Prada retira do ar produtos acusados de blackface

Boneco da coleção Pradamalia remete a retratos racistas e diversas comparações entre macacos e pessoas negras feitas ao longo da História

por Soraia Alves

Já é quase 2019, mas algumas marcas continuam errando feio em campanhas que são claramente péssimas ideias. O mais recente caso envolve a conceituada grife italiana Prada, que lançou o bonequinho 
Otto como parte da coleção Pradamalia. O boneco aparece tanto como mascote da coleção quanto em produtos como chaveiros.

Acontece que a aparência de Otto, descrito como “criaturinha misteriosa que tem partes biológicas, partes tecnológicas, todas as partes Prada” é extremamente estereotipada. A pele escura e os lábios bem grossos e vermelhos remetem a muitos retratos racistas e referências a macacos dirigidos às pessoas negras ao longo da história. Não é nenhum pouco difícil perceber isso.

Um post no Facebook feito por Chinyere Ezie mostra a semelhança do boneco, em exibição na loja da Prada em Nova York, com representações de blackface que estão numa exposição do Smithsonian National Museum of African American History and Culture. A postagem repercutiu ainda mais depois de aparecer na conta Diet Prada, no Instagram (e que não tem relação com a Prada).

View this post on Instagram

Woke up on the morning of our fourth birthday to some news about our namesake @prada .  The “Pradamalia” collection, produced in collaboration with @2x4inc , features fantasy “lab-created” animals.  According to a press release about the collab, the creatures mix up the codes of the house into their features.  Many are comparing "Otto", a resulting mutation of one of Prada's oldest mascots, the monkey, to Little Sambo, a children's book character from 1899, who exemplified the pickaninny style of blackface caricature, though other examples from as early as 1769 can be found. The exaggerated stereotypes propagated racism freely back then, but it's apparent that the legacy of the harmful imagery still affects how we contextualize racism today.  This is surprising from Prada, who's known (at least recently) for the inclusivity of their casting, propelling then unknown models like Anok Yai and Jourdan Dunn into near supermodel status…not to mention casting Naomi Campbell in that 1994 campaign at a time when it was generally deemed "risky" to cast people of color in international luxury campaigns.  Recently, they mounted "The Black Image Corporation", an exhibition highlighting the importance and legacy of black creators in American publishing and photography, in both Milan and Miami.  Representation is important, but understanding how to navigate the nuances of how the world perceives racism is even more so.  One thing is pretty clear though…given recent scandals, luxury brands operating on a massive global scale need more systems in place to avoid controversies like this.  A suggestion for now: more diversity on a corporate level for positions that actually hold power in decision making and brand imaging.  Prada issued a swift apology on twitter and are in the process of removing the products from display and sale, but no mention on Instagram yet.  Dieters, chime in with your thoughts! • Source: Chinyere Ezie via Twitter (@ lawyergrrl) • #prada #blackface #littlesambo #retailproblems #retaildisplay #soho #nyc #dietprada

A post shared by Diet Prada ™ (@diet_prada) on

Depois da repercussão, a Prada lançou um comunicado oficial anunciando a retirada do macaco de exibição e circulação. A marca também garante que “nunca teve a intenção de ofender alguém. O grupo Prada abomina imagens racistas. A Pradamalia são peças de fantasia compostas por elementos da imaginação da Prada. São criaturas imaginárias que não pretendiam fazer qualquer referência ao mundo real e certamente não pretendiam ser blackface.”

Ainda assim, é difícil entender como a marca deixou uma campanha com esse personagem passar. Principalmente porque, no mês passado, a Dolce & Gabbana também sofreu acusações de racismo com consequências em seus negócios. Na ocasião, a grife sofreu um boicote na China depois de lançar uma campanha com uma mulher chinesa lutando para comer pratos como macarrão e pizza com hashi.

Compartilhe: