hedermostra

9 filmes para se ver na 42° Mostra de Cinema de São Paulo

Programação do evento conta com os principais vencedores do circuito de festivais deste ano e nomes fortes para a próxima temporada de premiações

por Pedro Strazza

Começa nesta quinta-feira (18) a 42° edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, um dos principais festivais de cinema do Brasil e o maior e mais tradicional da capital paulista. Além de servir de lugar para o debute de diversos projetos, a Mostra é também famosa por proporcionar o primeiro contato do público brasileiro com alguns dos filmes mais comentados lá fora – algo que este ano foi sem dúvida multiplicado por uma série de fatores.

Ainda que tenha perdido o importante patrocínio do BNDES e conte com uma programação reduzida por conta dos duros cortes de orçamento (algo que afetou a tradicional seção de retrospectivas, bastante discreta nesta edição), a Mostra deste ano conta com o que é talvez a sua seleção mais pop dos últimos anos, ainda mais por conta do adiamento do Festival do Rio do começo de outubro para novembro. Junto da aparente crise que tomou o vizinho, o fato de acontecer ineditamente antes do Rio possibilitou ao evento organizado por Renata de Almeida a possibilidade de trazer um recorte mais amplo das principais produções que dominaram o circuito de festivais ao redor do mundo. Tanto é verdade que a Mostra praticamente abocanhou toda a seleção oficial do último Festival de Cannes, além de contar com os mais recentes vencedores de Berlim (o romeno “Não Me Toque”), Veneza (“Roma”), Locarno (“Uma Terra Imaginada”) e Sundance (“O Mau Exemplo de Cameron Post”) em sua programação.

Para celebrar o início do evento, listamos abaixo nove filmes que valem ser conferidos na edição deste ano. Tem de tudo, de novos projetos de grandes cineastas aos prováveis competidores do próximo Oscar, passando por restaurações e obras celebradas pelo meio nos últimos meses. Vale lembrar, o site da Mostra conta com todas as informações sobre as datas e horários dos filmes aqui listados.

“Guerra Fria”, “A Favorita”, “Infiltrado na Klan” e “Roma”

Ainda que a Mostra tradicionalmente traga um ou dois filmes com mais em evidência na pré-temporada de premiações, em 2018 o festival conseguiu se superar neste departamento. Nada menos que quatro fortes candidatos a chegar às principais categorias do Oscar do ano que vem estão presentes na lista de produções selecionadas para a edição deste ano, incluindo “A Favorita” do grego Yorgos Lanthimos (que também foi escolhido para abrir o evento), o “Infiltrado na Klan” de Spike Lee, o polonês “Guerra Fria” e o esperado “Roma” de Alfonso Cuarón, a grande aposta da Netflix para o prêmio e que só deve marcar presença na cerimônia de encerramento do festival. Além deles, vale ficar de olho na programação em “Poderia Me Perdoar”, cinebiografia da escritora Lee Israel da Fox Searchlight que é protagonizada por Melissa McCarthy e deve chegar forte para pleitear uma vaga nos prêmios de Melhor Atriz.

“A Madeline de Madeline”, “Vida Selvagem” e “O Mau Exemplo de Cameron Post”

Embora o Festival de Sundance deste ano não vá lá exercer grande influência no próximo Oscar, três produções de destaque da última edição do evento serão exibidos pela primeira vez no Brasil dentro da programação da 42° Mostra. Além do vencedor do grande prêmio do júri “O Mau Exemplo de Cameron Post”, o pitoresco “A Madeline de Madeline” e o “Vida Selvagem” que marca a estreia de Paul Dano na cadeira de direção também contam com múltiplas sessões no festival e devem testar as águas do mercado brasileiro em busca de um maior circuito de salas no sistema comercial – enquanto “Vida Selvagem” e “Cameron Post” já tem os distribuição garantida pela Sony Pictures Brasil, o “A Madeline de Madeline” de Josephine Decker ainda não tem distribuidora.

“Assunto de Família”

Junto dos já citados “Infiltrado na Klan” e “Guerra Fria” e dos próximos três filmes escolhidos em nossa lista, uma grande quantidade da seleção oficial do último Festival de Cannes também marca presença na Mostra deste ano graças ao desmonte financeiro que acometeu o Festival do Rio deste ano. Dos premiados – que incluem o “Cafarnaum” de Nadine Labaki, vencedor do Prêmio do Júri, e o “3 Faces” de Jafar Panahi, um dos eleitos em Melhor Roteiro – o nome maior sem dúvida é “Assunto de Família”, filme de Hirokazu Koreeda que foi consagrado com a Palma de Ouro pelo júri presidido por Cate Blanchett e que gira em torno de uma “família” de indivíduos marginalizados da sociedade japonesa cujo principal meio de sobrevivência é o furto de lojas.

