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HBO prova que não é só de convidado que se faz painel na CCXP

HBO prova que não é só de convidado que se faz painel na CCXP

Com presença dos produtores da série e dos atores Maisie Williams e John Bradley-West, apresentação “oficial” final de “Game of Thrones” na Comic Con começou estrondosa para terminar diminuída

por Pedro Strazza

Os primeiros instantes do painel da HBO no auditório Cinemark foram estrondosos. De posse de uma literal orquestra, a emissora lançou o aguardado painel da temporada final de “Game of Thrones” na noite desta quinta-feira (6) na Comic Con Experience ao som do tema da série, tocado ao vivo e com toda a grandiosidade que o fim da “maior série de todos os tempos” (pelo menos em suas palavras) merecia em sua despedida “oficial” do evento. O público, claro, reagiu à altura, especialmente por conta do conteúdo que havia aguardado algumas horas na fila para assistir.

Isso porque para promover o último ano da série de fantasia baseada na saga de livros de George R.R. Martin a HBO trouxe à CCXP um time de peso de figuras importantes da produção que incluía não só os showrunners David Benioff e D.B. Weiss como também os atores John Bradley-West e Maisie Williams, intérpretes de Sam Tarly e Arya Stark na história sobre a disputa do Trono de Ferro. A ansiedade da plateia pelos convidados da empresa era escancarada: anunciados em duplas, as estrelas e produtores foram recebidos no palco do auditório como estrelas do rock, aplaudidos de pé e aos gritos por um público que lotava o espaço e clamava por qualquer tipo de conteúdo relacionado ao seriado – ainda mais depois de um “aquecimento” tão grandioso e musical.

E a princípio o painel estava no formato perfeito para atender esta demanda. Depois de introduzidos pela mestre de cerimônias do evento, Benioff, Weiss, Bradley-West e Williams se sentaram nas cadeiras e iniciaram uma grande entrevista simultânea entre realizadores e elenco sobre todo o longo processo de desenvolvimento da série e seus últimos instantes de vida. O esquema de rodada de perguntas agradava especialmente pela descontração; depois de declararem juras de amor à Comic Con e pregá-la como algo especial dentro do circuito de convenções de cultura pop, os quatro começaram uma troca de gracejos em formas de questões divertidas que iam do banal – que personagens da série você ficaria? – ao informativo – os showrunners revelaram à atriz em determinado momento que já sabiam como seria o fim da saga de “Game of Thrones” desde sua terceira temporada.

Questões interessantes não faltaram, especialmente porque o seriado acima de tudo preza tanto pelos mistérios e reviravoltas de sua trama que o cenário por trás de toda a sua produção acaba envolto por este clima esfumaçado. Enquanto Benioff e Weiss davam conta de explanar aspectos mais técnicos do show – incluindo a questão das mortes, ao qual Weiss afirmou em determinado momento que “A maioria dos atores levou bem a notícia de que seus personagens morreriam” – os atores faziam a parte descontraída do painel, brincando de que aspectos de seus papéis eles encontravam maior semelhança (“Nós somos fisicamente parecidas” ridicularizou Williams, a mais à vontade no palco) ou que outros membros do elenco eles mais temiam – no caso da intérprete de Arya era Charles Dance e o primeiro ator responsável pelo Montanha, enquanto Bradley-West fez uma grande reverência ao falecido Peter Vaughan. As funções se invertiam ocasionalmente, porém: em determinado momento da apresentação, quando perguntados sobre as inúmeras participações especiais de músicos no programa, Weiss e Benioff se divertiram com a ideia de ver o rapper Snopp Dogg no elenco.

O público, enquanto isso, parecia imobilizado em transe com o que via. Foram poucas as intervenções com o que acontecia no palco, talvez restritas a um grito pontual do nome de um personagem feito por um único espectador aos convidados em determinado momento do painel. E foi mais ou menos à partir disso que as coisas começaram a dar errado.

Por mais que a apresentação da HBO na CCXP deste ano tenha começado com um estouro, a longa duração começou a afetar a dinâmica monotemática do painel. Com uma hora e meia à sua disposição e sem nenhum apresentador maior para conduzir a conversa, os convidados se mantiveram ao roteiro e não ousaram tentativas maiores de quebrar a rotina do bate e rebate entre si, mesmo que fosse para “jogar para a galera”. Tirando uma ou outra provocação, o painel final de “Game of Thrones” soou hesitante e em muitos momentos vazio, o que começou a contribuir para um clima de tédio e de exaustão que até os próprios produtores e elenco sentiram na reta final do evento. Embora dito em forma de piada, a forma como Weiss e Benioff acenaram para o fim do horário – “Eu não sei vocês, mas eu preciso ir ao banheiro” – denotou um sentimento de desconforto palpável da parte dos próprios protagonistas.

E neste cenário, não ajudou em nada que os convidados não tivessem absolutamente nada de novo para apresentar ao público do auditório sobre a última leva de episódios de “Game of Thrones”. Foi uma ausência que em determinada altura deixou de ser uma inconveniência para virar um problema real da apresentação da HBO, um lamento sentido desde o “Infelizmente não podemos falar nada sobre a oitava temporada da série” dito por Bradley-West até o jeito como Weiss introduziu o único conteúdo inédito do painel, um teaser de CGI que deve servir como primeira peça de divulgação do último ano e que reitera o duelo entre “fogo e gelo” dos dragões de Daenerys Targaryen e dos White Walkers. Pareceu um grande pedido de desculpas, mesmo que a empresa e os próprios convidados quisessem enviar a mensagem contrária.

É verdade que os painéis dos estúdios na CCXP chamam a atenção para si e para o evento à partir dos nomes que carregam no palco; a vontade do público que comparece ao evento, afinal, é de ficar um pouco mais próximo das produções que acompanha durante todo o ano, mesmo que seja apenas para “respirar o mesmo ar” daqueles que fazem acontecer suas histórias prediletas. O painel final de “Game of Thrones” no evento, entretanto, veio para lembrar uma vez mais que o sucesso de uma apresentação do tipo não está garantido só porque as grandes empresas conseguiram trazer os grandes nomes para a feira. Há de haver algo mais além de estrelas na Comic Con Experience.

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