Nos EUA, pesquisa mostra que maioria das mulheres não aceita emprego onde aborto é proibido

9 em cada 10 mulheres pesquisadas, por exemplo, acreditam que a capacidade de controlar quando e se terão ou não filhos é fundamental para suas carreiras

por Soraia Alves

Uma pesquisa realizada pela Rhia Ventures, empresa que estuda o impacto social da saúde reprodutiva nos Estados Unidos, mostrou que a maioria das mulheres não aceitaria se candidatar a um emprego em um estado do país onde o aborto é proibido.

O relatório “Hidden Value: The Business Case for Reproductive Health” traz ainda outras informações sobre como a escolha por ter ou não filhos afeta as decisões profissionais das mulheres. 9 em cada 10 mulheres pesquisadas, por exemplo, acreditam que a capacidade de controlar quando e se terão ou não filhos é fundamental para suas carreiras. Quase 99% das mulheres com menos de 45 anos já usaram métodos contraceptivos, e 1 em cada 4 mulheres já fez um aborto.

As mulheres também se preocupam em ter acesso aos cuidados de saúde reprodutiva, incluindo o acesso ao aborto. Mais de 80% das entrevistadas esperam que seus empregadores forneçam esse tipo de seguro junto ao seguro saúde, e muitas não aceitariam um emprego caso a empresa tenha serviços de saúde reprodutiva restritos.

A pesquisa lembra que, dados os resultados, atualmente os benefícios abrangentes para a saúde reprodutiva são uma questão comercial que deve ser levada em consideração pelas empresas norte-americanas. A atração e retenção de talentos estão ligadas à disponibilidade de uma cobertura que contemple as escolhas quanto à reprodução feminina.

Nos Estados Unidos, há variações entre as leis estaduais em relação ao aborto. Apesar do avanço de uma “tendência antiaborto” no ano passado em estados como Alabama e Louisiana, a Suprema Corte americana reconhece o direito ao aborto por solicitação da gestante, como consequência do direito à privacidade protegido pela Emenda 14. Assim, o direito ao aborto é visto como um direito constitucional por lá.

Atualmente, o país tem cerca de 1.600 clínicas de aborto em funcionamento, apoiadas pelo governo, pela iniciativa privada e por organizações não governamentais.

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