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Para ajudar editoras contra crise, fundador da Companhia das Letras pede que leitores “comprem livros” neste fim de ano

Para ajudar editoras contra crise, fundador da Companhia das Letras pede que leitores “comprem livros” neste fim de ano

Dono de uma das editoras com maior rombo gerado pelas dívidas acumuladas pela Livraria Cultura e a Saraiva, Luiz Schwarcz publicou uma carta aberta pedindo por ajuda ao mercado editorial no período de festas

por Pedro Strazza

Não é mistério para ninguém que o mercado nacional de livros passa por um de seus momentos mais delicados. Tanto a Livraria Cultura quanto a Saraiva, duas das redes de varejo e livrarias mais poderosas do meio, entraram com pedido de recuperação judicial nas últimas semanas, além de terem fechado hordas de lojas espalhadas em todo o país – enquanto a última encerrou as atividades de 20 unidades, a Cultura acabou com as atividades da Fnac depois de ter comprado toda a operação da marca francesa no Brasil. As dívidas acumuladas das duas empresas para com as editoras, enquanto isso, escalam à altura dos dez milhões de reais.

Mas apesar de toda a questão dos pagamentos ser imensamente prejudicial sozinha, é o status bamboleante das duas principais livrarias que vem preocupando mais o mercado editorial, já que sem elas os lucros obtidos com a arrecadação despencam a passos largos e colocam todo o conjunto em risco. Por conta disso, o fundador e editor da Companhia das Letras (um dos principais grupos editoriais do país) Luiz Schwarcz soltou ontem (27) no blog oficial da empresa uma carta aberta onde urge aos consumidores que neste fim de ano elas comprem… livros.

“O livro no Brasil vive seus dias mais difíceis.” escreve Schwarcz, que afirma que o cenário que se vê em terras brasileiras “vai na maré contrária do mundo” e o esforço de resistência global da mídia por sua sobrevivência: “Muitas cidades brasileiras ficarão sem livrarias e as editoras terão dificuldades de escoar seus livros e de fazer frente a um significativo prejuízo acumulado”. O rombo gerado pelo acúmulo de dívidas da Saraiva e da Cultura, segundo o editor, é de quase 40% dos recebimentos das editoras.

É bom lembrar neste momento, por ser uma das maiores editoras do país a Cia das Letras foi uma das principais afetadas pela ausência de pagamento das redes. Dos 675 milhões de reais que a Saraiva deve às empresas, mais de 18 milhões estão pendentes à Companhia, enquanto a Cultura precisa pagar a ela 7,5 milhões de reais. Por conta deste cenário, Schwarcz afirma que passou por um de seus “piores momentos da vida pessoal e profissional” ao ser obrigado pela primeira vez a demitir seis funcionários para conter a crise.

Para resolver a situação, o editor diz acreditar que a solução mora principalmente no amor aos livros, o que o leva a pedir que consumam mais literatura neste período de fim de ano que é um dos mais movimentados no calendário financeiro: “Presentear com livros hoje representa não só a valorização de um instrumento fundamental da sociedade para lutar por um mundo mais justo como a sobrevivência de um pequeno editor ou o emprego de um bom funcionário em uma editora de porte maior; representa uma grande ajuda à continuidade de muitas livrarias e um pequeno ato de amor a quem tanto nos deu, desde cedo: o livro.” ele finaliza.

Você pode ler a carta de Schwarcz na íntegra no site do Blog da Companhia.

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