Quem é mais emblemático: The Carters ou a Mona Lisa?

Quem é mais emblemático: The Carters ou a Mona Lisa?

O novo projeto do casal pop mais poderoso do mundo é uma obra de arte

por Silvia Guerra

“Apeshit” foi a música escolhida para o primeiro clipe de The Carters, projeto de Beyoncé e Jay-Z, lançado de surpresa junto com álbum “Everything is Love”.

“Apeshit” é uma gíria que significa um estado total de euforia (ou raiva também), e pela letra da música dá para entender que sim, eles estão realmente MUITO felizes. A música representa bem a conquista do casal ao chegar ao topo do sucesso, do luxo, da ostentação. Ou seja, eles são tão poderosos que poderiam ser uma obra de arte exposta no Louvre. Pensando assim, por que não gravar no museu mais famoso do mundo?

O Louvre é o maior símbolo de soberania, poder, luxo e onde estão algumas das obras de arte mais importantes da história. Mas é também um lugar onde grande parte dos artistas são brancos, retratando personagens brancos e com pouca representatividade negra. E foi lá mesmo que o casal decidiu gravar este clipe icônico.

Visualmente impactante e esteticamente perfeito, o clipe coloca o casal mais poderoso do pop mundial em um lugar de destaque, para serem observados como se estivessem mesmo em um museu. Nas cenas, cada posicionamento do casal e das bailarinas, combinados ao figurino impecável, tem um significado importante e muitas vezes a letra acompanha. Aqui vão alguns destaques:

Quem consegue ficar de costas para a “Mona Lisa”? Só mesmo Beyoncé e Jay-Z, que com esse sorrisinho misterioso parecem dizer que são tão poderosos quanto a Gioconda. Nessa parte nem precisa de letra nenhuma, apenas silêncio e contemplação.

Aqui, os dois estão em frente à estátua de Samotrácia, ou “Nice de Samotrácia”, que celebra o poder e a vitória na guerra. Neste trecho, a música diz: “I can’t believe we made it / this is why we’re so thankful” – algo como “Não acredito que conquistamos isso / Por isso somos tão gratos” em português.

Nessa cena, Beyoncé está no centro do quadro “A Coroação de Napoleão” junto a suas bailarinas. Se você reparar bem, Queen B está exatamente em frente à rainha Josephine. Enquanto isso, a letra diz “I got expensive habbits” (“Tenho hábitos caros”). Rainha né, mores?

Aqui, Jay-Z está em frente a um dos poucos quadros que retrata negros, mesmo assim só em alguns detalhes. O quadro “A Balsa da Medusa” é inspirado no naufrágio de uma embarcação francesa quando ia para a costa do Senegal.

Esses são só alguns destaques desse clipe emblemático, que, para ainda contribuir com a luta feminina negra, teve uma segunda diretora no comando: a britânica de origem nigeriana Jenn Nkiru. É a primeira vez que ela trabalha com o casal, que vem seguindo a tendência de convidar mulheres negras para a criação e direção de seus trabalhos em vídeo, a exemplo de Melina Matsoukas para o “Formation” de Beyoncé e Ava Duvernay para o “Family Freud” de Jay-Z.

As mensagens e críticas no clipe e na letra da música são muitas, porém o que nos cabe é apreciar e entender a importância dessa obra prima da música negra contemporânea.

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