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Moderadores do YouTube agora precisam reconhecer que trabalho pode gerar estresse pós-traumático

Funcionários de firma de moderação que operam na plataforma estão sendo intimados desde dezembro a assinar documento em que reconhecem que trabalho pode "afetar negativamente" sua condição mental

por Pedro Strazza

Os moderadores humanos do YouTube estão recebendo um novo documento da companhia onde trabalham que os leva a reconhecer que seu trabalho na plataforma pode gerar síndrome pós-traumática. A informação vem do The Verge, que reporta que a assinatura da papelada é obrigatória aos funcionários terceirizados e circula pelo menos desde 20 de dezembro na Accenture, umas das várias firmas que providenciam este tipo de serviço ao site do Google.

De acordo com o site, o documento repassado pela companhia escreve que o moderador “entende que o conteúdo que será avaliado pode ser perturbador” e que revisá-lo para aprovação dentro da plataforma “pode impactar em minha saúde mental, levando inclusive a Estresse Pós-Traumático”. Além disso, o formulário também declara que o funcionário “irá procurar benefício do programa weCare e buscar serviços de cuidado com a saúde mental caso seja necessário”, junto do fator de que ele irá contatar seu supervisor se ele sentir que o trabalho está “afetando negativamente” sua cabeça.

Embora a Accenture declare que a assinatura da papelada seja voluntária, dois funcionários já reportaram ao The Verge que foram ameaçados de demissão caso se recusassem a preenche-lo, além do próprio formulário declarar que “a aderência a todos os requerimentos do documento é mandatória” e que caso isso não seja obedecido “ações disciplinárias serão tomadas, incluindo o término do contrato”.

Em declaração oficial sobre o caso, o Google afirma que os moderadores “realizam um trabalho vital e necessário para manter a segurança das plataformas digitais a todos” e que “escolhe com cuidado as companhias com que firma parceria, requerendo que estas providenciem recursos compreensivos ao apoio do bem estar e da saúde mental dos moderadores”.

Já a Accenture declara que os funcionários não estão sendo obrigados a fornecer informações sobre deficiências ou condições médicas, enquadrando o documento como uma mera declaração geral de reconhecimento sobre o perfil de trabalho pedido pela empresa.

O curioso é que o formulário não apenas circula desde pouco depois do The Verge ter veiculado uma matéria sobre os riscos da função à saúde mental dos trabalhadores, mas também aparentemente não vale para moderadores do Facebook e do Twitter, para os quais a Accenture também presta serviço. Enquanto a companhia de Mark Zuckerberg afirma que não aprova que documentação do tipo seja repassada a seus moderadores, o Twitter diz que os funcionários já são conscientizados desta informação sobre o trabalho quando são admitidos na empresa.

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