“Harry Potter: Wizards Unite” consegue apenas 4% dos ganhos de “Pokémon Go” em fim de semana de lançamento

Novo jogo da Niantic baseado no universo de “Harry Potter” arrecadou apenas 1 milhão de dólares, muito abaixo dos 30 milhões gerados pela empresa com o game de “Pokémon” na estreia em 2016

por Matheus Fiore

“Pokémon Go” é até hoje um dos maiores sucessos quando se fala em jogos (ou até mesmo aplicativos em geral) na geração dos smartphones. Lançado em 2016, o jogo de realidade aumentada que permitia aos jogadores capturar e treinar pokémon encontrados pelas cidades alcançou o espantoso lucro de U$ 28 milhões com seus 24 milhões de downloads em apenas um fim de semana nos Estados Unidos e no Reino Unido.

A Niantic, empresa responsável pelo “Pokémon Go”, lançou agora um segundo jogo com pé na realidade aumentada e com um formato bastante parecido, baseado desta vez no popular universo da saga “Harry Potter”. Anunciado em 2017, pouco mais de um ano após o lançamento do jogo baseado nos personagens da Nintendo, “Harry Potter: Wizards Unite” finalmente foi lançado no Reino Unido e nos Estados Unidos neste fim de semana, mas seus resultados passaram bem longe dos feitos do projeto anterior da empresa.

De acordo com o Hollywood Reporter, nestes primeiros 3 dias de vida “Wizards Unite” só acumulou U$ 1,1 milhão e obteve 3 milhões de downloads, algo próximo de apenas 4% do alcance de “Pokémon Go”. Ainda estão agendados os lançamentos para Japão e Coréia do Sul, dois dos principais mercados a serem explorados, mas a diferença de impacto entre os dois jogos até aqui já surpreendeu os analistas.

Apesar de se tratar de um dos maiores fenômenos culturais de sua geração, “Harry Potter” acabou não conseguindo o mesmo engajamento, e é possível imaginarmos várias razões que possam ter levado a isso. Para começar, o próprio universo de “Pokémon” já instigava uma experiência como a oferecida por “Pokémon Go” desde os jogos clássicos de Game Boy. O que “Pokémon Go” faz é justamente transportar para a realidade aumentada um modelo de jogo que já existia há décadas e fazia enorme sucesso no universo gamer.

Já com “Harry Potter” o mesmo não acontece pois é um saga literária e cinematográfica, baseada em uma construção de universo que não demandava a mesma interatividade. Em vez de colocar nas mãos do usuário o papel de decidir o que fazer (quais pokémon capturar, por exemplo), a série, pelas mídias nas quais fez sucesso, sempre teve seu usuário em um papel passivo de espectador e leitor.

O caso evidencia também o fato de que projetos de realidade aumentada ainda não são uma garantia de retorno. O sucesso de “Pokémon Go” fez com que o mercado fosse aquecido, mas o fator primordial para o sucesso da Niantic parece ter sido muito mais a expectativa criada pelo fiel público da série de jogos da Nintendo do que a inovação tecnológica em si. A decepção com o baixo alcance de “Wizards Unite”, portanto, pode ser um marco negativo para projetos do tipo.

Devemos levar em consideração também que, pelo fato de os jogos representarem 74% dos gastos dos usuários com aplicativos, a Niantic certamente planejava fazer do jogo de “Harry Potter” um projeto extremamente rentável, algo que parece improvável – pelo menos em comparação às expectativas da própria empresa – visto o desanimador começo de “Wizards Unite”.

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