SXSW 2018: Consumismo sustentável, renovação de marcas e diversidade empresarial

Enquanto empresas como o Uber tentam se desatrelar da péssima reputação que tem, a sustentabilidade e a diversidade do quadro de funcionários aparecem como alternativas

por Rita Vilarim / Diretora de Produção da Publicis Brasil

Hoje foi um dia que encontrei mais histórias inspiradoras que tecnologias na SXSW.

Minha primeira escolha foi a palestra “How can sustainability coexist with consumerism?” (“Como a sustentabilidade pode coexistir com o consumismo”, em português) com Jim Walsh, fundador do Instituto do Sistema de Energia Humano (HESA). No evento, ele deixou claro que a sustentabilidade tem que ser lucrativa, socialmente viável para as famílias que produzem e também deve garantir a manutenção dos recursos do meio ambiente. Mas o consumismo é uma ordem social econômica que incentiva a aquisição de produtos e serviços de forma crescente, então só é possível conciliar coisas tão antagônicas se três forças estiverem integradas: políticas governamentais, consumidores conscientes e boas práticas comerciais.

O trabalho de Walsh é baseado na educação dos produtores e na comunicação com os compradores. Ele diz que é preciso entender as particularidades regulatórias de cada país comprador e que sim, os produtores têm que conhecer os seus consumidores. Quando o consumidor conhece o modo manual de produzir e a história da região, ocorre um interesse genuíno que desencadeia em uma sintonia e na escolha por produtos sustentáveis. Foi isso que permitiu, por exemplo, um crescimento de mais de 300% nos negócios da marca Kimo Sabe em oito anos. Ou seja, além do tripé formado por políticas, consumidores e práticas comerciais o papel da boa comunicação é também bastante fundamental.

Na sequência assisti “Break & Re-Make Your Brand with Uber” (algo como “Quebre e refaça sua marca com o Uber“), uma palestra com Bozoma Saint John, a CBO da companhia. Afim de criar um retrato da forte imagem trazida no palco com a presença da empresária, é válido apontar que Saint John é uma mulher negra e estava vestindo naquele fim de manhã um belo vestido prateado.

Cheia de estilo, ela disse que a inspiração vem de todos os lugares e que não há tempo melhor do que agora pra explorar os diferentes pontos de vista, uma medida capaz de tornar a sociedade atual melhor. Transparência, afinal, é a ordem do dia, e as empresas precisam ter em mente que o produto ou serviço que querem vender devem estar alinhados com o time que os desenvolve.

Na palestra, Saint John expressou seu desejo de ver mais negras na liderança das empresas e no Vale do Silício, uma afirmação muitas vezes repetida no keynote em que Melinda Gates expôs o trabalho que desenvolve na Bill & Melinda Gates Foundation e dentro de sua própria casa. Segundo a senhora Gates, todas as relações e responsabilidades devem ser iguais e independentes do gênero.

Neste mesmo painel, a advogada Nina Shaw lembrou que as mudanças só vão ocorrer quando as minorias estiverem igualmente representadas nos conselhos das companhias e que, antes de contratar, é preciso pensar se a pessoa é a melhor pessoa para aquele trabalho. Qualquer trabalho deve ser preenchido pelo seu talento e as empresas devem ouvir seus talentos e suas perturbações ambientais.

Depois de tanto “papo cabeça”, fui até a casa do Pinterest em busca de algum conteúdo mais fácil. Não encontrei, mas paguei um pequeno mico aqui.

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