SXSW 2018: Ctrl+Alt+Futuro

Pesquisadora da NYU afirma que em breve substituiremos o celular e passaremos a dar mais valor aos dados

por Juliana Vilhena Nascimento / Chief Business Officer da F.biz

Quem como eu entrou hoje no Ballroom D para ouvir Amy Webb, futurista quantitativa da New York University (NYU), com certeza saiu da palestra com um pedacinho quebrado.

Ela veio falar de tendências e a primeira coisa que fez foi definir o que ela entende como uma: algo que decorre de necessidades humanas básicas, que vem para ficar MAS acaba evoluindo ao longo do tempo e que se desenvolve de forma interdependente e convergente. Posto isto, ela falou de três macrotendências que repito pra vocês agora:

1) 2018 – O ano em que os celulares terão seus dias contados

Com o advento das interfaces de voz e dos wearables gadgets, Webb vê um futuro próximo em que vamos usar uma mistura de aparatos – como fones, relógios, óculos ou lentes – e não vamos mais precisar carregar nossos “tijolinhos” de um lado para o outro. E neste futuro, nossas senhas e impressões digitais serão substituídas por “faceprints” e “voiceprints”.

2) Inteligência artificial – a nova era da computação

Webb também demonstrou que o uso de inteligência artificial não mais está em um futuro distante, mas sim no presente, seja nas pequenas coisas (como os chatbots) ou nas grandes. No ano passado, por exemplo, nasceu o primeiro “filho” de um algoritmo. Para ela, a capacidade de compreensão e aprendizado que uma IA está ganhando com as interfaces de voz vai mudar o patamar do seu uso. E como IAs precisam de dados para aprender e interagir com o ser humano, ela vaticinou: “dados serão o novo óleo até 2038”.

3) Biologia é a nova tecnologia

A tecnologia que viabiliza a edição de genes e os nanobots vao transformar completamente a medicina. Nossos médicos vão precisar ser treinados em robótica para prescrever pequenos robozinhos autônomos que vão nos curar – e espionar.

Para Webb, o objetivo de fazer previsões como as dela é obviamente o de usar este conhecimento na projeção de cenários, sejam eles otimistas (que ela acredita que não vão se realizar), pragmáticos (que tem de 50 a 70% de chance de acontecerem) e pessimistas (algo em torno de 30 ou 50% de probabilidade de se instalarem). A chave para a gente evoluir para um cenário que não seja catastrófico, ao seu ver, é juntar mentes criativas, colocando cientistas e engenheiros ao lado do poder público e de órgãos reguladores em volta deste conhecimento para trabalhar em favor de um futuro melhor.

A consequência se não fizermos isto? Um mundo onde a privacidade não existe, a distribuição de renda fica ainda mais desigual e no qual nanobots decidem se um bebê sobrevive ou se será abortado. Sem dúvida um mundo que nenhum de nós almeja.

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