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Janusz Kaminski acredita que trabalho de diretores de fotografia está desaparecendo nos tempos digitais

Janusz Kaminski acredita que trabalho de diretores de fotografia está desaparecendo nos tempos digitais

Responsável pela fotografia dos últimos 4 filmes de Steven Spielberg afirma que os profissionais da área já não tem mais o mesmo controle que tinham sobre as imagens que produzem

por Pedro Strazza

A fotografia existe no cinema desde os seus primórdios e continuará presente até o último suspiro da sétima arte, mas a posição do diretor de fotografia enquanto voz criativa está ameaçada. Isto pelo menos é o que afirma Janusz Kaminski, premiado profissional do ramo e responsável pela fotografia de diversos filmes de Steven Spielberg (incluindo os seus quatro últimos trabalhos), que na última segunda-feira (9) discutiu o tema do advento do digital na área durante sua participação no NAB Show em Las Vegas.

Na palestra realizada pela International Cinematographers Guild, Kaminski fez um alerta sobre como a “posse da imagem” pelo diretor de fotografia desapareceu com a tecnologia digital, que permitiu às produções que manipulassem da forma que bem quisessem os planos filmados pelas câmeras de cinema na pós-produção. De acordo com o The Hollywood Reporter, o cineasta diz que “Há muitos cozinheiros na cozinha. Até aqui os resultados tem sido bons se você tem um bom chef, como Steven [Spielberg]. Mas à partir do momento que o diretor não está mais envolvido, [o diretor de fotografia] perde o controle da imagem.”.

Para dar um exemplo desta mudança de poder dentro da criação, Kaminski usou de exemplo o seu trabalho em “Jogador N° 1”, filme mais recente de Spielberg. O diretor afirma que tem muito orgulho de tudo aquilo que fez na adaptação do livro de Ernest Cline para os cinemas, mas ao mesmo tempo acredita que sua contribuição efetiva para o projeto foi em torno de 40%. Afinal, é em torno desta porcentagem que a ação do longa acontece no mundo real, enquanto que no resto é tudo feito por captura de movimento e CGI. “A imagem se tornou tão manipulada, [que isso já começa no set] com o técnico de imagem digital. Não há limites.” ele acrescenta.

Sobre o futuro da profissão frente às novas tecnologias, Kaminski afirmou que o grande desafio da fotografia no cinema será um de origem criativa. “Fotografia é a arte da luz e das sombras, de metáforas visuais e nuances. Isto está desaparecendo. Ela irá evoluir e regredir. Mas por agora [não há diretores de fotografia jovens o suficiente] usando a fotografia para se expressar” ele conclui, quase como num lamento.

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