamente de amor, mas é uma discussão dela, que ela tava rompendo com o Spike Jonze. Então ela ficou falando da dor dela no filme… [Cris: Na verdade é uma cutucada, né amigo? É uma indireta…] Então, era uma resposta pro Spike Jonze, tipo assim: “cara, você não cuida de mim, você não tá olhando pra mim”… [Cris: Olha que legal fazer um filme como indireta…] “E aqui eu tô fazendo um pouco disso, como eu me sentia.” Então assim, isso é muito do caralho, quando você vê que esse amor passa de até metalinguagem, né…

Ju: Então, mas, o Brilho Eterno, uma das coisas que eu acho tão legais dele é que ele faz uma autópsia do amor. Então ele vai mostrar todos os estágios do amor e eu acho muito legal porque o filme é lúcido em mostrar que vocês podem não funcionar juntos, o amor funcional ele morreu, né? Então não existia mais respeito, não existia mais companheirismo, não existia mais um monte de coisa, mas o amor, o sentimento que é bruto, que é puro, que é… independe de todas as coisas racionais e de todas as coisas… e ele continua. Ele continua com a infantilidade do início. Então quando você tira da frente todas as coisas que a gente tem: as contas, a rotina, as expectativas, o que você espera do outro, o que você quer do outro, as suas frustrações, enfim, todas essas coisas, o amor ainda tá ali. Então ele consegue ao mesmo tempo mostrar o amor sem viço nenhum e ao mesmo tempo num mesmo momento mostrar a pureza original do primeiro momento, né.

Oga: E eu acho que ao mesmo tempo ele entra em uma coisa que eu acho muito louca, né? Quando você lembra de relacionamentos que terminaram bem a sua memória já edita só a melhor parte, né. [Ju: sim] Eu acho isso muito louco no filme.
Cris: Eu acho até que não terminaram tão bem, viu. Eu acho que na vida real você tende a guardar as lembranças boas e você esquece das coisas ruins. Eu acho que quando você puxa da memória e fala “por que é que a gente terminou mesmo?” “Ai, não, foi por isso! Realmente não era tão bom assim”; [risos]
Oga: Eu digo assim, quando não teve uma traição, quando não teve um marco muito grande… [Cris: acho que até assim…] É que eu acho que tem gente que não consegue superar, né.
Thais: Eu até acredito muito que separando o amor romântico do amor aquele sentimento puro que a gente tem – primeiro deveria ter por nós mesmos, e depois pelas pessoas ao nosso redor, depois por todo mundo, né. Eu acho que esse amor, o amor que não é misturado com esses sentimentos românticos de “ah, isso deve ser pra sempre”… [ strong>Cris: Idealizações…] E do relacionamento, né, não é misturado com a história do relacionamento. O amor é eterno. E acho que é aí que ele vive, ele vive quando você lembra daquela história e sente gratidão pelo que passou. (Super gratiluz, né) Mas você sente esse amor pelo que foi, pelos momentos que foram bons. Isso sempre vai viver dentro da gente, e que bom! Mesmo quando o relacionamento é…

(Bloco 6) 51’ – 1:00’59”

Ju: Fala pra mim qual é o filme, livro, poesia, música…

Thais: Cara, vocês me pegaram muito agora porque eu leio muito histórias de amor, adoro romances, ouço muito samba que eu acho que é a música mais do amor que eu conheço assim, mas o que realmente me inspira são histórias de amor reais. É ver… Quando eu vejo a tua história com o Merigo, a história da Cris com o Agê, a história da Gica com o Yabu, a história da Marília com o Otávio… Eu celebrei o casamento de dois amigos faz pouco tempo e, cara, quando eu vi o amor com que eles olharam um pro outro na igreja, só de lembrar disso meu olho enche de lágrima. Porque ali eu acredito no amor. [Ju: Amores possíveis.] Amores possíveis, amores reais. E eu acredito demais nesse sentimento que não é o sentimento do relacionamento, sabe, necessariamente. É amar aquela pessoa do mesmo jeito que eu posso amar os meus amigos e tudo… Não é… O relacionamento é construção, né?

Ju: E você, Cris?

Cris: Poxa vida, é difícil escolher, né. Mas eu gosto de escolher. E quando eu penso em filme, um filme que me tocou profundamente e que eu assisti com o Agê e a gente falou: “nossa, esse é o cimento que a gente precisa”, porque pra mim amor é cimento, você usa ele pra construir as paredes e morar ali. Então ele é a cola que cola tudo, que chama “Pilar e José” [José e Pilar (2011)] que é sobre a vida da Pilar e do José Saramago e ele conheceu ela depois de, sel lá, velho, diríamos. E ela é uma mulher muito independente, cheia de opinião e ele completamente apaixonado por aquela mulher e ela por ele. Ela torna ele um ser humano funcional, ele inspira ela profundamente e eles têm uma parceria intelectual, de vida e de construção absurda. Pra mim aquilo é uma referência de amor absurda. Chega num ponto que você até fala: “gente, essa dona não tá puxando demais esse moço, não? Ele tá tão velhinho”. Mas aquilo era a tração, era dar tração à vida. Ela sabia que enquanto ele estivesse em movimento ele tava vivo, então não importasse, ela continuava colocando ele em movimento. [Thais: Acho que ele tava, sei lá, 90 anos e ela mandava ele pro Japão!] É… “acorda aí, filhão! Levantar!” Então assim, Pilar e José eu acho que é de uma verdade… E eu também gosto muito de amores reais. Há pouco tempo eu indiquei no Mamilos “Seyit e Suri” que é um romance turco, ou russo, que também é sobre dois jovens que se apaixonam profundamente e vivem um romance numa época de guerra e aí é complicado porque você começa num novelesco e de repente você cai numa vida real que é justamente o amor – começa como um conto de fadas e de repente tem guerra, tem família morrendo, não tem dinheiro, tem que fugir… E aí aquilo vai te corroendo porque você sentou ali pra ver um conto de fadas, que merda é essa agora, essa verdade toda. Então “José e Pilar” é uma coisa que me move, me comove e me inspira. E uma música, tem uma música muito especial do Cazuza que chama “todo amor que houver nessa vida” que eu gosto muito na voz da Cássia Eller e que eu acho que é quando você descobre que tem um lar. Que é uma sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida. E é aquela construção do dia-a-dia, todo dia você junto numa parceria pra fazer cimento, para construir paredes, para fazer vidas. E você, Ju?

