Cinemas nos EUA e no Canadá reduzem capacidade pela metade para evitar disseminação do coronavírus

No Brasil, cinemas do Recife adotam medidas similares e governo do Rio de Janeiro suspendeu a operação das salas

por Pedro Strazza

[Nota atualizada com decisão do governo do Rio de Janeiro em fechar cinemas]

Depois de Hollywood em massa adiar os lançamentos das próximas semanas, agora é a vez das redes de cinema começarem a reagir à crise do coronavírus no esforço de conter a rápida disseminação do vírus. Enquanto China e Itália já fecharam as portas de suas salas, as maiores companhias do meio nos Estados Unidos e no Canadá por enquanto estão se atendo a medidas menos “drásticas” e reduzindo a capacidade das salas – uma manobra bastante similar à traçada inicialmente pelos italianos, que chegaram a operar com 30% da capacidade antes da quarentena.

Isso inclui a estadunidense AMC Theaters e a canadense Cineplex. Dona da maior rede de salas nos EUA, com 11 mil telonas espalhadas pelo país, a AMC anunciou nesta sexta (13) que vai manter seus estabelecimentos abertos durante este fim de semana, ainda que apenas com 50% da venda de ingressos. Nas palavras do CEO Adam Aron, a ação visa “facilitar a ‘distância social’ entre os clientes que ainda querem assistir os filmes”.

Já o Cineplex, dono de 1693 salas no Canadá, também decidiu pelo corte de 50% da quantidade de ingressos vendidos por sala sob as mesmas alegações de facilitar o distanciamento entre os espectadores. A companhia também confirmou nesta sexta que vai continuar “modificando a operação conforme o necessário” e em consulta com o Departamento de Saúde Pública do país.

Redes menores também seguem a mesma toada de limitar os ingressos para ficar de acordo com a recomendação de 2 metros de distância entre cada pessoa, incluindo a Bell Lightbox no Canadá e a Regal Cinemas nos EUA. Já a Alamo Drafthouse, companhia de salas de luxo com 20 estabelecimentos espalhados pelo território estadunidense, anunciou hoje que vai bloquear assentos vizinhos aos selecionados pelos clientes para garantir a segurança de seus espectadores.

Quem interrompe suas atividades são os cinemas de arte de Nova York. O Nitehawk Cinema – que opera duas salas no Brooklyn – confirmou na tarde desta sexta o encerramento de sua operação durante a crise, enquanto o MoMA e ao Anthology Film Archives paralisaram suas programações de cinema a partir desta semana.

O Brasil segue a passos dispersos na questão, neste meio tempo. No âmbito público, a manobra maior por enquanto vem do governo do Rio de Janeiro, que nesta sexta (13) proibiu a operação de cinemas e teatros como parte de um decreto de suspensão de aulas nas escolas e visitações a presos nas cadeias do estado. De acordo com a Exame, a realização de passeatas, shows, comícios e eventos científicos e esportivos também foram proibidas pela administração do estado.

[ATUALIZAÇÃO: 19h40] Em comunicado emitido no início da noite desta sexta-feira, a UCI Cinemas confirmou que irá fechar todos os seus estabelecimentos no Rio de Janeiro em respeito à decisão do governo do estado e seguindo diretrizes da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas. O anúncio foi feito nas redes sociais – confira abaixo.

O Espaço Itaú de Cinemas, por sua vez, anunciou nas redes sociais que vai operar suas unidades com apenas 60% de capacidade de suas salas de cinema. No comunicado, a companhia escreve que está instruindo os espectadores desacompanhados pessoas a manter “certa distância de outros frequentadores dentro da sala”. Leia abaixo a declaração na íntegra.

[FIM DA ATUALIZAÇÃO]

No Recife, a Fundação Joaquim Nabuco é a única a suspender o funcionamento de cinemas, parte da decisão geral da organização sobre todas as suas atividades abertas ao público. A partir do sábado, 14 de março, o Cinema da Fundação, o Cinema do Museu e a Cinemateca Pernambucana ficarão fechados por tempo indeterminado.

A tendência é que a situação escale nos próximos dias, não apenas por conta do aumento de casos no país mas também porque a renda do circuito vem registrando recordes negativos cada vez maiores. Segundo o Filme B, os dias 5 e 12 de março se tornaram as piores quintas-feiras dos últimos quatro anos do mercado, somando respectivamente 95 mil e 86 mil ingressos vendidos em todo o país.

Vale ressaltar que, de acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil conta agora com 151 casos confirmados de pessoas infectadas com o coronavírus. Segundo médicos e especialistas em saúde, a melhor forma de evitar a doença e suprimir seu contágio é cobrindo a boca e o nariz com o antebraço ao espirrar, evitando aglomerações e o contato com pessoas infectadas.

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