Privar crianças de acesso à internet é abusivo, diz sociologo

Ellis Cashmore argumenta que a rede é parte de nossa sociedade e deve ser vista como tal

por Matheus Fiore

Quando falamos de acesso à internet na infância, certamente o debate divide a internet. Se por um lado, a rede permite acesso a uma infinidade de conteúdo dos mais variados tipos, por outro, deixa os internautas suscetíveis a uma parte não muito saudável da web, como os conteúdos que trazem violência, pornografia e demais material inadequado para menores de idade. Muitos pais, portanto, acreditam que devem afastar seus filhos dos aparelhos eletrônicos, enquanto outros são liberais e permitem que as crianças naveguem livremente.

O sociólogo Ellis Cashmore, que está escrevendo o livro “Screen Society” (Sociedade da Tela) está do lado dos que são favoráveis à liberação da internet para os mais jovens. De acordo com o britânico, cercear a liberdade das crianças na rede é uma forma de abuso e alienação.

Cashmore, que é professor honorário de sociologia na Aston University, em Birmingham, acredita que as telas oferecem às crianças uma variedade de atividades similar às que eles poderiam fazer offline, e que as banir disso poderia impedir seu desenvolvimento social.

Em entrevista ao Independent, Cashmore afirmou: “Imagine se os pais impedissem seus filhos de ler, assistir e conversar com outras crianças. Ou jogar jogos educativos, desenhar, colorir e dançar. Crianças realizam todas essas atividades quando estão diante das telas”.

Cashmore argumenta que é importante termos ciência de que a geração atual está crescendo em um mundo que é dominado por telas, e portanto, alienar os mais novos disso é algo não natural. “Telas são parte da realidade delas”, diz Ellis.

Na entrevista, Ellis ainda diz que um dos maiores equívocos dos pais quanto à forma que encaram a internet e aparelhos eletrônicos é pensar que estes são viciantes. “Nós podemos, potencialmente, nos tornar dependentes de qualquer coisa ou de qualquer atividade: chocolate, sexo, ironias… Mas isso não é um vício”.

Com a acessibilidade das redes trazida pelas múltiplas telas, o caminho parece ser permitir um acesso controlado para as crianças. O Facebook, por exemplo, criou o Messenger Kids, plataforma de troca de mensagens destinada à crianças, mas conectada aos perfis dos pais, permitindo que crianças de até 13 anos utilizem o bate-papo sob supervisão de seus responsáveis.

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