Ju: Eu sou o oposto. Já que na vida tudo é prático, tudo eu gosto das coisas organizadas, não gosto muito de correr risco e tal, na ficção eu gosto de explorar coisas diferentes. Então assim, gosto de coisas românticas, aquele romance idealizado, com a consciência de que não é assim, mas gosto. Gosto também de amores reais e tal, mas eu cresci com uma formação muito… Eu li todo os clássicos, então assim, aqueles Jane Austen, irmãs Brontë, aqueles romances clássicos, li todos, todos. E aí o primeiro livro que me veio assim quando eu pensei em livro de inspiração romântica eu pensei num que não é nada romântico no final, que é o “Travessuras de uma menina má”. Porque… [Oga: Conta o plot. Eu não li.] O “Travessuras de uma menina má”, do Vargas Llosa, ele é escrito por um homem que foi apaixonado a vida inteira por uma mulher que fez dele gato e sapato. E o que eu acho muito legal, assim, sob a minha ótica, da minha vida, é que eu sempre fui uma pessoa que corri do risco e ele mostra que o amor ele não tá na experiência que você vive, ele não tá no que você recebe da pessoa, o amor é seu. A qualidade do amor, a experiência do amor ela é sua. Ele amou ela intensamente e se ela não amou ele… [Thais: Problema dela…] Problema dela, entendeu? E ele viveu esse amor na medida do que foi possível pra ele, entendeu? Então em momentos diferentes ele fez tudo o que ele podia por ela, e sofreu, e foi feliz, e ele viveu intensamente aquilo. Isso ninguém vai tirar dele. É muito engraçado porque a gente tem uma visão que ela é muito utilitarista, né? Então, é “quem saiu ganhando?” E a gente quer ganhar nas micro coisas: você não pode correr o risco de ser otário, você não pode ser otariane no amor, né. Você não pode… Eu gostei muito desse livro. Eu lembro também bastante do “Simplesmente Amor” que tem uma cena que o cara vai lá e ele fala… [Cris: Adoro também.] É o olhar dele. Ele não precisa de nada dela. Olhar pra ela, viver aquilo, a experiência dele tá completa. Então essas coisas me fazem pensar bastante e me inspiram bastante. É uma dimensão de amor que é mais altruísta, que é menos pragmática. Porque eu sou muito pragmática, então eu gosto de me inspirar com essas coisas que são diferentes. Eu lembrei bastante do “Wall-e” também, que é um amor completamente inocente. Acho que é isso: não espera nada, não quer nada, não precisa de nada, ele se satisfaz em amar. O amar já é o suficiente. Então essas coisas eu acho que me inspiram bastante. Eu queria perguntar pra vocês qual foi a coisa mais romântica que vocês já fizeram?

Cris: Ai, que vergonha. [Risos]

Ju: O que você já fez de muito romântico, Tatá? Você é uma mulher romântica.

Thais: Eu sou super. [Risos]

Cris: Abra o seu coração… Oguita?

Oga: Pô, o meu é fácil, heim. Financiar um apartamento em 20 anos [risos altos] com uma menina que eu conheci no ônibus. Eu conheci a minha esposa no ônibus. [Cris: Maravilhoso!] Sério mesmo, acho isso romântico pra caralho. Não, sabe por quê? Porque a maioria dos relacionamentos que eu conheço a pessoa tinha alguma referência. Eu não tinha referência nenhuma. A gente pegava o mesmo ônibus, eu olhava, “Pô, gatinha”. Aí um dia eu sentei perto no ônibus, li assim as páginas que ela tava lendo e pensei “Putz, ela deve estudar na USP. Ela deve estudar geografia ou história, ela pensa em geopolítica”. Aí no outro dia pego o ônibus “Putz, eu não vou conseguir chegar perto da menina do ônibus”. [Cris: Ai, meu deus!] Aí um dia eu vou no cinema…

Cris: Eu apaixonava no ônibus toda semana!

Oga: Então…

Thais: Quem nunca se apaixonou no ônibus!

Cris: Menina, eu apaixono demais da conta.

Oga: Só que no meu caso eu tive a sorte. Eu fui no cinema um dia e estava a a Maíra sentada [Cris: Mentira!], tem um cinema aqui em São Paulo, Espaço Unibanco, tinha um banco principal no meio do cinema e estava a menina do ônibus sentada e eu ia no cinema sozinho. Eu queria ver o “História Real”, do… Meu Deus, esqueci o nome do diretor… E aí… Que é a história daquele velhinho, que pega um carro de jardinagem e cruza os Estados Unidos [Cris: Tá!] Enfim, esqueci o nome do diretor… É super famoso. E aí eu olho a menina do ônibus. Eu, tipo, achando que ela não ia me ver. Eu tinha um black power na época, gigante… Imagina o dread. [Cris: Imagina!] E eu achando que ela não iria me ver. Eu fui meio contornando, ela estava falando com um cara, aí eu falei: “Vou sentar atrás dela”. Era um banco bem grande nesse hall do cinema. Sentei lá atrás, ela conversando com um cara, percebi que eles não tinham relação nenhuma. Na verdade, ela levanta, sai fora do cinema e faço uma coisa que ela me zoa até hoje. Eu faço “Psiu!” [Risos] “Psiu” é muito brega. Eu não sei de onde eu tirei isso. Ela olhou para trás já rindo. Aí eu falei: “pô, a gente pega o mesmo ônibus e tal.” Aí eu chamei a garota para tomar um suco porque eu não bebo.

Ju: AAAAHHHH!!!

Cris: Que fofo!

