SXSW 2019: Será o Quibi o Twitter ou o Foursquare de 2019?

Antigos executivos da Disney, Jeffrey Katzenberg e Meg Whitman palestraram sobre sua nova plataforma de streaming, que promete conteúdos curtos de diretores como Guillermo del Toro e Sam Raimi

por Andrea Siqueira / Diretora executiva de criação, BETC/Havas

A palestra era “A próxima forma de Narrativa: o futuro do entretenimento possibilitado pela tecnologia”. No palco do Ballroom D, um dos maiores auditórios do Convention Center, Jeffrey Katzenberg, ex-Disney, e a CEO Meg Whitman, também ex-Disney e antigo presidente da HP Enterprise, eram entrevistados por um incrédulo repórter da NBC News, Dylan Byers. O tema? O Quibi, um novo serviço de streaming que aposta acima de tudo em conteúdos curtos.

“Em 5 anos as pessoas usarão a palavra Quibi como sinônimo de formato pequeno, como Kleenex e Google viraram sinônimos de lenço de papel e de busca”, disse um convicto Katzenberg, co-fundador e entusiasta da nova plataforma.

O Quibi será uma nova plataforma para consumo de vídeos de pequenos formatos  criados, produzidos ou adaptados para serem assistidos no celular, para resolver uma demanda que existe hoje de conteúdos de vídeo em tamanho reduzido entre 7 da manhã e 7 da noite.

“Durante o dia as pessoas não têm tempo para consumir um episódio de 30 ou 40 minutos… porém existe essa procura.” afirma Katzenberg, que acrescenta que é fato que hoje os jovens assistam 70 minutos por dia de conteúdos pequenos em vídeo; 6 anos atrás, eram 6 minutos. “Quibi vai dar certo porque existe uma busca crescente e exponencial por vídeos em pequenos formatos e está aumentando o comportamento chamado ‘cord-cutter’ [em português “o telespectador sem fio, sem cabo”], que está saindo da assinatura da TV paga. Queremos 20 minutos desses 70 minutos que os jovens já estão gastando ao longo do dia.” acrescenta.

O executivo ainda complementa que o “Quibi não será um substituto para Netflix, YouTube ou Disney; será complementar para consumo quando as pessoas estão sem tempo para longos conteúdos.”.

Jeffrey acredita que em 5 anos as pessoas não terão mais apenas 1 assinatura de vídeo e sim várias, ao mesmo tempo, porque “ninguém quer pagar a mais por conteúdos que não lhe interessam. E uma dessas assinaturas será Quibi”.

Quibi nasce do desejo de ter o entretenimento não apenas acessível e sim, também, conveniente. E já nasce com investimento de grandes estúdios e algumas histórias inéditas já anunciadas como “Frat Boy Genius”, sobre o criador do Snapchat, um provável show chamado “inspired by” com Justin Timberlake e até mesmo novas séries criadas por grandes nomes como Guilhermo del Toro, Sam Raimi e Antoine Fuqua.

Fato é que o Quibi chega como uma grande aposta no momento em que a Vivendi anunciou que vai encerrar o seu Studio+, app lançado em 2016 que é justamente uma plataforma para séries de 10×10, 10 episódios de 10 minutos com acordos locais com grandes empresas de telefonia como Orange e Telefônica.

O repórter da NBC News não se convenceu muito. Já meu filho gen Z vai adorar: o tempo da atenção dele é a duração de um Quibi.

> Confira a cobertura completa do B9 na SXSW 2019

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