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Pintora cubana recria obras de arte clássicas com mulheres negras como protagonistas

Trabalho de Harmonia Rosales busca imaginar como seriam as obras clássicas se a estrutura dominante fosse feminina e negra

por Soraia Alves

Usando obras de arte clássicas para levantar questionamentos na atualidade, a pintora cubana Harmonia Rosales, que mora em Chicago, tem feito versões de obras históricas colocando mulheres negras como protagonistas.

Com essa iniciativa, Rosales mostra como essas figuras foram negligenciadas da história da arte: “Não estávamos lá? Será que todos nós não ajudamos a construir essa terra em que vivemos?”, indaga a artista.

Um das obras analisadas por Rosales é “A Criação de Adão”, de 1508. Se a obra pretende retratar o momento da criação da humanidade, por quê todos os personagens pintados por Michelangelo são brancos? Além disso, se esse é o nascimento da humanidade, por que o há apenas homens na cena?

Obviamente algumas perguntas são respondidas pelo contexto histórico de quando as obras foram produzidas. Ninguém está dizendo que Michelangelo era racista ou misógino. O fato aqui é ver como a sociedade está há muito tempo sendo vista e representada por apenas um olhar: masculino e branco. Essa estrutura dominante de gênero e raça é o que tem ditado a História, e não é diferente com a história da arte.

A proposta de Rosales é imaginar como seriam essas obras clássicas se a estrutura dominante fosse outra: feminina e negra.

O trabalho de Rosales é poderoso. A forma como ela usa a arte para contestar modelos tão arraigados faz as pessoas verem alternativas que questionam as ideologias incorporadas da humanidade até hoje.

A exposição “New World Consciousness”, que junta todas as recriações de Rosales está na galeria RJD, de Nova York de 8 de setembro a 5 de outubro.

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