Uber testa permitir a motoristas que definam preços das viagens na Califórnia

Ideia é aumentar ainda mais a independência dos trabalhadores da categoria e evitar de pagá-los uma série de benefícios prevista em nova regulamentação do estado

por Pedro Strazza

A implementação da AB5 no estado da Califórnia continua impactando a forma como diversos aplicativos tocam seus negócios de viagem e delivery na região. Depois de anunciar uma série de mudanças em seu modo de operação na área no começo do ano, o Uber agora começou a testar entre alguns funcionários uma nova opção que permite aos motoristas definir o preço das viagens que aceitam fazer.

De acordo com o Wall Street Journal, a ferramenta dá aos usuários que trabalham para a companhia a possibilidade de aumentar em até cinco vezes o preço original da corrida estabelecido pelo aplicativo, a partir de acréscimos de 10% customizados pelo motorista. Ao optar por estabelecer viagens mais caras, porém, o sistema privilegia menos corridas ao usuários, o que gera um cenário e tanto: motoristas mais “barateiros” ganham um maior número de corridas e passageiros, enquanto os “luxuosos” recebem menos convites de clientes – tudo é regulado pela demanda mais alta ou mais baixa das regiões.

A ideia do Uber com a ferramenta, claro, é aumentar ainda mais as opções dos motoristas de forma a permitir que ela consiga classificar a classe como “trabalhadores independentes” e assim livrá-la da obrigação de pagar uma série de benefícios a estes. Aprovada no fim de 2019, a AB5 instituiu na Califórnia um novo sistema de regulação que busca enquadrar o público que trabalha dentro da “gig economy” como funcionários destas companhias e, portanto, qualificá-los para receber itens como seguro-desemprego e plano de saúde – uma medida que pode custar bilhões às empresas.

O recurso por enquanto é limitado a alguns poucos “taxistas” que operam nos arredores dos aeroportos de Santa Barbara, Palm Springs e Sacramento, um teste que permite à empresa descobre se a ferramenta funciona ou não em cidades menores antes de decidir pela implementação nos grandes centros urbanos do estado – Los Angeles e São Francisco, por exemplo.

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