Apesar de adiada para 2021, Olimpíadas de Tóquio vão manter ano de 2020 na marca

Organização e governo japonês justificam decisão com a tradição dos Jogos ocorrerem em anos pares, mas mudança também afetaria orçamento do evento

por Pedro Strazza

As Olimpíadas recentemente anunciaram a decisão histórica de adiar a realização da edição de 2020 em um ano devido à pandemia do coronavírus, mas em meio ao caos da reorganização completa do calendário esportivo dos próximos meses algumas outras questões paralelas começam a virar dor de cabeça para o Comitê Olímpico Internacional. A magnitude de um ato importante de adiar os Jogos é explícita e isso afeta todos os campos tocados pelo evento – incluindo seu branding, que no fim das contas vai manter o ano original mesmo em 2021.

A informação vem da própria governadora de Tóquio, Yuriko Koike, que disse em entrevista a uma TV japonesa que a proposta foi validada já na reunião que decidiu o adiamento dos Jogos, realizada entre o presidente do COI Thomas Bach e o atual primeiro ministro do Japão, Shinzo Abe. De acordo com o Wall Street Journal, a justificativa principal dada por Koike é que “Um número ímpar está fora de cogitação”, em referência à longa tradição das Olimpíadas serem realizadas em anos pares.

Embora não seja citada, há também uma óbvia razão financeira envolvida na decisão de manter o ano “2020” na identidade visual oficial dos Jogos. Lançado em 2015, o logo é usado não apenas pelo mercado como pelo próprio governo japonês para promover a edição há cinco anos, o que significa que gastos muitos altos já foram realizados para haver ajustes de última hora. O marketing das Olimpíadas de Tóquio atualmente se encontra na casa do 1,2 bilhão de dólares e inclui produtos como uma barra de ouro com o logo.

Para tornar a situação mais inviável, o Design Taxi confirma que o branding “Tokyo 2021” já foi registrado por um importante evento de artes local, o que poderia disparar um problema jurídico e tanto de conflito de copyright.

O lado positivo da questão é que, ao evitar mudanças de última hora no branding, o COI impede a deflagração de uma “corrida pelo ouro” em sites de venda sobre itens oficiais “ultrapassados”. É um problema que já foi enfrentado por eventos como as finais do beisebol estadunidense de 1994 (que foi cancelada devido a uma greve dos jogadores) e a maratona de Nova York de 2012, cuja realização foi suspensa em virtude do furação Sandy – nos dois casos, produtos oficiais da organização são vendidos a pesos de ouro em casas de leilão.

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