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Depois de polêmica, YouTube deleta mais de 400 canais com comentários pedófilos

Depois de polêmica, YouTube deleta mais de 400 canais com comentários pedófilos

Milhões de comentários foram removidos após denúncias que pedófilos estariam se aproveitando de conteúdos da plataforma de forma perversa

por Pedro Strazza

[Atualizado com novas informações sobre as medidas tomadas pelo YouTube e a declaração oficial do site sobre o caso]

O YouTube vem recebendo desde a última terça-feira, dia 19 de fevereiro, uma série de críticas sobre uma invasão de pedófilos à sua rede. As denúncias partiram de um post no Reddit e de Matt Watson, ex-youtuber que em um vídeo (abaixo) expôs como o algoritmo de recomendação do site vem sendo explorado financeiramente por pedófilos para propagar pornografia infantil sem quebrar as regras de conduta da plataforma.

O truque envolveria o uso de certos termos na ferramenta de busca. Quando um usuário procura por exemplo pelo termo “bikini haul” (um subgênero de vídeos de mulheres mostrando os biquínis comprados), o YouTube revela uma seleção de conteúdos a princípio inocentes, incluindo o de crianças que passam pela brincadeira. O que acontece a partir daí é o problema, porém, pois as seções de comentários destes vídeos protagonizados pelos menores são inundados por usuários que apontam momentos do vídeo onde os pequenos mais se expõem para a câmera e as “elogiam” por sua beleza física.

A situação ficava mais complexa porque tudo isso estava acessível a menos de dez cliques de distância de qualquer usuário, graças à habilidade do algoritmo em ressaltar o que está “bombando” no site à partir do que é mais “popular” – e os vários comentários acumulados nestes vídeos os levavam direto ao topo dos mais procurados.

O YouTube obviamente não recebeu as denúncias calado, e desde então vem realizando uma verdadeira limpeza no site sobre conteúdos do tipo. Desde terça, a empresa já apagou mais de 400 canais que praticavam esta atividade e suas mais de dezenas de milhões de comentários, intensificando o processo depois que vários anunciantes – incluindo aí a Nestlé e a Disney – começaram a interromper suas compras de espaço na plataforma.

Além disso, foram desabilitados diversas seções de comentários dos vídeos onde a prática foi detectada pela empresa, que também fez o mesmo com canais onde jovens poderiam estar expostos a ação do tipo – vídeos onde crianças e adolescentes poderiam estar mais expostos foram removidos. Todo este conteúdo foi entregue a autoridades nos Estados Unidos, de forma que as devidas medidas legais sejam tomadas contra os criminosos.

Ao B9, um porta-voz do site declarou que “Qualquer conteúdo – incluindo comentários – que coloque menores em perigo é repulsivo e temos políticas claras que proíbem isso no YouTube. Nós tomamos ações imediatas, removendo contas e canais, reportando atividades ilegais às autoridades e desabilitando comentários em dezenas de milhões de vídeos que incluem menores de idade. Ainda há mais a ser feito e continuamos a trabalhar para melhorar e identificar abusos mais rapidamente.”.

A questão, claro, só aumenta o criticismo sobre a metodologia do YouTube sobre que vídeos são promovidos pela própria empresa, já que seus algoritmos cada vez mais vem se mostrando falhos e sujeitos a mal uso pelos usuários e creators.

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