Oga: Aí a gente tomou um suco. Eu troquei o filme… Ela trocou o filme para assistir comigo e aí a gente está até hoje. [Cris: Que lindo!] Saca? Essa história foi até para uma revista, para Época São Paulo: “Razões para amar São Paulo”: porque as pessoas se conhecem no ônibus. Porque assim, eu não tive referência. A maioria dos relacionamentos começam no trabalho, “Ó, eu tenho uma prima, quero te apresentar”… Você sabe se a pessoa é legal, se ela não é maluca. Cara, eu não tive nenhum assim… então isso para mim é muito especial.

Ju: É um salto de fé?

Oga: É isso. Total. Se joga. Tipo assim, se joga. Então, meu, quinze anos.

Ju: E você, Cris?

Cris: Eu gosto demais de namorar, né? Nó, eu me apaixonei… Eu me apaixono direto, assim. Até hoje eu me apaixono. Eu me apaixono pelas coisas, pelas pessoas, pelas situações e eu amo intensamente. Nó, gente, quando eu era adolescente eu amava um tanto e chorava um tanto… E eu gostava daquilo, eu sempre gostei daquilo… E aí eu acabava, acabava e eu arrumava outro. E eu ia amando. Bom, agora eu amo já há bastante tempo a mesma pessoa, né? E a gente espera que continue assim por muito mais tempo, mas eu acho que a coisa mais romântica que eu fiz foi quando… Eu só namorei o Agê três meses, né? E a gente se casou. Amigo… [Oga: Quantos anos vocês tinham?] Já era o segundo casamento dos dois, né, então meio que all in de cara… Então assim, tinha um mês que a gente já tinha se conhecido e eu estava trabalhando muito, estava num projeto muito grande, eu viajava sempre, eu tinha acabado de chegar de viagem, era aniversário dele (para te ser sincera, eu nem lembrava) Aí eu fui ver o Twitter, Facebook nem bombava na época, e aí eram onze e meia da noite e eu, falei: “Putz, que mala eu, hein? Nem feliz aniversário eu dei para o cara. Que sacanagem, ele é tão gente boa. Estava indo bem. Olha a cagada que eu fiz. Isso não vai ficar assim”. Eu coloquei um vestido… Assim, eu tomei um banho muito rápido, coloquei um vestido que tinha as costas abertas… Ai, gente, muito brega isso. Segura essa, tá? Segura aqui na minha mão. A superexposição. Fofoca. Aí eu passei num posto de gasolina, comprei um vinho, fui para a casa dele… sem avisar. Podia ter outra lá? Podia. Ele podia não atender? Podia, mas, tipo, “tô nem aí”. Aí eu convenci o porteiro a subir sem tocar o interfone e, sei lá, o cara olhou para mim e falou “Vai, maluca, sobe”. Eu subi com um
vinho… Ai, meu Deus, segura isso: Eu toquei a campainha, virei de costas, assim então, se ele olhasse no olho mágico, ele via a tatuagem e um vinho, e aí ele abriu a porta lívido, né, tipo ”What the fuck?”, e eu falei “Feliz aniversário!”. E foi muito all in e aí, um mês depois, a gente casou. [Risos]

(Bloco 7) 1:01’00” – 1:10’59”

Oga: Total, cara…

Ju: E você, Thais?

Thais: Eu acho que a coisa mais romântica que eu já fiz eu ainda vou fazer. [risos] É sempre a próxima, né. [Ju: Sim!] Mas assim, até hoje acho que foi casar com seis meses de namoro e morar em outro país, com uma pessoa que hoje é meu ex-marido, mas que eu ainda amo, naquele sentido de olhar pra trás e falar: “Poxa, que…” [ Cris: Que legal ter vivido isso ] “Que legal ter vivido isso”. E eu acho que foi muito um salto de fé, eu não tinha assim essa ideia de casar, era super nova, tinha 25 anos, não era… A ideia não era casar naquele momento! Me chamaram pra ir trabalhar fora e eu falei: “Quer ir comigo?” E ele topou! E na hora que ele topou eu falei: “Meus Deus! Também, bora, né!” E foi muito uma aposta. Eu acho que talvez os grandes atos românticos sejam aposta, né.

Ju: Acreditar. É isso, se expor, né… Também acho, concordo.

Cris: Conta aí, Ju. Você acha que você vai escapar?

Thais: [fazendo voz fina] Aaah. Olha ela, olha ela.

Ju: Eu sou…

Thais: É aquela que não quer brincar de 9 verdades e 1 mentira, porque não tem uma vida interessante.
[risos]

Cris: Aham. Deixa quieto.

Ju: É… Eu fazia, quando eu e Merigo a gente começou a sair… todo mês, eu não queria namorar, certo? Eu tava, eu vinha de um relacionamento que tinha acabado de terminar, eu tava muito magoada, então eu não queria namorar. Eu não queria nada mesmo, nada com a vida. Mas quando a gente fez um mês, fez 30 dias que a gente tava ficando, eu fiz um scrapbook pra ele contando cada dia que a gente tinha se visto, que a gente tinha se falado…

Cris: [interrompe] Gente, Juliana é muito foda nisso. Desculpa, tá. Ninguém ganha dela. Ela tem fotos de jantares incríveis que ela fazia.

Ju: Todo mês eu fazia. Esse scrapbook ficou sensacional, tinha depoimentos de todas as minhas amigas, porque elas faziam uma puta campanha pelo Merigo. Então assim eu ia contando a história: “Ah, esse foi o dia que a Tatá entrou pro time Merigo.” E aí que que a Tatá tinha dito e tal, assim todo mundo super apoiando pra isso ir pra frente e tal. E era muito bonitinho, porque sei lá, fiz vinte páginas com mil ingressos de shows, de restaurantes que a gente foi, e as coisas que ele me disse, as músicas que a gente ouviu, e print de coisa que ele me mandou e tal; e tinha muitas páginas pra gente preencher, então assim, eu era uma pessoa que não queria me envolver, que não queria me entregar, que não queria nada… [risos] Esse é o meu jeito de não me envolver!

Thais: Juliana não é só mãe Waldorf, ela é namorada Waldorf também.

Cris: Exato.

Oga: Nossa, eu fiquei até com medo se ela quisesse se envolver, né?Tipo: “Essa era a minha versão light:.”
[risos]

Cris: É lindo isso.

