Ministro britânico propõe criação de identificação digital obrigatória

Segundo Ben Wallace, essa seria a única forma de “manter a ordem online”

por Ana Roza

Para o ministro britânico Ben Wallace, o controle de usuários na internet chinesa é um exemplo a ser seguido no Reino Unido. Em entrevista essa semana, o Ministro de Segurança de Theresa May afirma que a única forma de manter a internet protegida é criando uma forma de identificação digital mais rigorosa para todos os usuários. A proposta sugere acabar com os “crimes online” ou, pelo menos, com a sensação de impunidade. Formas de autenticação com contas bancárias também podem ser utilizadas, afirma o ministro.

Para Wallace, o custos dessas mudanças devem ser arcados pelas empresas de mídias sociais. De forma clara, ele chama alguns nomes do Vale do Silício de “falsos”, e pede que as empresas contribuam mais para a sociedade com sua tecnologia, sem custos.

Esse tipo de registro é muito associado com países de autoridades abusivas, como acontece com a China e o Cambodja, que já identificou críticos contra seu governo através do Facebook e utilizou desse sistema para punição e tortura. Ainda, o anonimato online é uma das forças por trás de denúncias contra grandes esquemas de governo. Países como a Inglaterra, que possuem Leis de Difamação que protegem sua elite mais poderosa, tiveram escândalos de abuso sexual descobertos dessa forma, por exemplo.

Apesar das falas soarem como a de um delegado tentando defender seu território contra a usurpação da máfia, o tom do ministro ignora a liberdade dos usuários. Com certeza o anonimato pode funcionar como uma máscara para pessoas mal intencionadas mas, por outro lado, ainda sim é uma tradução do direito a liberdade de expressão e uso. Talvez existam formas melhores de combater crimes cibernéticos, sem precisar instaurar sistemas parecidos com ditaduras do silêncio.

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