Com pandemia do coronavírus e febre de “A Máfia dos Tigres” nos EUA, Netflix ganha 15 milhões de novos usuários

Projeção da companhia para os próximos meses é pessimista, porém, com o eventual fim da quarentena e a inevitável estiagem de conteúdo gerando um solavanco no ritmo de crescimento da plataforma

por Pedro Strazza

Ainda que o mundo esteja no meio de uma pandemia, a Netflix está numa onda relativamente boa. Depois de superar o valor de ação da Disney na semana passada, o relatório trimestral divulgado nesta quarta (22) pela companhia revela que os últimos acontecimentos ajudaram o serviço de streaming a ganhar mais 15,8 milhões de usuários e registrar uma renda trimestral de 5,77 bilhões de dólares.

A quantidade de novas contas é praticamente o dobro do projetado no último informe, que indicava que a companhia poderia chegar a até 7,2 milhões de novos espectadores, e representa um crescimento de 22% nas taxas de expansão do ano passado. O sucesso, para além do confinamento de uma enorme parcela de pessoas ao redor do globo, também se relaciona a determinados fenômenos criados ao longo do último mês, incluindo o de “A Máfia dos Tigres” nos Estados Unidos e “La Casa de Papel” em territórios europeus e latinos.

Apesar do enxame de boas notícias, a carta divulgada pela companhia aos acionistas já vem com um aviso claro de que o futuro nem de longe deve ser tão positivo quanto o status atual. Além de prever uma regressão no número total de usuários a partir do fim do confinamento (o que a empresa diz “esperar que seja em breve”), a Netflix também escreve que os padrões orgânicos de crescimento do streaming serão afetados num futuro próximo pela pandemia, conforme o cenário atual se encerre e as atividades voltem ao normal ao redor do globo.

“Como outros serviços de home entertainment, nós estamos vendo um crescimento temporário das taxas de audiência e crescimento da base de usuários.” afirma a companhia na carta; “No nosso caso, este cenário é possível graças à alta do dólar, o que gera uma queda da receita internacional e resulta numa renda conforme o previsto”.

A Netflix também declara que pausou por tempo indeterminado o desenvolvimento de novas tecnologias para a plataforma e acredita que deve manter o bom ritmo de oferta de títulos novos durante os anos de 2020 e 2021, mesmo com a produção de diversos programas tendo sido interrompida ao redor do globo. O segredo estaria no “benefício de haver uma grande quantidade de conteúdo já completo e preparado para o lançamento ou em pós-produção quando as filmagens foram paralisadas”, o que garantiu que a linha de produção fordista do streaming tenha se mantido mais ou menos preservada – e o anúncio do aumento da dívida em mais US$ 1 bilhão salienta o esforço em manter este ritmo intacto.

Mas mesmo tendo muita “gordura” para queimar nestes próximos meses, os executivos da companhia já estão atentos a um cenário de estiagem caso o distanciamento social perdure até o fim do ano. Como outros estúdios, o CEO Reed Hastings já deu declarações de que o momento em que o montante de novos conteúdos acaba de ser lançado não está tão distante assim. A pergunta é uma só: quando?

Com a divulgação do relatório trimestral, as ações da Netflix na bolsa sofreram uma queda leve de 3%.

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