Ju: Cada mês eu fazia um jantar temático pra ele; então sei lá, jantar francês: então eu tinha decoração francesa, tinha prato, bebidas, sobremesas, surpresa e lalala. Teve mexicano, teve árabe, teve francês, teve japonês. Com tudo o que você pode imaginar.

Oga: E o que que você acha de poliamor?
[risos]

Oga: Rola sempre isso?

Thais: Mulher? Cê pega?
[risos]

Oga: Rola sempre isso? Só pra entender…

Ju: Mas eu acho que de todas… Fiz várias coisas…

Cris: Aprendi muito com Juliana, com essas coisas, viu.

Ju: Eu chamava ele de “meu reizinho”, fazia tudo pra ele, tudo, tudo, mas acho que a coisa mais romântica que eu já fiz, foi apesar de eu não tá num momento que eu podia e que eu conseguia e tal, foi entender que aquela era a minha chance, mesmo que não fosse no momento melhor, mesmo que não fosse, que aquilo tinha… Que aquilo tinha importância, sabe? Então acho que da mesma maneira que tu falou, que foi um salto de confiança, de ir pra uma coisa que não sabia se ia dar certo ou não, o que o Oga falou: “Pô, eu não conhecia ela, como é que eu ia saber e eu tive confiança”, eu fiquei muito travada por seis meses depois que o meu outro casamento terminou, porque eu não conseguia entender como é que uma coisa tão boa tinha se transformado numa coisa tão ruim. Como isso? Eu não entendia como. Como é que eu podia acreditar de novo, né. E eu chorava todos os dias até dormir, eu chorei por seis meses, eu achei que eu ia ficar louca. E quando o Merigo era muito legal, e ele era perfeito e era tudo o que eu queria, eu falava: “Mas o outro também era, e mesmo assim foi tudo pra caraaalha! Como é que eu posso acreditar de novo?” Assim, não faz sentido. Então eu acho que a coisa mais romântica que eu fiz foi acreditar.

Thais: Posso complementar com uma coisa que eu tava pensando, logo que você falou isso, que eu tava justamente pensando que acho que essa é a minha coisa mais romântica. Eu sofri muito quando o meu casamento acabou, igual você tá contando, muito, foi tipo perdeu uma parte de mim, aquilo era muita coisa. E faz 5 anos que eu tô solteira, entre relacionamentos mais e menos sérios e um dia eu tava conversando com uma amiga que também tá solteira há muito tempo e eu falei – só que ela sempre se envolvia muito, eu sou mais, um pouquinho mais difícil de me envolver – eu falei: “Dani, como é que você faz, você tá sempre quebrando esse coração. Como você se entrega desse tanto?” Eu falei: “Como é que você não desiste? Você tá sempre se expondo desse tanto.” Ela falou: “Eu desisto das pessoas, mas eu não desisto do amor.” E eu acho que não desistir do amor é o meu gesto mais romântico. É não desistir de acreditar que é possível. [Ju: Que é possível. Esse é um dos meus filmes preferidos.] Que eu tenho amor pra dar, então foda-se se você quer receber ou não quer receber, tô aqui dando.

Ju: Então, tem, como que é o nome desse filme? Que a menina fala exatamente isso, esse filme é um dos meus filmes preferidos. É uma comédia romântica super bobinha e a menina fala exatamente isso, ela fala: “Você se acha muito esperto, porque você não quebra seu coração nunca e eu sou a boba que corre atrás, que liga pro cara, que acredita e nãnãnã, mas eu tô tentando, eu tenho a chance, você não tem chance nenhuma.” Quem não põe o coração pro jogo, não tem chance. Eu acho que assim, eu não sou uma pessoa que coloca o coração pro jogo, né? Acho que eu não coloquei muitas vezes na vida, acho que coloquei duas vezes na vida; e eu acho que quando uma pessoa que era muito legal, me provou de todas as maneiras que ela tava lá pra dar all in, só que mesmo assim, não há certeza, não há segurança. A prova que eu queria, eu precisava de uma fórmula matemática que me mostrasse: “Tá bom, eu sei que você é a pessoa certa, mas o outro também era e não deu, como é que você me prova de que não vai dar certo.” E assim, não tem. Não tem garantia, no amor não tem garantia, você se expor e você ter coragem e você dar esse all in aí, e você colocar assim no amor não tem meio termo. Ou você entrega tudo ou você não tá jogando de verdade. Pra sentar nessa mesa, o cacife é alto. [Cris: Então…] Então assim, eu acho que isso é um gesto muito romântico, você acreditar, você por seu coração pro jogo de verdade, né.

Cris: Isso é sobre sentir, né. Eu entendo que é intenso e machuca, mas não sentir te faz mais feliz? Deixar de sentir é o que te traz plenitude por medo de arriscar e tudo mais. Eu sempre fui uma inconsequente controlada, eu me envolvo e vou ver como as coisas vão acontecer, porque eu gosto de viver as experiências, eu gosto do risco, eu gosto da novidade, eu gosto do sentir, eu adoro sentir fisicamente, emocionalmente. Eu acho vibrante, eu acho se apaixonar uma grande celebração, é uma grande: “Nossa, eu tô vivo!” Igual quando você sofre, você fala: “Caraca, eu tô vivo. Meu coração está quebrado. Eu estou tão triste que eu poderia me afogar nas minhas próprias lágrimas.” Mas você tá sentindo e sentir é muito importante, sentir te constrói, te dá a chance de ver o mundo por outras perspectivas. Te faz ficar com você mesmo, né? Você fala assim: “Putz, sou só eu agora.” Então acho que faz parte desse aprendizado.

Thais: É, e é da vida sentir o bom e o ruim, né.

Cris: Exato!

Ju: Então vamo, só vou fazer uma perguntinha pra encerrar, pergunta pra você, Thais, depois todo mundo responde: pra você, amor cura ferida? Ou o amor, vamo dizer, drogas pesadas que é melhor você só mexer com elas quando você tá equilibrado?

