Mark Zuckerberg causa polêmica ao afirmar que não excluiria do Facebook comentários que negam o Holocausto

Pela primeira vez, vemos o que o CEO pensa sobre um dos grandes problemas do Facebook

por Soraia Alves

Mark Zuckerberg não foi nada feliz em sua última declaração. Em conversa com Kara Swisher, do Recode, o CEO do Facebook afirmou que acha que postagens que negam a existência do Holocausto não deveriam ser apagadas da plataforma, uma vez que essas mensagens tenham vindo de usuários que não estivessem cometendo um erro intencional.

“Eu sou judeu e há uma série de pessoas que negam que o Holocausto aconteceu. Acho isso profundamente ofensivo, mas, no fim das contas, não acredito que a nossa plataforma deveria remover [esse tipo de conteúdo], pois penso que há coisas que pessoas erram de maneiras diferentes. Não imagino que elas estejam errando de maneira intencional”, disse o CEO.

Basicamente, Mark acha que as pessoas sem conhecimento sobre um fato deveriam ser autorizadas de dizer o que pensam no Facebook, mesmo que isso signifique que elas estão sendo ofensivas com outras pessoas.

A jornalista ainda lembrou Mark que, na maioria das vezes, quem nega a existência do Holocausto, por exemplo, sabe muito bem o que está fazendo, mas Zuckerberg respondeu que “É difícil impugnar e entender a intenção [de quem posta]”.

O CEO afirma que todo o tipo de material contendo fake news sobre qualquer assunto, inclusive genocídios, deve ser banido do Facebook, mas controlar o que cada pessoa pode ou não escrever na plataforma seria demais. “A abordagem que temos com as notícias falsas não é sobre dizer que você não pode falar algo errado na internet. Acho que isso seria extremo demais”, explica.

As equivocadas afirmações de Mark Zuckerberg repercutiram negativamente, principalmente dentro da comunidade judaica. Em entrevista ao The Guardian, Stephen Silverman, diretor da Campaing Against Antisemitism, disse que o CEO foi extremamente irresponsável em suas colocações, simplesmente porque “não existe isso de uma negação do Holocausto benigna”.

Depois da má repercussão, Zuckerberg se pronunciou em um email enviado à jornalista Kara Swisher: “Pessoalmente, vejo a negação do Holocausto como algo profundamente ofensivo e de maneira alguma quis defender a intenção de pessoas que fazem isso. O nosso objetivo em relação às fake news não é evitar que qualquer pessoa diga alguma inverdade, mas impedir que as notícias falsas e a desinformação se espalhem pelos nossos serviços.”

Por que a declaração é um equívoco?

Se você ainda está se perguntando por que Mark Zuckerberg está errado, vamos lá: o CEO está afirmando que banir a diferença de opiniões em uma rede social como o Facebook é um ato extremo. Ok. Mas, de acordo com o exemplo que ele mesmo dá – que algumas pessoas acreditam que o massacre de cerca de 6 milhões de judeus e milhões de outras pessoas não aconteceu – Zuckerberg também afirma que não há problemas em alguém pensar assim e reproduzir esse pensamento publicamente, caso a pessoa alegue que não está “errando intencionalmente”.

Em outras palavras, se alguém adotar uma visão que seja perigosa e factualmente incorreta, tudo bem, contanto que ela realmente acredita que está certa.

A grande implicação da fala de Zuckerberg é que os fatos não importam, porque tudo pode ter outra interpretação. E isso abre um gigantesco espaço para a propagação dos mais diversos discursos de ódio.

Mesmo o CEO tenha deslizado em suas colocações ou no exemplo dado, fato é que pela primeira vez vimos o que ele pensa de um dos maiores problema do Facebook.

Compartilhe: