Netflix volta a afirmar que não pretende incluir publicidade em sua plataforma

Empresa estaria passando um negócio de mais de um bilhão de dólares em faturamento, mas confirma que acredita na expansão de seus lucros só no crescimento de usuários sem aumentos na assinatura

por Pedro Strazza

Em comunicado aos investidores para anunciar os ganhos da empresa do segundo trimestre de 2019, executivos da Netflix voltaram a reafirmar o compromisso do serviço em não incluir qualquer modelo de publicidade dentro da plataforma e em meio a seus conteúdos.

“Nós não oferecemos pay-per-view ou conteúdo gratuito apoiado em anúncios. Eles são ótimos modelos de negócio que outras empresas fazem muito bem, mas nós somos sobre uma experiência de consumo sem limites e despida de comerciais” declararam representantes da empresa na reunião, onde chegaram a se comparar com a rival HBO como um serviço “livre de publicidade”.

“Esta continua a ser parte importante de nossa proposta de marca; quando você lê especulação sobre estarmos movendo o negócio para a venda de espaços publicitários, tenha a confiança de acreditar que esta informação é falsa.” continua a carta aos investidores; “Nós acreditamos que continuaremos a ser uma empresa valiosa a longo prazo se continuarmos fora da competição por anunciantes e focados inteiramente na satisfação de nossos espectadores”.

A declaração volta a acontecer em meio ao reaquecimento de especulações envolvendo a Netflix e este modelo de negócios, em especial por conta do altíssimo faturamento que a empresa em teoria estaria perdendo ao manter a plataforma fora do mercado publicitário. No mês passado, um estudo da Nomura’s Instinet divulgado pela Variety calculou que com a base de assinantes atual de seu streaming a empresa poderia estar faturando em torno de um bilhão de dólares a mais só na venda de publicidade – além disso, relatórios apontam que a Hulu teria gerado 1,4 bilhão de dólares só neste modelo de negócios, graças aos 70% de assinantes que preferem a versão com anúncios por ser mais barata.

É uma medida que em teoria ajudaria a Netflix a sair do vermelho financeiro (em especial depois de sua decisão recente em fazer investimentos menos arriscados na hora de adquirir filmes), mas é claro que este cálculo ignora a possível destruição de todo o valor de atração da plataforma perante seus clientes.

Junto do comunicado, o CFO Spencer Neumann declarou em uma videoconferência com os investidores nesta quarta (17) que o plano atual da Netflix para expandir seus negócios é ainda o de aumentar a base de usuários. De acordo com o executivo, o serviço de streaming espera “multiplicar” os 151,6 milhões de clientes que tem hoje sem precisar aumentar muito mais os preços de sua assinatura

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