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CES 2020: Warner Bros. começa a usar inteligência artificial para orientar a distribuição de seus próximos filmes

Acordo com a Cinelytic vale por enquanto para o mercado internacional e prevê uso de software para decidir a melhor estratégia de divulgação e distribuição para cada lançamento

por Pedro Strazza

A Warner Bros. anunciou na noite de ontem (8), em meio à Consumer Electronic Show (CES) em Las Vegas, que firmou um acordo com a Cinelytic para usar tecnologia de inteligência artificial na operação internacional de suas produções no cinema. De acordo com o Deadline, o negócio envolve o uso da análise de dados para prever e decidir a melhor estratégia de distribuição para cada filme, não sendo envolvida em nenhuma parte do processo criativo ou de desenvolvimento de projetos.

Este é o primeiro negócio com um dos grandes estúdios de Hollywood que a Cinelytic consegue – além da Warner, ela mantém hoje parcerias com a a T&B Media Global, a Ingenious Media e a STX. Fundada em 2016, a companhia de Tobias Queisser desenvolve desde 2017 o software da plataforma que afirma ser capaz de criar parâmetros confiáveis sobre os melhores cenários de distribuição e marketing para cada produção. Ao Hollywood Reporter, Queisser declara que o sistema “pode calcular em segundos o que geralmente toma dias para arregimentar pelas vias humanas quando o assunto é avaliação financeira do filme ou o valor das estrelas”.

A plataforma da empresa pode vir a ser extremamente vantajosa para a Warner no tocante a filmes de menor orçamento e aquisições vindas do circuito de festivais, onde ela e outros grandes conglomerados vivem atuando em busca do próximo grande sucesso independente que triplica o valor de seu orçamento. A disputa por projetos específicos nestes eventos inclusive é onde a IA pode vir a ser útil, dado que a tendência em festivais é de guerras de preços cada vez mais altas – vide os gastos exorbitantes da Amazon em Sundance em projetos que não chegaram perto de render o seu preço de compra, como “O Relatório” e “Late Night”.

No caso específico do estúdio da WarnerMedia, a tecnologia talvez seja ainda mais necessária após os últimos dois anos, onde filmes de sucesso garantido como “Godzilla II” e “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindewald” tiveram um desempenho bem abaixo do esperado nas bilheterias. Ao Hollywood Reporter, o vice-presidente de distribuição Tonis Kiis comenta o negócio com a Cinelytic dizendo que “Nós todo dia tomamos decisões difíceis que afetam o que – e como – nós produzimos e distribuímos os filmes ao redor do globo, e o quanto mais preciso forem os dados melhor nós seremos capazes de nos conectar com o público”.

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