Thais: Sabe qual que é o amor que cura ferida? O amor próprio. O amor que você tem por você mesmo, que vai te dar o limite de até onde você consegue ir num relacionamento amoroso. Não dá pra esperar que o outro venha pra curar suas feridas. Você tem que curar elas, até antes, às vezes não dá pra esperar a água… Ah, igual você tava falando: “Ah, eu não estou pronta para um relacionamento porque ainda tenho muitas feridas do anterior.” É… Também não dá, às vezes não dá pra esperar, a pessoa aparece na hora que ela aparece, mas o trabalho é teu, com você, de curar suas feridas. Não acho que um relacionamento cure e também não acho que o relacionamento te machuque mais do que você mesmo se deixa machucar se você não tiver com amor próprio em dia também.

(Bloco 8) 1:11’00” – 1:20’59”

Ju: E você, Oga, o que cê acha?

Oga: Eu acho que sim, cara. É que é engraçado, né. Eu gostava muito daquela frase: você só cura, só supera um grande amor com outro grande amor. Mas ao mesmo tempo depois eu parei pra questionar. Por que eu falei: cara, eu tive, eu sempre tive relacionamentos longos e eu tive poucos relacionamentos. E aí eu fiquei pensando, mas cara, cada história é tão especial. Fui uma pessoa em cada história também tão diferente. Então assim, com a Mayra era mais adulto e acho que era uma coisa muito tipo, a gente sabia que o nosso amor era tranquilo. Eu produzi muito porque eu tenho tranquilidade, sabe. Não era ahhh. Não. Era tudo muito, muito bom assim, sabe, tipo… E é um amor meio do presente também, sabe. Hoje tá bom. Agora tá bom. A gente faz de tudo pra agora tá bom. A gente resolve qualquer mágoa, qualquer micro agressão na hora pra não ficar ruim. Já eu jovenzinho era outra história… Eu era esse cara apaixonado. Eu lembro de uma vez pra uma ex-namorada que eu joguei, no dia da secretária, ela morava no primeiro andar do condomínio que eu morava. E eu comprei um anel. E cara, eu era um falido né, tipo meu, adolescente assim, tipo sem trabalho, aquelas merda. Juntei uns dinheirinho e comprei um anel, numa mulher que vendia anel na Paulista. Que eu vi que ela curtia, tal. E eu joguei numa fresta, cara, de menos de 10 centímetros da janela do quarto dela que tava aberto. (risos) E assim, era one shot se aquela merda caísse no chão acabava o anel. Eu joguei e entrou o anel no quarto dela. Ela chegou do trabalho e falou: “meu, que porra é essa na minha cama?” (risos) Ela chegou e viu o anel e o bilhetinho. Então assim, eu fui esse cara que fez isso. Mas é tão outra pessoa, e é tão outra relação. Então assim, eu acho que até de uma forma um pouco complementar, é o que a Thais falou. Acho que primeiro você tem que se amar até pra você ter essa criatividade, até pra você ter essa segurança de se expor, de se entregar. Mas também eu acho meio errado quem fica comparando um amor com o outro, sabe. Tipo, porque acho que as pessoas são experiências tão diferentes e acho que se você gostar da vida e que se você gostar de amar, você vai querer viver essas várias experiências diferentes, assim. Então não sei, cara. Eu acho que… por mais que eu não ache que eu seja o romântico clássico. Por que vocês viram né, a minha referência é um filme que dá tudo errado. E eu acho, eu adoro ver esse amor assim. Acho que é muito triste. Talvez a maturidade me deu isso, assim. Eu comecei a, eu dava valor quando eu terminava. Eu curtia muito essa sofrência do amor, sabe. Eu curtia muito ouvir Los Hermanos. [risos] Depois que terminou [cantando]: quem é mais sentimental… [risos] Eu curtia sofrer. Lembra, tipo assim… [risos]

Cris Adoro. Eu também. E chorar na frente do espelho, assim a cara inchaaada.

Oga: Não, e era muito bom pra produzir artisticamente. Mas ao mesmo tempo falou, cara é muuuito mais legal agora. Tipo ver a Mayra dormindo… Tá os dois, cada um na sua rede e falar: “ou, eu tô lendo um livro muito foda”. [risos] Eu acho isso muito mais legal, muito mais tranquilo.

Ju: É. Eu acho, eu achei interessante que é… Depois vai ter vários links na pauta, a gente não vai conseguir cobrir tudo. Mas… é uma fala que eu vi de um monge lá, vietnamita, zen budista que eu mandei pra Tatá, amei o texto. Ele fala assim que: “amar sem saber como amar fere a pessoa que a gente ama”. E eu acho que isso assim, embora a gente fale do amor como uma coisa superlativa e tal, quantas vezes na vida a gente já amou e na verdade a gente cerceou o outro, a gente diminuiu o outro, a gente machucou o outro por conta dessa coisa de onde parte o amor, né. O amor parte da sua idealização? Então… tinha na pauta toda essa construção de – bom, como é que começa o amor? Então, começa você idealizando o que você não tem, o que você gostaria de ter. Então você já tem uma imagem do que você quer e você, na verdade, não se apaixona, você reconhece a pessoa que chegou próximo da tua idealização e aí viver com essa pessoa vai ser um inferno porque, obviamente, ela nunca vai ser isso. Existe o se apaixonar pelo… essa coisa serial que você falou né – um amor cura outro amor. Que é, na verdade, “eu não quero ficar comigo, com a minha ausência, com as minhas questões existenciais. Então eu tô sempre me distraindo de mim, me perdendo em amores”. Então eu vou de um pro outro, e vou aqui, ali, ali, ali, um beija flor, né. De emoção em emoção pra não parar e não me ouvir e pra não escutar o meu desespero, pra não escutar as minhas questões que todo mundo tem que responder. Então o amor como distração. E tem o amor como uma tentativa de resposta do que você não vai conseguir resolver em outra pessoa, que é a tentativa de controle, tentativa de, por exemplo, o que eu tava falando – Ah, se você tem uma ferida, de que você tem pouca auto estima, o amor parece ser o remédio perfeito. Porque né, alguém vai ser apaixonado por mim. Se eu não tenho auto estima, eu vou me olhar através dos olhos dessa pessoa e isso momentaneamente vai me curar, porque eu gosto do reflexo que eu vejo melhor daquela pessoa. Só que se você não tem auto estima… não, é muito complicado porque no dia a dia do relacionamento, isso… você vai murchar esse amor. Porque a tua falta de auto estima vai fazer você cercear a liberdade da outra pessoa, vai fazer você dar sentidos pras frases da pessoa que não tiveram… Então a conversa vai ficar difícil, a convivência vai ficar difícil. Então, eu gostei muito dessa frase que: amar sem saber amar fere a pessoa. Isso não é falta de amor, é falta de saber amar. Que é o que leva pra minha próxima pergunta que é: o quê que é saber amar? O que é amar, entre aspas, direito? Né…

