É o momento de mudar o Young Lions

Abaixo assinado cobra uma competição mais justa e inclusiva

por Juliana Wallauer

Gabriela Guerra é redatora e mora em Cingapura. Leandro Bordoni é diretor de arte e mora na Espanha. Ambos são jovens publicitários que se indignaram com o fato da categoria Criação da edição brasileira deste ano do Young Lions não ter tido nenhuma mulher entre os vencedores.

Essa indignação levou Gabriela e Leandro a criarem o movimento FairLions.co, que propõe um processo totalmente novo a partir de 2019 para a seleção dos jovens criativos brasileiros que representarão o país no Festival de Cannes, com credencial e passagem por conta da organização.

A verdade é que falta de representatividade tem sido a tônica no histórico da competição. A categoria Criação, desde 1995, só teve 15% de mulheres vitoriosas. Mais que isso: refletindo a própria realidade do mercado publicitário, pouquíssimos vencedores foram negros ou advindos de agências de menor porte.

O processo de seleção atual e seus problemas

Na categoria Criação, o processo de seleção é praticamente o mesmo desde a origem do Young Lions Brasil. Primeiro, os candidatos pagam uma inscrição e submetem portifólios identificados. Depois, os vencedores de edições passadas dão notas a partir da análise desses portifólios identificados, gerando uma short list. Finalmente, um júri, também formado apenas por ex-Young Lions, seleciona os vencedores.

Ou seja, o processo acaba tendo um altíssimo potencial de:

● Elitismo e exclusão, porque a inscrição não é barata para um(a) publicitário(a) iniciante, especialmente se estiver fora do eixo SP-RJ e as possibilidades de portifólio não são iguais em agências de diferentes regiões e portes;

● Favorecimentos e julgamentos com viés inconsciente, porque os trabalhos não são expostos de forma anônima;

● Perpetuação dos vícios, porque os júris, nas duas fases, são formados somente por pessoas selecionadas pelo critério vigente — e seus problemas.

A proposta do movimento

Para estabelecer um processo totalmente diferente e mitigar cada um desses problemas, o FairLions.co propõe, entre outras coisas:

Mais inclusão nas inscrições: Inscrições gratuitas ou com muito desconto para profissionais de minorias e grupos minorizados, tais como mulheres, negros(as), profissionais de agências menores etc.

Mais alinhamento com o festival: Fim dos portifólios. O Brasil é o único país em que os Young Lions de Criação são selecionados dessa forma e não por uma competição real, que já simula a situação que encontrarão no Festival de Cannes;

Mais igualdade na competição: No lugar de portifólios, um briefing único para ser respondido em 24 ou 48 horas. Trabalhos submetidos de forma anônima, de forma que ninguém dos júris saibam em quem estão votando ou para quem estão dando notas.

Mais diversidade no julgamento: Ex-Young Lions continuam participando, mas devem ter o peso de apenas parte do júri. O corpo de jurados e juradas devem ter profissionais que representem, também, minorias e grupos minorizados.

Como participar do movimento

Para ajudar o movimento a pressionar a organização do Young Lions Brazil em direção a essa mudança, foi criada uma petição na plataforma change.Org — uma espécie de abaixo-assinado digital que qualquer pessoa pode assinar.

Você pode acessar a petição aqui.

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