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Sem grandes atrações, Netflix faz painel morno na CCXP

Sem grandes atrações, Netflix faz painel morno na CCXP

Canal de streaming aposta em série cyberpunk e retribuição de carinho ao público brasileiro em apresentação

por Pedro Strazza

Embora tenha sido a empresa responsável por trazer a maior celebridade da Comic Con Experience deste ano – o ator Will Smith, que junto do colega Joel Edgerton e do diretor David Ayer vieram fazer a premiere mundial de “Bright” no Brasil – a Netflix mostrou-se surpreendentemente comedida em seu próprio painel na feira. O canal do streaming não deixou de trazer novidades ao auditório Cinemark, mas a apresentação que encerrou os trabalhos do salão no sábado não despertou tanta empolgação quanto se esperava de um estúdio que nas outras edições teve uma curva de crescimento que não só a tirou dos auditórios menores para a colocar no principal mas também se refletiu no naipe de seus convidados, o que nos traz de volta a Smith.

O que a Netflix fez em seu painel deste ano, a bem da verdade, foi uma aposta. Uma aposta feita em cima de atrações pouco chamativas e de seu saudável relacionamento com o público brasileiro (que chegou a assistir no telão da sala um vídeo com dados sobre seus hábitos de consumo no canal), longe de estrelas que guiassem o público a uma curva de catarse como geralmente acontece nas outras apresentações. Por um lado, é uma atitude admirável, pois de certa forma a empresa não está relegando sua audiência a um papel secundário; por outro, a decisão talvez tenha sido arriscada demais para os padrões atuais do evento e a própria janela em que se deu o painel, ocupando um espaço de tempo onde ou se entrega algo grandioso ou se perde o interesse muito rápido. E as pessoas que aos poucos se levantaram e foram indo embora em grupos grandes do auditório talvez seja a prova maior disso.

Tiroteio de informações

Independente das escolhas feitas, é fato que o painel da Netflix começou a todo vapor, com uma sequência de informações em velocidade quase assustadora. Após um vídeo inaugural com várias séries e filmes do canal intercalados, o telão do auditório já ligou com o primeiro trailer da segunda temporada de “Jessica Jones” (que você confere abaixo) e um vídeo de celular gravado por Selton Mello nos escritórios da empresa, anunciando sua série feita para o streaming, “O Mecanismo”, de um jeito sutil e bem humorado. Essa abordagem intimista repercutiria ao longo do painel em caráter subjetivo, mesmo com as produções apresentadas tendo características distantes deste perfil.

Mamutes milionários

A seguir, a apresentadora subiu ao palco para apresentar o painel de “Altered Carbon”, série de ficção-científica do canal que ganhou suas primeiras imagens, vídeos e prévia na CCXP. Após à exibição do teaser, subiram ao palco os membros do elenco Joel Kinnaman, Renee Goldsberry, Dichen Lachman, Will Yun Lee e Martha Higareda para conversar sobre o programa e falar mais sobre a produção milionária do estúdio. O ator James Purefoy também estava previsto no painel, mas por conta de uma emergência familiar cancelou a vinda ao evento.

Baseada no livro de Richard Morgan, a série trata de um universo cyberpunk onde a morte acabou anulada pela transferência da mente para novos corpos através de chips, algo que é aproveitado inclusive por criminosos cumprindo pena. É o caso de Takeshi Kovacs (Lee), um homem condenado à prisão por mais de 200 anos e que tem a sua mente transferida via chip para um novo corpo (Kinnaman). Liberto, ele é contratado por um milionário para ajudá-lo a resolver o assassinato dele próprio, já que os dados de sua transferência para o corpo novo foram perdidos quando este foi brutalmente morto.

Pelas prévias e clipes apresentados, a produção tem grande cara de ser um “Blade Runner” um tanto quanto genérico, e talvez por isso o painel tenha se dedicado mais ao valor da produção que a clarificação dos meandros da trama. Não à toa, sobraram discursos sobre preparação física e trabalhar em sets gigantes (segundo Kinnaman, um deles tinha o tamanho de três campos de futebol americano) e só no fim da apresentação que os atores falaram um pouco mais de seus papéis no seriado.

Outro tema que teve destaque no longo painel (a duração beirou a uma hora e quinze minutos) foi o empoderamento feminino. As três atrizes se divertiram bastante no palco falando sobre como suas personagens tinham grandes cenas de ação no seriado, algo que Lee sintetizou ao afirmar que “as mulheres vão chutar muitas bundas nessa série”.

Prestígio internacional

Findado a participação do elenco de “Altered Carbon”, era hora das atrizes Bianca Comparato e Vaneza Oliveira subirem no auditório para discutir a recepção de “3%” no mercado e a importância de suas personagens na série para o cenário atual.

O painel foi rápido, mas descontraído. À vontade no palco (as duas estavam presentes na apresentação da série na CCXP há um ano quando o seriado nacional teve confirmado no evento sua segunda temporada), Comparato e Veneza falaram bastante sobre seus papeis na produção e suas carreiras antes e depois da Netflix, discutindo ainda como a série teve grande repercussão no mundo e como isso era importante. Mais para o final, elas falaram um pouco sobre a segunda temporada, que ganhou um curto teaser (confira abaixo) no evento. Segundo elas, o novo ano deve explorar a origem do Processo e o interior da Causa, se passando cerca de doze meses depois da primeira temporada e cinco dias antes de um novo Processo. Oliveira afirmou que adorou a nova leva de episódios porque os roteiristas escreveram mais cenas de ação para ela: “Eu corro pra caramba nesta segunda temporada, vocês irão ver!”, disse.

Carinho retribuído

Para encerrar a apresentação, a Netflix exibiu com exclusividade aos presentes o primeiro trailer do especial de encerramento de “Sense8”, série das irmãs Wachowski que foi cancelada pelo canal no meio do ano. A prévia traz todo tipo de informação sobre os múltiplos finais que o seriado deve ter, incluindo aí todo tipo de ação, comemoração e uma resolução bonita ao relacionamento amoroso complicado de Wolfgang (Max Riemelt) e Kala (Tina Desai). Também foi exibido um making of de agradecimento a todos os fãs que ajudaram a série a conseguir um final financiado pelo estúdio (que você pode conferir abaixo), um gesto que pontuou com efusividade o tom carinhoso com que a Netflix trabalhou o seu painel na CCXP deste ano.

Que este carinho com os brasileiros continue no próximo ano, especialmente na forma de um painel dedicado ao final de “Sense8”.

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