Thais: Posso ler um trechinho que chama Amar e ser Livre, que eu não me engano é do Prem Baba. A gente tem uns sábios budistas que o fim do nome deles é Baba e a gente tem que ter maturidade com isso. [risos]

Oga: Já veio a música da Kelly Key na minha cabeça aqui. O que é muito maduro.

Ju: Maduro, maduro.

Thais: Mas que ele diz que… eu misturei duas coisas aqui, porque foi o textinho que eu li no casamento, mas que é… tá faltando as pessoas se amarem com o coração, porque a gente tá muito preso nas nossas mentes, nas nossas obrigações, nas tarefas do dia a dia, nas cobranças, no que a gente acha que os outros esperam e tá sobrando pouco tempo pra ouvir o coração, pra sentir com o coração e pra falar como o coração. E aí esse é o trecho, finalmente o trecho do livro, que é Amar e ser Livre: “Um coração puro é um coração que não julga, é um coração que não acusa e não compara, ele não deseja. Um coração puro aceita e perdoa, agradece e ama. Ama de forma desinteressada. Um coração puro é aquele que não se identifica, ele só observa. ” Eu acho que esse…

Ju: [interrompe] Wall-e. Gente, é o Wall-e. E é só um desenho de robô.

Thais: Esse amor que não espera nada em troca, que ele só se doa pro outro e que a gente chama muitas outras coisas pelo nome do amor, mas tem que olhar bem assim: “puta, isso que eu tô sentindo é amor mesmo ou é posse? Ou é desejo de controle?”

Ju: [interrompe] Ou é carência…

Thais: Ou é carência?

Cris Eu acho que… existe uma mistura da lógica com a emoção, quando você se entrega, porque eu acredito que seja uma completude mais um reflexo. É… eu não acredito que nenhum ser humano seja totalmente pleno e eu acho que você se cerca de pessoas pra ajudar a te completar como se você fosse um grande quebra cabeça. O seu parceiro de vida, é o parceiro de vida é mais uma dessas completudes. Então eu acho que a gente se reconhece também no outro naquilo que nos falta e aquilo nos atrai porque você sabe que não tem e aí ter aquilo próximo te completa.

Thais: Mas tem aquela entrevista do psicólogo que você me deu que ele fala que tem dois tipos de amor. Um é esse que você falou e o outro é o que a gente se identifica no outro. Então a gente se, é um amor quase egóico assim, que você se apaixona por você mesmo. [Cris por você mesmo em outra pessoa.] Eu acho que é super comum. Eu tenho muitos amigos gays que namoram pessoas iguais a eles. Fisicamente iguais.

Cris [Interrompe] até fisicamente né. O que… o que eu percebo nisso é que, eu acho que pode ser uma boa combinação essas duas coisas entre se completar e se reconhecer, né. Tem algo seu ali, mas tem algo além também, algo que você não tem. Então você está com você, mas você está com você de uma outra maneira. Eu não acredito nesses “os opostos se completam, se atraem” porque eu acho que existe uma lógica em conectar profundamente com alguém, é um reconhecimento mínimo. Porque amor é muita conversa. Então se você não se identificar minimamente, você vai conversar sobre o quê mesmo? E acho que tem as questões muito físicas ligadas aos cinco sentidos. Então o tato… e o cheiro, sabe. Cheirar a pessoa, tocar a pessoa, se sentir acolhido no braço de alguém… não tem uma explicação muito lógica. Eu acho que isso desperta em você sentidos e hormônios e batimentos cardíacos difíceis de mensurar. Eu acho muito interessante procurar o sentido do amor, porque pra mim ele tem um sentido. Quando você se conhece você entende melhor porque você ama o outro. Tem algo em você. Você descobrindo você, você descobre o outro. Então se conhecer é um jeito de amar melhor. E tem a carne, e tem isso. Essas coisas juntas, se reconhecer, se complementar e sentir, eu acho que traz aí uma boa dica do que pode ser viver um bom amor.

Ju: Olha, fica pra uma outra pauta o que tava aqui, que era muito sobre neurociência que explica toda essa carne, toda essa física, toda essa descarga de adrenalina, toda essa…

Thais: Vamo acreditar que é tudo magia…

Ju: É… então esse programa vai ficar bem magia. Ia ter as duas partes, a parte bioquímica e a parte da magia. Fiquem só com a magia, acho que a gente tá precisando de magia.

Thais: Eu acho que bioquímica é só outro nome pra magia. [risos]

Ju: Eu quero encerrar com um pensamento do C. S. Lewis falando justamente sobre o que foi a tônica dessa conversa do início da conversa sobre a coisa mais romântica que você pode fazer é acreditar, principalmente em um mundo sem fé. Num mundo onde as pessoas estão cada vez mais cínicas e onde a gente quer cada vez mais segurança e a gente não vai ter. Eu acho muito legal quando uma pessoa ateísta fala sobre fé, porque você pode não acreditar em Deus mas sem fé você não pode viver. E ele fala assim: não há investimento seguro. Amar é estar vulnerável. Ame qualquer coisa e seu coração estará apertado e possivelmente quebrado. Se você quer estar seguro de mantê-lo intacto, você não deve oferecer o seu coração a ninguém. Nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em hobbies e pequenos luxos. Evite quaisquer relacionamentos. Tranque-o seguramente num cofre ou num caixão de seu egoísmo. Mas no cofre seguro, escuro, sem emoção, sem ar, irá mudar. Não irá se quebrar, se manterá inquebrável, impenetrável, irremediável. A alternativa para a tragédia ou, até mesmo, o risco da tragédia é a danação. O único lugar fora do paraíso onde você pode estar completamente a salvo de todos os perigos e perturbações do amor é no inferno.” Ou seja, um brinde a nós todos que tivemos a coragem de nos expor, de nos deixar vulneráveis e acreditar no amor.

