Para evitar acidentes, carros elétricos serão obrigados a fazer barulho na União Europeia

Ausência de som nos modelos da categoria representa risco para pedestres, que não são capazes de identificar sonoramente quando um veículo do tipo se aproxima

por Pedro Strazza

Um dos grandes diferenciais do carro elétrico hoje é que, por não contar com um motor a combustão, sua performance é completamente despida do tradicional barulho que acompanha os veículos. Mas por mais que a experiência sonora seja um alívio para as grandes cidades (cuja proliferação barulho poderia diminuir de forma drástica com a popularização de modelos), aparentemente esta característica acaba afetando indiretamente a rotina de tráfego nas mesmas: os pedestres não conseguem identificar a aproximação de veículos elétricos pelo ouvido, o que os deixa ainda mais vulneráveis a acidentes.

A situação é tão problemática que levou a União Europeia a uma resolução drástica: à partir de hoje (1), todos os modelos de carro elétrico que chegarem ao mercado europeu são obrigados a produzir barulho, mesmo que de maneira artificial. Intitulado Acoustic Vehicle Alert Systems (AVAS), o sistema pedido pela lei da união produz um som que é muito parecido ao “ronco” do motor de combustão e passa a funcionar a partir do momento que o veículo atinge a velocidade de 19 quilômetros por hora em qualquer direção.

De acordo com a BBC News, sob a regulamentação atual as fabricantes poderão decidir o som que seus modelos emitirão à partir do sistema, mas este barulho é obrigatório e tem que soar que nem o de um carro movido a motor de combustão, não podendo emitir um som mais alto que este. Além disso, os carros tem que dar uma dimensão da velocidade que trafegam para alertar e orientar sonoramente os pedestres nas proximidades.

Os europeus não são os primeiros a anunciar regulação sonora para veículos elétricos. Em fevereiro, a Administração Nacional de Segurança no Tráfego das Rodovias nos Estados Unidos já havia implementado uma lei de exigência de som parecida para carros da categoria, exigindo que todos os modelos no território contem com um sistema do tipo até setembro de 2020. Algumas fabricantes inclusive já tem anunciado atualizações criativas para seus carros depois do decreto da lei, incluindo a Nissan cujo sistema faz seus modelos elétricos cantarem:

Enquanto para o mercado o sistema é exigido à partir desta segunda, os donos de modelos elétricos na UE tem até julho de 2021 para fazer a implementação do AVAS em seus próprios veículos.

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