Alok Lollapalooza 2018

Lollapalooza Brasil 2018: ainda maior, festival agrada ao explorar os gostos de seu público

Com edição maior, Lollapalooza 2018 tem poucos erros na organização e oferece diversidade de lineup e público

por Soraia Alves

Uma coisa ficou muito evidente nesse Lollapalooza 2018: o festival conhece bem o seu público e sabe como agradá-lo. Ao mesclar artistas clássicos, populares e de nicho como Pearl Jam, Red Hot Chili Peppers e Lana Del Rey, por exemplo, o Lolla cria grupos dentro de seu próprio público. É uma forma de acertar as ações no micro, garantindo o sucesso geral no macro.

Se há quem não dispense seu lugar na grade para ver os shows, há aqueles dispostos a passar um bom tempo em uma fila para conferir a vista privilegiada de cima da roda-gigante. Há quem experimente as opções do mais requintado Chef Stage e há quem gaste apenas com um dogão. Há quem chegue quase no final da noite só para conferir o último show, e há quem espere a chegada do seu youtuber favorito no espaço de uma das diversas ativações espalhadas por Interlagos.

Erra quem classifica o Lolla como “um festival poser”, que serve mais para o desfile de looks do dia que para aproveitar os shows. Sim, você encontra alguém que, sabe-se lá porque, acha que colocar um cocar na cabeça é uma ótima ideia, assim como algumas pessoas de feições perdidas ou desinteressadas. Mas a maior diversidade que foi sendo moldada ao longo dessas sete edições do festival ficou bem evidente nesse Lolla 2018 de forma positiva.

Marcas e patrocinadores também entenderam isso. A maioria soube mesclar suas ativações de forma a entregar ações interessantes para todos os gostos. A Budweiser, por exemplo, transportou os saudosistas para os anos 1990 com suas ativações, mas também ofereceu opções de piercing, lugares para descanso, entre outras atividades diferentes entre si.

Fica, aliás, a observação de que a troca da Skol pela Budweiser como cerveja oficial do festival foi mais que acertada.

Já a Doritos atendeu ao público mais jovem e fã de influenciadores digitais ao levar alguns nomes ao seu lounge, mas também trabalhou com a curiosidade do público ao propor descobertas em sua pirâmide misteriosa, além de oferecer serviços como barbearia, maquiagem grátis e distribuição de brindes em outro espaço. Só com essas três ações, os nichos atingidos são os mais abrangentes.

Com todos os dias batendo o sold out de 100 mil pessoas, a estrutura não decepcionou. Ressaltamos que em um evento desse tamanho, pegar filas é mais que compreensível. Mas, tirando os horários de pico entre shows, tudo funcionou de forma aceitável.

Para o próximo ano, a organização poderia pensar em melhorar o esquema dos banheiros. A opção container usada no Rock in Rio, por exemplo, é bem mais higiênica que os banheiros químicos do Lolla.

Uma melhor sinalização para os vendedores de bebidas e comidas também seria ideal. Nesse ano, apenas algumas marcas como Doritos e Giraffas tinham sinalizações próprias que facilitavam enxergar o vendedor no meio da multidão.

Por fim, a escalação de shows resume essa diversidade toda. Com um maior espaço para o Hip Hop nesse ano, o Lolla pode contar com apresentações memoráveis como a de Chance the Rapper. Os clássicos como Red Hot Chili Peppers e Pearl Jam, que levam até os mais tiozões a se aventurarem no festival, também garantiram bons shows, com destaque para a banda de Eddie Vedder. O Rock “mais jovem” e radiofônico do The Neighbourhood também ganhou um show justo, mas a potência do Royal Blood é que dá vida à nova geração do Rock n Roll.

O The Killers fez muita gente comemorar que “o Indie está vivo”, enquanto Lana Del Rey contou com fãs bem fiéis, vestidos dos pés à cabeça em homenagem a ela.

Teve eletrônico fritação, eletrônico modinha, eletro Pop, discursos engajados de bandas nacionais como a Francisco El HombreLiam Gallagher deixando a tarefa de escolher entre ele e seu irmão mais difícil e garantindo a cota de camisetas do eterno Oasis na edição desse ano.

Teve de tudo e para todos os públicos.

Se visualmente, em grande escala, o Lollapalooza parece um festival para um público homogêneo, de perto e olhando pela lupa da experiência interna, não é bem assim. A diversidade espelhada no lineup é percebida entre o público disposto a encarar um ou todos os três dias do festival.

E se você ainda acha que a cara do Lollapalooza é “jovem demais”, tudo bem, porque se até veteranos podem se surpreender e sair bem satisfeitos com a experiência do festival e pensando como será em 2019, imagine então a fidelidade dos mais jovens ao Lollapalooza como marca.

Vida longa ao Lolla!

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