Estado americano vai testar voto pelo celular

Estado americano vai testar voto pelo celular

Aplicativo será usado como teste, mas questões de segurança ainda são o maior empecilho para adesão do método

por Matheus Fiore

Americanos da Virgínia Ocidental que vivem no exterior serão os primeiros dos Estados Unidos a votar utilizando apenas um aplicativo em seus smartphones. De acordo com a CNN, a ação é destinada a facilitar o voto na eleição de novembro, especialmente para as tropas que vivem no exterior. Se bem-sucedido, porém, podemos esperar que o experimento seja repetido em maior escala.

Apesar de sugerir mais segurança e modernidade – afinal, os Estados Unidos ainda votam por cédulas de papel –, a novidade causou polêmica e rendeu discussões pelo país. O motivo são as discussões acerca da possibilidade de a Rússia ter influenciado na eleição presidencial de 2016, quando as agências de inteligência americana alertaram para as tentativas de hackers de interferir no resultado.

Ainda assim, o secretário do estado da Virgínia Ocidental, Mac Warner, e a Voatz, empresa de Boston que desenvolveu o aplicativo, afirmam que o método é seguro. Qualquer pessoa que o utilize deve primeiro se registrar tirando uma foto do documento de identificação emitido pelo governo e gravando um vídeo do próprio rosto e envia-los por meio do app.

A Voatz diz que seu software de reconhecimento facial garantirá que a foto e o vídeo mostrem a mesma pessoa. Uma vez aprovados, os eleitores podem votar usando o aplicativo. As cédulas são anônimas, diz a empresa, e registradas no blockchain. Apesar de essa tecnologia ser mais frequentemente associada ao Bitcoin e outras criptomoedas, ela pode ser usada para registrar vários tipos de dados.

A Voatz é uma das várias empresas que exploram a votação por dispositivos móveis e registram votos no blockchain. Até agora, a tecnologia limitou-se a testes e eleições privadas, como a votação para o Hall da Fama do Rock & Roll.

A Virgínia Ocidental limitará o uso de Voatz às tropas militares que servem no exterior. “Não há ninguém que mereça o direito de votar mais do que os caras que estão por aí, e as mulheres que estão por aí, colocando suas vidas em risco para nós”, disse Warner.

Se a tecnologia provar-se segura e eficiente, porém, podemos esperar que seja usada de forma mais ampla no futuro. Um dos problemas do voto por aplicativos, caso este não exija que o eleitor se desloque até uma zona eleitoral, é a ausência de um ambiente seguro para o voto. Ao exigir que o eleitor se desloque até uma região preparada para receber seu voto, o estado garante que ele não estará sob coerção de terceiros para votar por A ou B.

Resta aguardar, portanto, que a tecnologia seja testada e aprimorada, para que garanta tanto a segurança do eleitor para tomar uma decisão importante apenas por seu celular, quanto a certeza de que o voto não será manipulado.

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