“The Man Who Killed Don Quixote”

A jornada de “The Man Who Killed Don Quixote” foi longa e está longe de acabar. Desde 1998 em produção, o filme de Terry Gilliam baseado no famoso livro de Miguel de Cervantes passou por todo tipo de contratempo até conseguir um lugar no line-up de Cannes deste ano, mas há pouco dias de sua primeira exibição (e com trailer já divulgado) teve reiniciada uma antiga disputa judicial por seus direitos. A briga pelo visto ainda não foi resolvida, dado que o longa fará sua participação na Mostra sem distribuidora ou sequer uma tradução para o português de seu título. Mas a curiosidade pelo projeto, enquanto isso, deve render um bom público para as sessões da produção no festival.

“Imagem e Palavra”

É no mínimo impressionante como Jean-Luc Godard ainda se mantém como um nome extremamente relevante para os rumos do cinema. Quatro anos depois de ter lançado seu ousado projeto em 3D “Adeus à Linguagem”, o diretor que foi um dos principais nomes da nouvelle vague francesa lança este ano este “Imagem e Palavra” que não só promete um nível de metalinguagem igual ou maior que o de seu último trabalho como também foi extremamente apreciado pelo júri de Cannes a ponto de levar uma Palma de Ouro Especial – um prêmio que foi criado para celebrar o longa. Para aqueles mais dispostos a pensar mais a fundo sobre o cinema enquanto arte, este sem dúvida é uma parada obrigatória da Mostra deste ano.

“Amor Até às Cinzas”

Outro nome importante que retorna à Mostra este ano diretamente de Cannes é Jia Zhangke. O cineasta chinês volta a dirigir um drama estrelado pela atriz Zhao Thao que alonga por um espaço de mais de uma década para tratar da trajetória histórica de seu país com “Amor Até às Cinzas”, um projeto que é descrito como “uma história de amor violenta” ambientada entre os anos de 2001 e 2017. Enquanto os fãs do diretor ganham mais uma obra para se debruçar sobre, o longa é sem dúvida mais uma porta de entrada para quem não o conhece entrar em contato com sua produção delicada e poderosa.

“Grass” e “O Hotel às Margens do Rio”

Um dos diretores mais interessantes (e prolíficos) do atual cenário, o sul-coreano Hong Sang-soo este ano conta com seus dois últimos filmes na programação da Mostra depois de ter estreado nada menos que três filmes – “Na Praia à Noite Sozinha”, “A Câmera de Claire” e “O Dia Depois” – no circuito comercial brasileiro nos últimos doze meses. Estrelados por Kim Min-hee, ambos parecem levar as típicas comédias regadas a álcool do cineasta a um campo mais experimental, com tanto “Grass” quanto “O Hotel às Margens do Rio” contando com estéticas um tanto únicas.

“Ilha”

Com tantas restaurações de grandes clássicos nacionais anunciados na programação, quase se ignora o fato de que a produção brasileira atual chega à Mostra deste ano com mais um time de peso-pesados, ancorada por alguns dos principais nomes da última edição do Festival de Brasília. Além dos vencedores do principal prêmio e de direção (respectivamente o “Temporada” de André Novais Oliveira e “Los Silencios” de Beatriz Seigner), vale também ficar de olho em “Ilha”, o novo trabalho da dupla Ary Rosa e Glenda Nicácio que causou uma ótima primeira impressão no cenário no ano passado com o singelo drama salpicado de grãos de experimental “Café com Canela”.

“Oito Horas Não São Um Dia” e “Almas Mortas”

Os cinéfilos mais sedentos por cinema e que curtem um filme com mais de quatro horas de duração não tem muito do que reclamar nesta Mostra. A edição deste ano conta com os mamutes “Almas Mortas”, o novo trabalho do chinês Wang Bing, e esta restauração de “Oito Horas Não São Um Dia”, série dirigida por Rainer Werner Fassbinder que foi bastante elogiada nos anos 70 por seu retrato da classe operária alemã. Os dois longas não são para inexperientes, porém, já que cada um deles conta com uma duração de quase oito horas e tomam praticamente um dia da programação daqueles que decidirem se aventurar por ele.

Compartilhe: