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Fim do jornalismo? The New York Times divulga lucro de US$ 24 milhões graças aos assinantes digitais

Em números totais, jornal tem 3,8 milhões de assinantes, dos quais 2,9 milhões são apenas digitais

por Soraia Alves

Muita gente ainda tem dificuldade de entender o longo e turbulento momento pelo qual tem passado o jornalismo e alguns dos tradicionais meio de comunicação. De forma bem simplificada, podemos dizer que o crescimento e a popularização da internet tem afetado diretamente algumas mídias, como é o caso do impresso. Por outro lado, a resistência à modernização (de plataformas e conteúdos oferecidos) e a dificuldade em encontrar formas eficientes de monetização dos meios digitais deixam muitos veículos consagrados em um limbo.

Notícias como o recente fechamento de diversos títulos e a demissão de 500 jornalistas da Editora Abril, infelizmente, não causam surpresa. Mas, antes de cravar sentenças equivocadas como “é o fim do jornalismo”, basta olharmos para os veículos que há tempos entenderam esse período de mudanças e estão trabalhando nas adaptações necessárias para a sua sobrevivência, como por exemplo o The New York Times.

Há muito tempo o jornal tem investido não apenas em um modelo online, mas em novos formatos de conteúdo exclusivamente oferecidos aos seus assinantes digitais. E o resultado não poderia ser melhor: a empresa continuou seu crescimento digital no segundo trimestre de 2018, adicionando 109.000 assinantes apenas digitais. Com mais assinantes, houve também um aumento na receita da empresa, que contrabalançou um declínio na publicidade impressa.

No balanço divulgado pelo NYT nessa semana, a empresa afirma que a receita de assinaturas digitais subiu para US$ 99 milhões no segundo trimestre, um salto de quase 20% em comparação com o mesmo período do ano passado. No geral, a receita total aumentou 2%, para US$ 415 milhões, e a empresa registrou um lucro de quase US$ 24 milhões. Em números totais, o NYT tem 3,8 milhões de assinantes, dos quais 2,9 milhões são apenas digitais.

“As receitas de assinatura representaram quase dois terços das receitas da empresa, uma tendência que esperamos continuar”, diz Mark Thompson, executivo-chefe da empresa, em um comunicado à imprensa.

Mesmo com o aumento das assinaturas digitais, a empresa teve um declínio de 10% na receita de publicidade, com a receita de publicidade digital caindo 7,5%, para US$ 51 milhões. Já a receita de publicidade impressa diminuiu em 11,5%, para US$ 68 milhões.

Outro acerto do NYT é o investimento no podcast The Daily, que provou ser uma ferramenta de sucesso para atrair um público mais jovem para o site.

A próxima aposta da companhia para aumentar o engajamento no site é The Weekly, um programa de TV em parceria com FX e Hulu. Espera-se que o programa tenha um impacto semelhante ao podcast, levando novos públicos para o site, gerando receitas substanciais e apoiando o engajamento e a assinatura digital.

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