Funcionários do Google estão recebendo anúncios exigindo mudanças no sistema de pesquisas da empresa

Segmentados por sua profissão, eles são alvo de uma campanha criada pela Yelp e o TripAdvisor para tornar o Google mais justo

por Ana Roza

Em uma frente de conscientização batizada de “Focus on the User”, Yelp e TripAdvisor uniram forças para chamar a atenção sobre a forma parcial do sistema de pesquisas do Google. Dessa vez, porém, eles decidiram falar diretamente com quem traz esses resultados: os funcionários.

Através de um vídeo direcionado, as empresas utilizaram uma animação para explicar como funciona o sistema de ranqueamento de buscas do Google – sua importância e seu peso. Segundo o anúncio, o foco em trazer o melhor conteúdo para o usuário se perdeu com o tempo, dando espaço para práticas de classificação que beneficiam os próprios materiais da empresa. Com gráficos e exemplos gerais, o vídeo discute a responsabilidade em trazer informações selecionadas de maneira comercial.

O objetivo da campanha é justamente trazer essa responsabilidade para as mãos de quem está por trás dos serviços oferecidos pela empresa. Com uma segmentação direta, funcionários do Google estão sendo incentivados a refletir sobre as práticas que sua chefia possui. O vídeo pede que a mensagem seja levada adiante e discutida entre os colegas.

FOCUS ON THE USER

Apesar de ser uma iniciativa liderada pela Yelps e o TripAdvisor, “Focus on the User” tem o apoio massivo de diversos grupos de defesa do consumidor, inclusive a organização americana Fight for the Future. A intenção é mostrar como as pesquisas Google tornam os resultados de seus próprios produtos mais relevantes por interesse comercial. O que, acima de tudo, ajuda a aumentar o monopólio da empresa em diversos setores.

Essa não é a primeira ação da Yelps contra o Google. Claramente contrários à forma de trabalho do buscador, a multinacional americana tornou público há um ano sua preocupação contra esse controle. Recentemente, também, registrou uma queixa junto aos órgãos da EU, afirmando abuso de domínio.

O Google negou todas as acusações feitas. Segundo a empresa, sua responsabilidade é trazer os melhores resultados para os usuários, e quando algum dos sites dessas pessoas não aparecem mais, eles entendem que isso pode trazer insatisfação e reclamações. Ainda, em declarações passadas, o Google sempre deixou claro que faz o que acredita ser melhor para o consumidor, já que muitas vezes ele não sabe exatamente o que está procurando. Por isso, utiliza sua própria base de dados para deixar tudo mais fácil.

Para tentar provar que a realidade é um pouco diferente, o Focus on the User desenvolveu uma espécie de extensão, capaz de trazer resultados mais justos. Em resumo, o plugin tem um algoritmo projetado para tornar as pesquisas de buscas mais “limpas”. Quando ativado, ele elimina as respostas que tenham conexão com o Google+ ou outros produtos da empresa, divulgando informações relevantes por outros critérios, incluindo diferentes serviços de análises.

Para ler os exemplos e baixar o plugin, você pode conferir o site oficial da iniciativa. A extensão é bem simples. Em testes realizados (depois de limpar dados, cookies e históricos), os resultados de buscas com e sem “FOTS” se mostraram basicamente os mesmos.

Busca por “hóteis em são paulo”. Resultado com e sem extensão, respectivamente.

Após uma renúncia em massa como forma de protesto contra a parceria do Google com o governo americano, talvez o próximo passo seja mesmo transformar o “Big Brother” de dentro para fora. Afinal, depois de remover do seu código de conduta o mote “don’t be evil”, é bom que alguém esteja de olho em tudo que acontece por ali.

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