20th Century Fox deleta cena com ator condenado por assédio sexual do novo “O Predador”

Steven Wilder Striegel foi chamado por Shane Black para um papel de uma cena, que foi removida a pedido do estúdio depois que a questão foi trazida à tona

por Pedro Strazza

Um novo capítulo da franquia “Predador” chega aos cinemas de todo o mundo na próxima semana, mas enquanto a divulgação do filme e sua distribuição seguem de vento e popa a 20th Century Fox teve que lidar com uma pequena situação alarmante envolvendo a presença de um ator acusado de assédio sexual em seu elenco.

De acordo com o Los Angeles Times, o estúdio exigiu que a equipe do filme removesse da produção de “O Predador” uma cena estrelada por Steven Wilder Striegel depois que foi levada à sua atenção o fato do ator ter sido processado na corte americana por acusações de assédio de um menor de idade. Escalado para um papel terciário no projeto, Striegel atuava em apenas uma cena junto de Olivia Munn, atriz que se tornou uma dos principais porta-vozes dos movimentos contra o assédio sexual na indústria cinematográfica norte-americana do ano passado e quem reportou a informação à Fox, em meados do mês passado.

Striegel foi acusado e processado em 2010 por ter assediado uma menina de 14 anos pela internet. Na época tendo se declarado culpado das alegações, o ator afirma em entrevista ao jornal que teria tomado “a péssima decisão” de chamar a garota de “atraente” e “sexy” durante uma troca de e-mails feita semanas depois deles terem conversado em uma reunião de família – segundo o ator, ela seria uma “parente distante” que vinha encarando problemas com drogas e álcool. O documento da acusação submetido ao tribunal, porém, relata que a garota teria sido vítima de contato físico forçado, incluindo beijos, toques em seu seio por cima da roupa, esfregadas em suas pernas e carícias em seu pescoço.

Mas ainda que tudo isso esteja documentado na corte, o estúdio afirma oficialmente que não sabia do passado funesto do ator durante toda a produção de “O Predador”. Ao jornal, porta-vozes da 20th Century Fox declara que “Não estava consciente do passado do senhor Striegel quando ele foi contratado”, acrescentando que isso seu justamente por conta de impedimentos que previnem que a empresa faça uma checagem de histórico de potenciais empregados: “Nós não estávamos conscientes de seu passado durante o processo de casting por conta de limitações legais que impedem os estúdios de checar antecessores dos atores” finaliza a resposta.

Enquanto o estúdio afirme oficialmente que não tinha consciência do passado de Striegel até a denúncia feita pela atriz, o diretor do filme Shane Black não só sabia como decidiu chamar o ator para o elenco por motivos de camaradagem. “Eu acredito que ele tenha sido pego em uma má situação contra algo lascivo. E enquanto eu pessoalmente escolhi ajudar um amigo, eu entendo outros que desaprovem, pois a acusação foi de uma natureza bastante sensível e que não poderia ser levada de maneira leve” ele declarou ao LA Times, quando questionado sobre o caso.

Embora o comando do estúdio deva ter causado alguma correria extra nos últimos toques da pós-produção do projeto, “O Predador” segue programado para estrear no próximo dia 13 de setembro no Brasil e em outros vários países, com a premiere acontecendo hoje no Festival de Cinema de Toronto.

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