(Bloco 9) 1:21’15” – 1:30’59”

Cris: Amém.

Oga É isso aí.

Ju: E vamos para o Farol Aceso?

Cris: Vamos lá!

[Trilha]

Cris: Vamos então para o Farol Aceso? Tatá, querida, conta: O que é que você vai trazer de bom para a gente?

Thais: Eu li um livro chamado “O Dono do Morro”. Estou apaixonada por esse livro. Eu acho que deveria cair no vestibular. É a história do Nem da Rocinha. O Nem foi o dono da Rocinha durante um tempo mas ele não era um cara que cresceu dentro do tráfico de drogas. Ele foi um cara que a filha dele ficou doente, ele adquiriu uma dívida com o então dono do morro e se meteu no tráfico e foi subindo, porque ele era muito inteligente, até virar o dono do morro e para contar essa história eles contam a história das favelas no Rio, como elas surgiram e como elas funcionam. Eles contam a história do tráfico de drogas no Brasil e como ele funciona, a história da política recente do Brasil e como essas coisas todas estão interligadas. E o tráfico no Rio e o tráfico em São Paulo, qual a diferença entre um e outro. Muito interessante e uma leitura leve e escrita de uma forma bem mamileira, assim, bem “neutrona”, sabe? Ele tem todos os lados da história e tudo mais.

Cris: Eu posso falar [que] o Agê está viciado nesse livro porque a Thais comentou comigo e eu falei: “Lê esse negócio daí que parece ser bom” e o menino está doido. Então, parece ser bom mesmo. Ju, o que é que você manda?

Ju: Bom, eu indico para vocês uma playlist que eu fiz para esse programa! [Cris: Ai, que linda!] Uma playlist só com músicas de amor, só com letras lindas. Tem Chico [Buarque], obviamente, mas tem Bon Jovi também [Risos da Cris], tem Queen e tem Rita Lee, tem Frank Sinatra e tem Nando Reis, tem Madeleine Peyroux e tem Vinícius de Moraes, tem John Mayer, tem Caetano [Veloso], tem de tudo um pouco. Sabe, quando você tiver muita realidade e muita previdência na cabeça, você põe essa lista para tocar… É bom…

Thais: [interrompe] Só sente amor, vibra no amor…

Ju: Vibra no amor que é bom, faz bem. [Cris: É isso aí]. E eu indico também o filme “Armas na Mesa” que vocês vão ouvir o Merigo indicar porque, né? [Cris: Adivinha!] As coisas estão um pouco repetidas. Está chato isso mas, né, a gente costuma assistir as coisas juntos. É um filme para refletir sobre falha na democracia americana, especificamente, e se tá com falha lá, né, que dirá, né, aqui. Mas parece um episódio de série, parece muito o Newsroom que a Cris citou aqui agora, aqueles diálogos super rápidos, aquele texto muito rápido. Também tem vários atores em comum com o Newsroom. É com a Jessica Chastain, [que] está maravilhosa [Cris: Diva!], maravilhosa e tem uma frase na cena final que é para ficar ecoando na cabeça a vida toda. Eu não vou falar porque entrega uma parte do final embora eu realmente ache que esse filme não é um spoiler que vai contar nada mas é uma frase que vocês vão saber; Na hora que ela fala essa frase, essa frase vai grudar em vocês e vocês vão ficar: “Putz e agora vou ficar com essa frase questionando a minha vida.” [Cris: Ai, Juliana. Quero saber!] Vão ter que ver o filme. É um filme bem rápido, ele passa num ritmo vertiginoso, é muito de “plot twist carpado”. Eu achei um filme bem instigante mas, honestamente, eu não sei se a sensação que a gente tem é a de que a gente tá tão tomando tapa na cara da democracia todo dia no Brasil que a temática em si não chega a ser uma surpresa. Parece meio que um episódio do House of Cards, sabe? Você sabe que já está tudo comprado, que quem tem dinheiro compra as eleições, a votação, enfim… Mas essa frase especificamente acho que faz valer o filme. O filme ele é divertido, ele passa rápido, acho que ele seria esquecível se não fosse por essa frase. [Cris: Peste.] E você, Oga?

Oga Tenho algumas coisas aqui. Primeiro, só dar um serviço rápido. Vai ter um show chama “Canções de Liberdade”, para quem é de São Paulo, no Sesc Pompéia, no dia 22/04 e 23/04. Esse show é [de] uma amiga minha, a Luciana Oliveira, junto com o Eduardo Brechó, do Aláfia. Eles idealizaram… Eu ajudei um pouco escolhendo as músicas do repertório e fazendo o flyer também. Eles pegaram várias músicas de diferentes épocas, e artistas e contextos que têm algum engajamento nessa música, que fala sobre questões como racismo, desigualdade social, guerra… Então vai ter Bob Marley, Nina Simone, Jorge Ben, O Rappa, enfim, Beyoncé; só que, meu, olha o time que eles juntaram para cantar no Sesc: a Liniker, a Jesuton, a Luciana Oliveira e a Maíra Freitas [Ju: Que legal.]. Cara, [Cris: Oi?] vai ser incrível assim e aí no meio disso corta com poesias também, com interferência visual e aí vai ter, sei lá, poema da Elisa Lucinda, da Maya Angelou, então vai ser bem bem interessante, bem legal. Segundo: eu fiquei ouvindo hoje Cartola o dia inteiro trabalhando [Ju: Adoro.] e eu acho que ele é um dos caras que mais sabe falar sobre amor nas letras dele. Então tem “O mundo é um moinho”, por exemplo, que é uma letra que ele escreveu… [Ju: Nossa, essa música…] Cara, é tipo uma bronca, um conselho doloroso do pai que está perdendo a filha. Tem vária teorias mas essa é a que gosto mais…

[Risada da Ju]

Cris: Eu também, eu também. Amo.

Oga Ouvi falar que a filha dele virou uma prostituta mas ouvi falar que não é verdade…

Cris: Ah, não, me deixa!

Oga Né? Mas, assim, é incrível. E tem uma que eu adorei e até achei a história muito fofa e vou falar aqui: “As Rosas não Falam”. [Ju: Ai, amo essa música.] Falou que a Dona Zica recebeu uma muda de rosas, ela plantou no jardim… Gente, Cartola, cês olham a capa do disco, dois veinhos, bonitinho, casal fofo, os veinho preto lá. A Dona Zica chega e planta a muda no quintal. No outro dia ela olha, deu um monte de flor. Ela chega para o Cartola e fala “Cartola, não sei o quê…”, tipo “Vem ver aqui. Por que é que nasceu tanta rosa assim?”. Aí o mestre Cartola chega para ela e diz assim “Não sei, Zica. As rosas não falam”. Quando ele deu essa resposta, ele falou… Cara, essa frase ficou ecoando na cabeça dele. “As rosas não falam”, essa frase é boa, né? [Risos] Ele veio então, pegou o violão e, meu, falou que a música brotou e faltavam três dias para ele fazer 65 anos e ele contou que a música foi um presente que chegou para ele [Thais: Lindo.]. Então, esse disco é cheio disso [Cris: Não, maravilhoso!] É um disco que você vai ouvindo e é tão simples [Ju: Eu amo esse disco.] Por isso que eu estou falando, me remete muito a esse amor que eu acredito, esse amor simples, do dia a dia, da tranquilidade, de você dar uma resposta quase mal-humorada: “Pô, caramba, sei lá? As rosas não falam”. [Risos] Que gênio que eu fui agora, consegui ter isso! Acho bem bacana. E o último: “Separações” do Domingos de Oliveira. Esse filme é incrível. Domingos de Oliveira, ele sempre foi comparado ao Woody Allen brasileiro, tal. Mas eu acho que ele é mais que isso. É um filme que fala muito sobre relacionamento e é muito bacana. Eu assisti há um tempo atrás, eu achei incrível… Gente, bem, estou costurando para fora, tenho que falar isso simples, [Ju: Absurdo.] o pessoal do podcast “ONDEM” [Ju: O nome disso é mundo.] eles me convidaram para cobrir a licença maternidade da Camila [Ju: Que amor.] então eu estou ajudando a fazer uma consultoria musical, eu boto, separo as trilhas. Esse podcast entrevista geralmente, normalmente é esse formato, entrevista brasileiros que moram em outros lugares do mundo, os que moravam no Brasil [Cris: É uma delícia! A gente já falou muito deles aqui. Eles são ótimos.] Eu conheci por causa da Ju, quando a Ju citou e eu comecei a ouvir. [Ju: Adoro, divulgo e enalteço.] Justamente [Cris: Vou proteger.]. E aí o Filipe… Ah! E aquela coisa de fã de ficar comentando e o Filipe chegou e falou: “Meu, você não quer ajudar aí, a Camila não vai conseguir…” A esposa dele não vai conseguir fazer… [Cris: É um spin off, não é?] É, mas eu comecei a separar as trilhas, sei lá, o dessa semana fala de um cara que está na Mongólia. Foi incrível, brasileiro na Mongólia contando e tal, e eu tive que ouvir músicas da Mongólia, separar uma trilha [Cris: Demais.] [Ju: Que legal.] para ser o podcast e depois, rola uma vez por mês, ”O Som do Mundo”, que eu comento essas trilhas que eu separei. [Ju: Muito legal]. Então, se vocês quiserem…

Ju: Aliás, eles lançaram um projeto novo que eu já comecei a ouvir, estava também no meu bolso para eu indicar num Farol Aceso, que é “O Nome Disso é África” [Oga: Está incrível.] que está sensacional e, assim, como é gostoso o sotaque dela e, putz, viajei muito nisso. Vale a pena. Quem ainda… Quem é mamileiro e ainda não escutou “O Nome disso é mundo”, por favor, né, gente. A gente indica eles desde o início. [Cris: Não é à toa.] É, então vão lá escutar.

Oga: E é isso. “Master of None” também. Amo, amo.

Ju: E você, Cris?

Cris: Eu vou fazer um… Não tem nada a ver com o que a gente conversou aqui hoje, mas eu li dois conteúdos muitos legais que eu queria indicar. O [The] Guardian fez um especial sobre do Miles Davis. Se você não conhece, amigo, procure saber, a gente deveria falar de Miles Davis toda semana no Giro de Notícias. Procure saber. É um especial falando sobre uma introdução a Miles Davis. Então eles vão contando um pouco de cada uma das dez canções que eles selecionaram para fazer essa introdução e no final tem uma playlist que tem no Spotify. Então, não tenho muito o que falar, só sei sentir. É realmente muito bonito, muito bom, recomendo. E o outro é um conteúdo muito bom que é uma introdução visual ao “Aprendizado das Máquinas”. Eu ando apaixonada por inteligência artificial, acho que a gente está indo para o pós Homo sapiens. A gente ainda vai falar sobre isso aqui no Mamilos. [Ju: Vamos.] Mas a inteligência artificial é o primeiro caminho sobre isso né, como as máquinas aprendem. E esse conteúdo, ele é muito bom, porque ele vai construindo junto com você como que esse aprendizado acontece, é bastante didático. Não é uma questão só de programação, então você vai entender essa relação humano computador, que tá muito ligada à área que eu trabalho, que é user experience mas não é sobre o que eu faço, é sobre como a sociedade pode se relacionar daqui pra frente. Então eu recomendo muito esse conteúdo, estou colocando aqui na pauta pra vocês. Leiam um pouquinho sobre o aprendizado das máquinas. Temos um programa, Juliana?

(Bloco 10) 1:31’00” – 1:40’59’’

Ju: Temos um programa levinho, pra esquentar o coração.

Cris: Diliça. Fica a gostosa sensação de amar e fofocar. Brigada, gente.

Ju: Até semana que vem.

Cris: Beijo.

Thais: Brigada, beijo.

Oga: Tchau, tchau.

[Sobre trilha]

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